Portugal vai ter em média 900 a 1.000 casos Covid por dia nas próximas duas semanas, antecipa Carmo Gomes

Ao ECO, Manuel Carmo Gomes antecipa que Portugal atinja os 900 a 1.000 casos/dia nas próximas duas semanas, mas descarta que esta subida "venha a refletir de forma muito significativa" nos hospitais.

A pandemia está a voltar a ganhar força na Europa e a tendência já é sentida em Portugal, ainda que a situação esteja bastante controlada. Em declarações ao ECO, Manuel Carmo Gomes antecipa que Portugal atinja, em média, os 900 a 1.000 casos por dia nas próximas duas semanas. Ainda assim, o epidemiologista descarta que esta subida se “venha a refletir de forma muito significativa nas hospitalizações”.

“Neste momento, temos, em média, 764 casos por dia. Se compararmos com a semana anterior estávamos em 653” casos, assinala Manuel Carmo Gomes, epidemiologista e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, notando ainda que o índice de transmissibilidade está “acima de 1 há mais de duas semanas”.

Neste contexto, é visível um aumento da incidência da Covid em território nacional, sendo que os grupos etários dos 18 aos 30 anos, e, “em particular dos 18 aos 25 anos” concentram a maioria das novas infeções, numa altura em que Portugal está já na terceira fase de desconfinamento.

Não obstante, a elevada taxa de cobertura vacinal contra a Covid, com 86% da população com as duas doses da vacina, tem evitado que o aumento de infeções tenha consequências nefastas. O número de óbitos “tem vindo a descer”, sendo que, atualmente, a média está entre “quatro a sete óbitos por dia” e os números de internamentos estão longe dos registados em meses anteriores.

“A nível dos internamentos nos hospitais, que é aquilo que interessa mais, os números têm vindo a descer desde setembro, mas agora já começamos a ter algum sinal de subida”, afirma Manuel Carmo Gomes, acrescentando, no entanto, que cerca de 60% das pessoas que estão a dar entrada nos hospitais têm mais de 70 anos. Esta tendência foi, aliás, sinalizada pelo INSA no último relatório semanal, que apontava para uma subida de 4% dos internamentos Covid, face à semana anterior.

Nesse contexto, se esta tendência se mantiver, “dentro de duas semanas” teremos uma incidência de 120 casos por 100 mil habitantes a catorze dias, “o que corresponde aos 900 a 1.000 casos por dia”, estima o epidemiologista, ao ECO. Ainda assim, o também membro da Comissão Técnica de Vacinação não antecipa que este aumento do número de infeções tenha impacto no SNS, tendo em conta que a vacina de reforço contra a Covid está já a ser administrada aos mais idosos e vulneráveis. “Tenho esperança que mesmo que o número de casos venha a subir isso não se venha a refletir de forma muito significativa nas hospitalizações”, diz.

Quanto ao aumento de casos e mortes associadas à Covid que se está a verificar na Europa, com Reino Unido, Rússia e países de leste a tocar máximos — sendo que no leste europeu, onde as taxas de inoculações são mais baixas, há já países a apertar nas restrições — Manuel Carmo Gomes lembra que ” a variante Delta é extremamente contagiosa”, pelo que “não basta ter coberturas vacinais altas”, isto é, na ordem dos 60% a 65% da população completa, mas também manter as medidas de contenção, como o uso de máscara em recintos fechados.

Todos vamos ter um encontro muito claro com o vírus mais tarde ou mais cedo. Agora tudo depende da forma como nos encontramos com ele”, adianta o epidemiologista, acrescentando que a grande vantagem da vacinação é evitar a doença grave. “Se as pessoas tiverem um encontro com este vírus e tiverem sintomas parecidos com constipações, que depois passam, isso não é necessariamente negativo”, assinala, frisando ainda que a infeção natural permite que o sistema imunitário desenvolva um maior número de anticorpos mais diversificados, capazes de reconhecer mais proteínas do vírus.

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