Bloco critica hipótese de “maiorias absolutas com o PAN” ou “navegação à vista”

  • Lusa
  • 16 Janeiro 2022

“O país não precisa nem de maiorias absolutas, nem de maiorias absolutas com o PAN, e muito menos navegação à vista”, frisa Catarina Martins, numa alusão aos cenários pós-eleitorais de António Costa.

A coordenadora do BE, Catarina Martins, defendeu esta manhã que as “várias declinações” da maioria absoluta pedida pelo PS, incluindo com o PAN, não são solução para Portugal, rejeitando uma “navegação à vista” e pedindo “um novo ciclo mais exigente”.

O BE escolheu a barragem de Miranda do Douro, distrito de Bragança, para o arranque oficial da campanha eleitoral para as legislativas de 30 de janeiro, focando-se num tema caro ao partido no último ano: os 110 milhões de euros que a EDP não pagou de imposto de selo pela venda de seis barragens e que estavam previstos para o desenvolvimento desta região.

“O país não precisa nem de maiorias absolutas, nem de maiorias absolutas com o PAN, e muito menos navegação à vista. O que o país precisa é de um contrato para o país que salve o SNS, que respeite quem trabalha, que combata as desigualdades”, respondeu aos jornalistas quando questionada sobre a possibilidade adiantada pelo primeiro-ministro, António Costa, de governar como António Guterres.

Interrogada sobre se a estratégia desta campanha vai ser marcar as diferenças com o PS, a líder do BE começou por reiterar que a “direita não terá espaço” com o BE já que não aceita “a destruição do estado social, dos serviços públicos, o combate contra os direitos do trabalho e os salários baixos”.

“Mas também sabemos que uma maioria absoluta do PS ou uma maioria absoluta com PAN, as várias declinações que o PS tem essa pedido essa maioria absoluta não será a solução para o país. Precisamos de um novo ciclo mais exigente”, defendeu. Em Portugal, em que “quem trabalha tem sido tão esforçado, tem tido a vida tão difícil e continua a existir uma economia de privilégio”.

“A venda das barragens da EDP, sem pagar imposto de selo ao povo aqui da Terra de Miranda, a quem o imposto de selo estava prometido, é um exemplo dessa economia de privilégio que combatemos para que possamos ter um país mais justo, com mais horizonte de futuro porque sim, nós gostamos de Portugal, queremos aqui viver e toda a gente deve poder aqui viver, de cabeça erguida, em todo o país”, afirmou.

Segundo Catarina Martins, “passado um ano, o Governo ainda não explicou porque é que não cobrou este imposto à EDP”. “A questão das barragens é uma questão longa e exemplar da economia de privilégio”, criticou.

Ligações do bloco central à EDP

A líder do BE recordou o antigo ministro da Economia de José Sócrates, Manuel Pinho, que “estendeu a concessão de 27 barragens num processo que está a ser investigado pelos tribunais”, um processo em relação ao qual “os tribunais farão o seu caminho”. “Mas sobre cobrar o imposto de selo que é devido a esta gente e começarem também as barragens a pagarem IMI a estes municípios, bem isso não depende da justiça, isso depende de vontade política”, desafiou.

Junto à barragem e numa manhã em que os termómetros marcavam zero graus, Catarina Martins afirmou que o partido estava de novo com o Movimento Terras de Miranda – que identificou todo este caso – “porque acredita em Portugal”. “Acredita que podemos ter um país mais igual, mais justo e não nos resignamos à economia de privilégio, muito da porta giratória”, disse.

Os “18 ex-ministros e ex-secretários de estado do PS e do PSD transitaram para a EDP ao longo dos anos” são o exemplo desta “porta giratória” que o BE critica e que dizem que “vem assaltando quem vive do seu trabalho”. “E é para esta economia mais justa, porque acreditamos em Portugal, que aqui estamos e começamos a campanha aqui, em Miranda do Douro”, justificou.

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