Depois de Neil Young e Joni Mitchell, estes artistas estão a deixar a Spotify

  • Joana Abrantes Gomes
  • 5 Fevereiro 2022

Depois de Neil Young e Joni Mitchell, artistas como Nils Lofgren, David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash ou as autoras Roxane Gay e Mary Trump estão a seguir-lhes o exemplo.

Neil Young e Joni Mitchell foram os primeiros a retirar a sua música do Spotify, como protesto pela emissão do podcast de Joe Rogan, critico da vacinação contra a Covid-19. Desde então a lista de músicos e autores de podcasts, que estão a deixar plataforma sueca, não pára de crescer. As ações do Spotify perderam um terço do valor e a fortuna do seu CEO, Daniek Ek, tombou mil milhões de euros.

“Podem ter Rogan ou Young. Não os dois”, escreveu o artista no seu website, criticando a decisão do número um mundial em streaming de música promover teorias da conspiração sobre a Covid-19. Seguiu-se a cantora Joni Mitchell, a 28 de janeiro, dizendo-se solidária não só com Neil Young, como também com a comunidade científica e médica global. “Pessoas irresponsáveis estão a espalhar mentiras que estão a custar às pessoas as suas vidas“, escreveu a artista canadiana, de 78 anos, no seu website, tornando tendência nas redes sociais a hashtag #spotifydeleted.

A 29 de janeiro, foi a vez de Nils Lofgren, guitarrista da E Street Band de Bruce Springsteen desde 1984, anunciar que vai retirar 27 anos da sua música do Spotify. “Encorajamos todos os músicos, artistas e amantes da música em todo o lado, a juntarem-se a nós, e a cortar laços com o Spotify”, escreveu o artista, numa declaração no seu website. “É uma ação poderosa que pode tomar agora, para honrar a verdade, a humanidade e os heróis que arriscam as suas vidas todos os dias para salvarem as nossas”, lê-se na mesma declaração.

No mesmo dia, Brené Brown anunciou no Twitter não a retirada, mas uma pausa nos seus podcasts Unlocking Us” e “Dare to Lead”, que são transmitidos exclusivamente pela plataforma sueca. A escritora e palestrante norte-americana apelou ao Spotify para que tenha “uma política de desinformação transparente (disponibilizada ao público) que equilibre a abordagem das complexas questões de desinformação que hoje enfrentamos, respeitando a liberdade de expressão“.

A 1 de fevereiro, Brown publicou no seu website uma declaração na qual justificou os motivos para a interrupção de lançamento de novos episódios do seu podcast. “Fiz uma pausa porque, como criadora com dois podcasts exclusivamente no Spotify, queria compreender melhor a política de desinformação da organização. Queria falar com a liderança do Spotify sobre a sua posição, as suas políticas, e a aplicação dessas políticas. Encontrei-me com eles duas vezes na semana passada e uma vez mais esta semana. Eu ouvi, eles ouviram, e a minha avaliação é que todos estão abertos e a aprender – incluindo eu”, lê-se na declaração.

Também esta semana, a cantora e compositora Índia Arie disse no seu Instagram que ia retirar do Spotify a sua música e o podcastSongversation” devido à linguagem de Joe Rogan sobre questões raciais. “Acredito na liberdade de expressão. No entanto, considero Joe Rogan problemático por razões diferentes das suas entrevistas sobre Covid-19. […] Do que estou a falar é de respeito – quem o recebe e quem não o recebe”, escreveu.

A 1 de fevereiro, Roxane Gay, autora da coleção de ensaios best-seller do The New York Times “Bad Feminist”, disse que retirou do Spotify o seu podcast, “The Roxane Gay Agenda”, estreado no final de janeiro. No Twitter, a escritora publicou: “Não moverá qualquer tipo de agulha, mas eu removi o meu podcast do Spotify. É tudo o que há a dizer sobre isso. Avante“.

Igualmente no dia 1 de fevereiro, Mary Trump, sobrinha do ex-presidente dos EUA Donald Trump, anunciou que ia remover o seu podcast, “The Mary Trump Show”, do serviço de streaming. “Sei que não é grande coisa, mas espero que faça parte de uma avalanche crescente“, escreveu a autora e psicóloga no Twitter, agradecendo a Neil Young, Joni Mitchell e a Nils Lofgren “pela sua coragem em liderar o caminho”.

A Neil Young juntaram-se ainda os seus antigos companheiros David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash. O trio, que fazia parte da banda de rock Crosby, Stills, Nash & Young, emitiu uma declaração conjunta no dia 2 de fevereiro “em solidariedade com o seu colega de banda, Neil Young”, na qual informaram que tinham pedido às suas produtoras para retirarem da plataforma quer a sua música a solo, quer a sua música em colaboração.

Apoiamos Neil e concordamos com ele que há uma perigosa desinformação a ser transmitida no podcast de Joe Rogan no Spotify“, afirmaram. “Embora valorizemos sempre pontos de vista alternativos, espalhar conscientemente a desinformação durante esta pandemia global tem consequências mortais. Até que sejam tomadas medidas reais para mostrar que uma preocupação pela humanidade deve ser equilibrada com os negócios, não queremos que a nossa música – ou a música que fizemos em conjunto – esteja na mesma plataforma“, acrescentaram.

Este movimento de boicote está a ter efeitos nos resultados financeiros da plataforma e também do seu CEO. Desde o início do ano, Daniel Ek já viu o seu património líquido perder mil milhões de dólares, fixando-se agora em 2,6 mil milhões de dólares, enquanto as ações do Spotify já caíram quase um terço, avança a Bloomberg. Adicionalmente, a empresa chegará ao fim do primeiro trimestre com um total de 418 milhões de utilizadores e 183 milhões de assinantes pagos.

Por outro lado, têm sido levantadas questões não só em torno do apoio do Spotify a Joe Rogan, mas também quanto à responsabilidade na monitorização do conteúdo distribuído na plataforma a centenas de milhões de ouvintes, levando vários utilizadores a dizerem que vão apagar a aplicação.

Além disso, investigadores académicos e outros especialistas em desinformação disseram que a empresa poderá em breve vir a enfrentar problemas quanto à moderação de conteúdos, tal como tem acontecido nos últimos anos com as redes sociais Facebook, Twitter ou Instagram.

Entretanto, no início desta semana, o Spotify anunciou uma série de medidas para impedir a propagação de desinformação sobre a pandemia no seu serviço de streaming, entre as quais se inclui um aviso em todos os conteúdos relacionados com a Covid-19, que orientará os ouvintes para um centro com informações atualizadas.

Joe Rogan também publicou um vídeo de 10 minutos na sua conta no Instagram no qual prometeu tornar o seu programa mais equilibrado entre convidados mais e menos controversos. No entanto, resta saber se essas ações serão suficientes para acalmar a polémica.

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