Mutualista Montepio com eleições a 17 de dezembro e prejuízos de 89 milhões

Maior associação mutualista do país vai a eleições no próximo dia 17 de dezembro. Data foi conhecida no dia em que o grupo apresentou um prejuízo consolidado de 89 milhões de euros.

Já há data para as eleições na Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG). A instituição agendou para 17 de dezembro o ato eleitoral que deverá contar com quatro listas concorrentes. Ao mesmo tempo, o grupo revelou as contas consolidadas relativas a 2020. A maior mutualista do país registou um prejuízo consolidado de 89 milhões de euros, agravados pelo mau desempenho do banco no ano passado.

A administração explica que as perdas registadas ao nível de todo o grupo se devem, “sobretudo, aos efeitos extraordinários do contexto pandémico nos resultados líquidos consolidados do Banco Montepio”, que atingiram 81 milhões de euros negativos, “designadamente, por via dos montantes extraordinários de imparidades de crédito constituídas, entre outros efeitos adversos”.

O prejuízo de 89 milhões atribuível à AMMG compara com o lucro de seis milhões de euros registados em 2019 e de dois milhões em 2018.

A mutualista liderada por Virgílio Lima tem como principal ativo o banco: a instituição bancária representa 86% do total do ativo do grupo. Por força das novas regras de supervisão da Autoridade de Supervisão dos Seguros e Fundos de Pensões (ASF), existe uma determinação para reduzir essa exposição para 10% durante o período de transição até 2030. Ainda assim, o Governo prepara mudanças na lei para resolver os problemas no cumprimento do plano de convergência da AMMG.

Além do banco, a AMMG, com 600 mil associados, tem ainda negócios na área dos seguros (Montepio Seguros, que deu lucro de seis milhões) e residências (prejuízo de 700 mil euros) e imobiliário (lucro de dois milhões).

As contas vão ser votadas na assembleia geral de associados marcada para 30 de setembro.

Auditor volta a levantar reservas

Tal como aconteceu com as contas individuais, a auditora PwC voltou agora a levantar reservas em relação às contas consolidadas de todo o grupo. Mantém-se o braço-de-ferro em relação à contabilização dos ativos por impostos diferidos (DTA) na mutualista.

Segundo os auditores, a “AMMG não demonstra capacidade para gerar resultados tributáveis suficientes que permitam recuperar parte substancial dos ativos por impostos diferidos registados nas demonstrações individuais”.

Nessa medida, o grupo apresenta DTA (de mais de 800 milhões de euros), capitais próprios (95 milhões de euros) e resultado líquido que se encontram “sobreavaliados por um montante materialmente relevante”, considera a PwC. Trata-se de um problema cuja “magnitude do qual não estamos em condições de quantificar, dada a incerteza inerente às projeções dos resultados tributáveis”, avisa.

A divergência não é nova, vem do ano passado, e para resolvê-la foi inclusivamente criado um grupo de trabalho que incluiu especialistas externos, dirigentes do próprio Montepio, incluindo o presidente Virgílio Lima, e ainda o anterior auditor KPMG e a BDO.

Eleições a 17 de dezembro

O Montepio divulgou ainda a data das eleições para os órgãos sociais da instituição para o mandato 2022-2025. Vão realizar-se no dia 17 de dezembro, de acordo com a convocatória publicada no site.

À partida, serão quatro as listas na corrida, com os seguintes cabeças-de-lista: Virgílio Lima, Pedro Alves, Pedro Corte Real e Eugénio Rosa. Mas ainda não é certo que se poderá apresentar no boletim de voto, na medida em que a ASF ainda se encontra a avaliar a idoneidade de todos os candidatos ao conselho de administração e conselho fiscal. Quem não tiver obtido o registo prévio junto do regulador até dia 15 de outubro ficará de fora da corrida, alerta a AMMG.

Serão permitidas três modalidades de voto, uma das quais representa uma novidade: além dos tradicionais votos presenciais na urna e por correspondência, será possível votar de forma eletrónica, através da aplicação de telemóvel ou do site da AMMG.

Além disso, vai ser possível votar durante um período de cinco dias, entre 13 de dezembro e 17 de dezembro, seja por via eletrónica, seja de forma presencial nos espaços mutualistas em Lisboa e no Porto que foram reservados para este fim.

Quanto ao voto por correio, os associados devem manifestar o pedido junto da AMMG até ao dia 15 de outubro.

(Notícia atualizada pela última vez às 10h55)

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