“Temos de deixar a política de fricção e passar para construção de soluções”, diz Moedas

Foi a grande surpresa da noite eleitoral: Carlos Moedas ganhou a corrida à Câmara de Lisboa. "Contra tudo e todos, aqui estamos", diz social-democrata, que defende fim da "política de fricção".

Eleito presidente da Câmara de Lisboa “contra ventos e marés, contra tudo e todos”, Carlos Moedas defende que é preciso “deixar a política de fricção” e passar para uma política de “construção de soluções” focada nos resultados e nas pessoas. O social-democrata falou aos jornalistas, esta segunda-feira, à entrada de um almoço os trabalhadores da higiene urbana da capital, encontro que tinha prometido caso vencesse a corrida à autarquia.

De acordo com a plataforma do Ministério da Administração Interna a coligação “Novos Tempos” liderada por Carlos Moedas (com apoio do PSD, CDS-PP, MPT, Aliança e PPM) conseguiu 34,25% dos votos, tendo assegurado sete mandatos. Em segundo lugar, ficou Fernando Medina (candidato do PS e apoiado também pelo Livre), com 33,3% dos votos e sete vereadores. As sondagens feitas ao longo do período de campanha davam a vitória a este último, mas as primeiras projeções da noite eleitoral apontaram logo para um empate técnico. Horas depois, o socialista viria a assumir a derrota, considerando-a “pessoal e intransmissível” e felicitando o social-democrata pela vitória. “Ganhámos contra tudo e contra todos“, atirou Carlos Moedas, que frisou que se estava a fazer história e a provar que é possível mudar o sistema.

E esta segunda-feira, o ex-comissário europeu voltou a dizê-lo. “Contra ventos e marés, contra tudo e todos, aqui estamos“, afirmou, à entrada de um almoço com os trabalhadores da higiene urbana de Lisboa, que tinha prometido caso ganhasse a corrida autárquica. “Estive aqui na sexta-feira com os homens da higiene urbana de Lisboa. Senti que estavam abandonados“, sublinhou o autarca eleito, considerando este encontro um primeiro gesto “simbólico em relação à maneira como [quer] estar na presidência da Câmara Municipal”.

E a propósito, Carlos Moedas salientou que é preciso “deixar a política da fricção“, passando, antes, para uma “política de construção de soluções” focada nos resultados e nas pessoas. “A Comissão Europeia foi talvez das melhores escolas” para isso, detalhou o ex-comissário europeu, que garantiu também que contará com “com todos os vereadores” para os projetos que irá desenvolver. De notar que, juntos, PS, CDU e Bloco de Esquerda contam com dez vereadores na Câmara de Lisboa, mais do que os que a “Novos Tempos” conseguiu. Rui Rio admitiu, por isso, que Lisboa é “muito difícil de gerir”, mas Carlos Moedas não tem expresso a mesma preocupação. Aliás, até em relação ao Governo de António Costa, garante que quer ser “construtivo”.

Questionado sobre a transição de poder, o social-democrata revelou, além disso, que já teve uma “excelente conversa” com Fernando Medina e assegurou que haverá “uma transição correta e genuína para bem de Lisboa e dos lisboetas”. “Tudo vai correr bem“, afiançou. Já sobre o efeito da sua vitória na vida interna do PSD e em particular sobre o futuro de Rui Rio na liderança do partido, Moedas disse que os resultados autárquicas não têm uma “leitura nacional”.

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