Mudança de carreira? Bloqueios, processo e satisfaçãopremium

Agora que encontrou a sua verdadeira vocação, Lourdes Monteiro quer ajudar os outros a fazerem o mesmo. Quando se descobre o propósito profissional, “a forma como vivemos o trabalho muda".

Quantas vezes já pensou em mudar de emprego ou até de atividade? Quantos casos de sucesso e histórias de fracasso de pessoas que mudaram de carreira conhece? É o medo que reprime o seu desejo de mudança? Saiba que não está sozinho. “Ao equacionar uma mudança, há medos e obstáculos que estão presentes na maioria dos casos”, diz Lourdes Monteiro, coautora do livro “Quero, posso e mudo de carreira”, especialmente dirigido a quem “está insatisfeito com a sua realidade profissional”.

Lourdes Monteiro, que conta a sua experiência na obra, passou por três mudanças de carreira — de técnica superior de qualidade a formadora e, mais tarde, a coach — até descobrir o seu propósito profissional: ajudar profissionais ativos a criarem condições para conquistar a sua realização. E quando se descobre qual o propósito, “a forma como vivemos o trabalho muda, passando a ser quase uma forma de estar, um estilo de vida e não trabalho”.

Autoras: Lourdes Monteiro e Alexandra Quadros

Editora: Oficina do Livro

Um dos conselhos de Lourdes Monteiro, fundadora da Career Redesign, é identificar e procurar pessoas que já concretizaram mudanças profissionais. “Saiba como contornaram os desafios, o que as ajudou a progredir e aprenda com as suas experiências. É inspirador e ajuda a ativar os recursos necessários à mudança.”

Este livro, que conta também com os testemunhos de outros profissionais, oferece as ferramentas necessárias à reflexão, mas é também um convite à ação, no sentido de uma mudança que ajude a potenciar sinergias para todos: profissionais e organizações.

Três questões a Lourdes Monteiro...

Lourdes Monteiro é coautora do livro “Quero, posso e mudo de carreira”.

Quais são os principais fatores que impedem ou adiam a mudança de carreira?

Ao equacionar uma mudança, há medos e obstáculos que estão presentes na grande maioria dos casos. Um deles prende-se com a perceção que a pessoa tem sobre a expectativa dos outros sobre si, sendo estes outros geralmente familiares que se regulam pelo paradigma da segurança financeira ou do status. Este obstáculo pode fazer muitas pessoas desistirem ou adiarem sistematicamente a sua possível mudança de carreira, pois aos olhos dos outros não têm motivos para mudar sendo-lhes incutida até a ideia de que a pessoa está a desperdiçar algo que tem.

Também a ausência de recursos financeiros que permitam autossuficiência, caso a mudança demore algum tempo a desenvolver-se, pesa na decisão.

Há ainda um outro aspeto que pode ser bloqueador: ideias pré-concebidas e não fundamentadas, como a perceção de que não se tem as competências necessárias para determinada mudança, sem qualquer levantamento concreto dos requisitos pedidos.

Como foi a sua própria experiência? Também sentiu estes receios?

Conto a minha história no primeiro capítulo: “Pensa que a minha vida foi uma linha reta? Conheça agora as curvas e contracurvas.” Por aqui já se percebe o tom do conteúdo que partilho. Fiz questão de contar a minha história de vida e de partilhar as dúvidas e as vulnerabilidades que senti, pois quem pondera mudar de carreira passa inevitavelmente por esses estados de desconforto.

O início da minha mudança profissional foi despoletado pela resistência dos outros ao meu estilo natural de fazer as coisas. Com tantos bloqueios ao meu estilo de trabalho, entrei num caminho de autoquestionamento. Numa fase inicial fui procurar mais competências, pois precisava de saber se o problema seria esse. Depois percebi que não. O tema era muito mais abrangente. Foi então que procurei perceber melhor quem eu era e em que é que acreditava, e, com isso, comecei a tomar muitas decisões baseadas nos meus valores pessoais.

A partir do momento em que se dá uma separação profissional, inicia-se uma senda de tentativa-erro entre o que dá rendimentos e o que motiva. Fui para áreas cada vez mais próximas das humanidades, fiz formações na área da segurança e higiene do trabalho, depois comecei a trabalhar como formadora profissional... Estava cada vez mais próxima das áreas comportamentais, de início de uma forma autodidata, depois recorri a formação específica e foi então que encontrei a certificação em coaching. Com essa certificação comecei a desenvolver projetos nas áreas comportamentais.

As gerações mais recentes têm uma noção, não tão presente nas anteriores, de que não há empregos para a vida. Pode ser um fator que, de alguma forma, encoraje as reconversões de carreira?

Há uma expressão que diz “ver para crer”. O que quero dizer com isto? Quando muitos de nós observa que várias pessoas que conhece dentro e fora dos seus círculos relacionais muda a sua vida profissional, começamos a acreditar que talvez também nós possamos e consigamos. Mas, e tendo por base a minha experiência, as pessoas mudam quando estão numa situação que não é comportável, quando as suas vidas perdem o sentido. Se a vida profissional que têm lhes dá algum tipo de conforto que contrabalança com outras áreas de vida mais satisfatórias, a tendência será não procurar a mudança, apesar dos dados factuais e das previsões sobre o futuro do trabalho.

O ser humano é muito mais emocional do que racional e, por isso, não é por saber que os empregos já não são para a vida que vai pensar em salvaguardar-se para o futuro. Geralmente aguardam que o tema lhes venha bater à porta.

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