Quais as transferências de jogadores do FCP que estão na mira do Ministério Público?

Desde 2013, vários agentes desportivos – entre eles Pedro Pinho e Alexandre Pinto da Costa – acordaram com Pinto da Costa "desenvolver um esquema destinado a gerar proveitos indevidos".

Ao todo são 12 negócios em investigação. Desde 2013, vários agentes desportivos – entre eles Pedro Pinho e Alexandre Pinto da Costa – acordaram com Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto, “desenvolver um esquema destinado a gerar proveitos indevidos” com as comissões de uma dúzia de jogadores, entre 2013 e 2020. Esta é a tese do Ministério Público (MP) — segundo o despacho relativo às buscas da chamada Operação Cartão Azul, a que o ECO teve acesso.

O esquema — segundo o MP — funcionaria da seguinte forma: “Para colocarem jogadores no FC Porto ou venderem jogadores do FC Porto, os agentes aceitam devolver aos dirigentes desportivos do mesmo clube, designadamente a Jorge Nuno Pinto da Costa, parte dos montantes cobrados pela sua intervenção como intermediários nesses negócios”. No despacho relativo às buscas feitas por Rosário Teixeira, Pinto da Costa é suspeito de desviar milhões de euros em comissões de transferências de jogadores há quase dez anos.

“Indicia-se que os montantes das comissões pagas pelo FCP aos agentes são ficticiamente incrementadas, havendo pagamentos feitos a entidades e pessoas que, na realidade, não tiveram qualquer intervenção nos negócios dos jogadores”, pode ler-se no despacho do DCIAP:

O DCIAP referiu que está em causa a suspeita de prática de crimes de fraude fiscal, burla, abuso de confiança e branqueamento.

Mas de que transferências de jogadores fala o Ministério Público?

  • O empréstimo de Casimiro pelo Real Madrid para o FCP acabou por render ao clube dos dragões 7,5 milhões de euros, quando em 2015 o jogador regressa ao Real Madrid e acaba por não ser comprado pelo FCP por opção do clube espanhol. Um negócio intermediado pela Vela Management Limited, tendo esta recebido 1,26 milhões. Montante que foi depois repartido para a Energy Soccer, através de um pagamento de 700 mil euros. O MP crê que esta sociedade nem teve intervenção neste contrato.
  • No que toca ao jogador Brahimi, o MP recorda que o FC Porto recebeu 6,5 milhões de euros. Em 2019, o contrato terminou e o jogador saiu a custo zero. A Energy Soccer facturou à Vela Management Lmited 600 mil euros de comissões, no que será um “retorno parcial dos fundos pagos pelo FC Porto”, suspeita o MP.
  • Em janeiro de 2014, Ricardo Quaresma foi comprado pelo FCP a custo zero, existindo a suspeita do pagamento de uma comissão de 500 mil euros a favor da DNN Sport Ltd, de Pedro Pinto. Que viria a ser repartida (metade desse valor) com a Energy Soccer, em fevereiro desse ano.
  • O mesmo jogador viria a ser vendido ao clube Besiktas, em Julho de 2015, por 1,2 milhões, tendo a Energy Soccer faturado ao FCP , por intermediação, cerca de 156 mil euros.
    Quanto ao jogador Vincent Aboubakar, a Energy Soccer faturou diretamente à SAD do FCP o valor de comissão de 244 mil euros. O valor da transferência foi de 2,5 milhões pela cedência ao clube Besiktas.
  • Relativamente a Ricardo Pereira, vendido em 2018 ao Leicester City, pelo valor de 20 milhões de euros, tendo as despesas de intermediação desse negócio chegado ao valor de 3,2 milhões e faturadas por empresas como a PP Sports.
  • No caso de Uribe, em agosto de 2018, o clube adquire 85% dos direitos económicos do jogador que estava a jogar num clube mexicano. Diz o MP que se evidenciam um incremento fictício das comissões a pagar pelo Porto, correspondente a cerca de 20% do valor total do negócio (cerca de 1,9 milhões de euros).
  • Indicia-se ainda que o FCP adquiriu ao São Paulo 90% dos direitos do jogador Éder Militão pelo valor de 7 milhões com encargos adicionais de 1,5 milhões de euros. Desse valor, cerca de 3 milhões terão sido cedidos a um intermediário com benefícios também para terceiros como os administradores da SAD do Porto, nomeadamente Jorge Nuno Pinto da Costa.
  • João Pedro, primeiro reforço do FC Porto para a época 2018/19, custou quatro milhões de euros aos cofres da SAD portista. O lateral-direito tinha o passe repartido por três entidades, sendo que apenas metade pertencia ao Palmeiras, clube ao qual estava vinculado. O remanescente do passe do jogador dividia-se da seguinte forma: 40% pertenciam à empresa New Ace Sports & Marketing, do empresário Adriano Freire, que o agencia, e 10% eram detidos pelo Comercial de Ribeirão Preto, clube onde o lateral fez parte da formação até se transferir para o Palmeiras em 2012. Pedro Pinho terá faturado cerca de 200 mil euros com este negócio.
  • Os negócios de intermediação de Renzo Saravia, Agustin Marchesín, Ivan Marcano e Felipe também estão sob suspeita do MP na medida em que o valor foi dividido com Alexandre Pinto da Costa.

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