Decisão de reprivatização da Efacec será tomada até final do ano

Apesar da demora no processo de reprivatização da Efacec e das dificuldades que a empresa atravessa, com substancial degradação das contas, o ministro da Economia espera decidir a venda este ano.

O ministro da Economia está confiante que o processo de reprivatização da Efacec vai ser concluído até ao final deste ano. Na corrida ficou apenas a DST, num momento em que a empresa tenta contrair um novo empréstimo junto da banca para assegurar o financiamento da operação.

“A decisão de reprivatização ainda vai ser tomada até ao final do ano. O Estado não tem vocação para gerir empresas industriais”, sublinhou Siza Vieira, num encontro com jornalistas.

A proposta única da DST está presentemente a ser analisada pela Parpública a quem compete fazer depois uma recomendação ao Conselho de Ministros. “As indicações que demos é para se avaliar se aquela proposta é credível e tem condições de ser selecionada”, explicou Siza Vieira.

No entanto, a demora no processo — que deveria estar concluído no primeiro trimestre deste ano — está a obrigar a empresa a “encontrar algum financiamento adicional até ao fecho da transação”. Uma transação que até pode ser decidida até ao final do ano, mas que depois ainda se deverá arrastar cerca de três meses para completar as restantes fases processuais. Mas, “quanto mais cedo resolvermos isto melhor”, reconhece o ministro da Economia.

“Se esta proposta não se concretizar, a empresa tem de continuar nas mãos do Estado, sendo que esta não será a melhor maneira para funcionar, perante os desafios que tem pela frente”, acrescenta o responsável.

A empresa para além do processo de reprivatização tem sido confrontada com uma crescente onda de contestação interna. Os trabalhadores já organizaram duas greves para exigir a demissão da atual administração liderada por Ângelo Ramalho, mas também a compra de matérias-primas para que possam continuar a laborar.

O ministro da Economia reconhece que “a Efacec precisa de prestar novas garantias para assinar novos contratos” e não para assegurar tesouraria. As atuais necessidades identificadas rondam os 45 milhões de euros, que somam aos 70 milhões já contraído o ano passado junto de um sindicato bancário, para a mesma finalidade. “Desde que o Estado entrou na Efacec o volume de garantias tem vindo a diminuir, porque os contratos foram sendo cumpridos”, garante Siza Vieira, reiterando que tem total confiança na viabilidade da empresa.

Os trabalhadores novas greves agendadas para 9 e 16 de dezembro, mas Ângelo Ramalho já alertou que que “nenhuma empresa parada conquista novos clientes e tem receitas” de centenas de milhões. “A Efacec continua firme na sua missão, demonstrando viabilidade económica e estratégica. Prova disso são os nossos indicadores financeiros e de negócio de 2021, reveladores dos resultados que temos alcançado, apesar de todos os desafios que enfrentamos”, afirma a empresa em comunicado.

Mas são precisamente esses indicadores financeiros que levaram a Sodecia a desistir da empresa já que não tinha condições de apresentar uma best and final offer, porque no entender da empresa não havia condições para melhorar a proposta que já estava em cima da mesa.

Tal como o ECO revelou em primeira mão, as contas até setembro mostravam um resultado operacional negativo de 12 milhões de euros e dúvidas sobre a continuidade da empresa. Os resultados positivos vão transformar-se num EBITDA negativo da ordem dos 20 milhões de euros, a dívida bruta sobe para valores na ordem dos 190 milhões, a faturação cai cerca de 50 milhões face ao estimado inicialmente (290 milhões) e as dívidas vencidas a fornecedores rondam os 80 milhões de euros. Resultados que são explicados por uma degradação inesperada da atividade nos meses e julho e agosto.

(Notícia atualizada com mais informação)

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