Portuguesa Krow comprada por plataforma de coworking do Médio Oriente

A portuguesa é adquirida pela startup que lhe serviu de inspiração no arranque. Os fundadores vão ingressar na Letswork como responsáveis para o mercado ibérico. Valor do negócio não é conhecido.

A Letswork, plataforma de coworking do Médio Oriente, adquiriu a portuguesa Krow, a sua concorrente em Portugal. Esta é a primeira aquisição da Letswork e acontece num momento em que a empresa, suportada pela 500 Global, planeia a entrada em novos mercados, entre os quais Portugal. Paulo Palha e Joana Balaguer, os fundadores da Krow, irão juntar-se à companhia com sede no Dubai como responsáveis para o mercado ibérico, sabe a Pessoas. Os detalhes financeiros do negócio não são conhecidos.

“Sentimos que do ponto de vista do negócio fazia sentido juntar forças. Por vezes devemos olhar para aquilo que faz mais sentido para o mercado e para os consumidores do que propriamente para os nossos egos”, defende Paulo Palha, à Pessoas.

“Estamos muito felizes e entusiasmados por nos juntarmos à equipa da Letswork. Na Krow sempre acreditamos em colaborar com os parceiros certos e esta aquisição irá dar-nos a possibilidade de fazer parte de uma família mais extensa e com a qual partilhamos a nossa visão”, continua.

Esta aquisição oferece a possibilidade à startup portuguesa de fazer parte de uma família mais extensa. Passa de cerca de 20 localizações espalhadas por Portugal para mais de 100 espaços de trabalho remoto espalhados pelo país e pelo mundo.

Além disso, “passamos a ter não só planos mensais mas também flexíveis e até diários. Para além de hotéis, teremos também cafés work-friendly e espaços de coworking, destaca. E os planos são ambiciosos: a Letswork pretende adicionar 1.000 espaços à sua rede até dezembro de 2022, meta para a qual os fundadores da Krow contribuirão, já que — faz parte do negócio — estes ingressarão na empresa como responsáveis para o mercado ibérico.

Paulo Palha e Joana Balaguer são os fundadores da Krow.

“Seremos em breve a maior rede de espaços de trabalho remoto em Portugal e os nossos membros poderão trabalhar em Portugal, nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e muitos outros destinos em breve”, assegura Paulo Palha. Já os detalhes financeiros do negócio não são conhecidos.

Do lado da Letswork, Hamza Khan, cofundador e CEO da empresa, também não esconde a expectativa. “À medida que o trabalho remoto se torna permanente na vida das pessoas, a Letswork tem vindo a ser bem sucedida no crescimento de uma base sólida de clientes nos Emirados Árabes Unidos. Estamos ansiosos por replicar este sucesso sob a liderança do Paulo e da Joana”, afirma, citado em comunicado.

A Letswork, que teve o seu início em 2019, oferece a possibilidade aos seus utilizadores de subscreverem um plano global, o Letswork Pass, que permite trabalhar a partir de espaços de coworking, hotéis e cafés. Os membros podem ainda alugar salas de reuniões e escritórios privados consoante necessidade através de uma plataforma de reservas.

A plataforma já estabeleceu parcerias com mais de 150 espaços nos Emirados Árabes Unidos e regista mais de 30.000 membros. Entre os principais clientes estão a Hilton, Marriott, Accor e IHG.

Recentemente, a empresa angariou um montante não revelado numa ronda Seed liderada pela 500 Global, baseada em Silicon Valley, onde também participou a saudita Sanabil Investments e outros investidores.

Adquirida pela startup que lhe serviu de inspiração

Numa publicação no LinkedIn, Paulo Palha conta que a Letswork foi o ponto de partida para a Krow. “Em outubro de 2018, numa visita ao Dubai com a minha mulher, Joana Balaguer, entre toda a inovação que caracteriza a cidade, uma captou a nossa especial atenção: a startup Letswork, criada por dois jovens que partilhavam a visão de tornar o trabalho remoto mais apelativo e ao mesmo tempo rentabilizar espaços subaproveitados em hotéis”, começa por contar.

Dois anos mais tarde, o empreendedor fez uma primeira abordagem a um dos cofundadores da startup, Hamza Khan, mas sem sucesso. “Foi então que decidi utilizar o exemplo da Letswork como ponto de partida para a Krow, procurando juntamente com a Joana Balaguer introduzir esta nova ideia no mercado português”, conta.

Apesar de todos os desafios de começar um negócio em plena pandemia, a Krow conseguiu chegar a cerca 20 localizações espalhadas pelo país. No passado mês de setembro, quando o casal soube que a Letswork estava a estudar a entrada no mercado português, voltou ao contacto, desta vez com sucesso “Imediatamente percebemos que era muito mais o que nos unia do que aquilo que nos separava, então de forma ágil decidimos juntar forças.”

A Krow passa assim a ser Letswork, concretizando aquele que sempre foi o plano original. “Faz-nos pensar como, por vezes, para se chegar a um objetivo temos necessariamente que passar por cada uma das etapas, sempre a dose certa de paciência porque nada se constrói de um dia para o outro”, finaliza.

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