Fórum para a Competitividade vê PIB a crescer até 1,5% no primeiro trimestre

O Fórum para a Competitividade prevê que o PIB vá travar no crescimento em cadeia (entre trimestres) para uma variação de até 1,5%. A variação homóloga pode chegar aos 10,5%.

A economia portuguesa terá travado o seu ritmo de crescimento no arranque de 2022. De acordo com as previsões do Fórum para a Competitividade, o PIB deverá crescer em cadeia (entre trimestres) entre 0% e 1,5%, o que compara com um crescimento de 1,6% no quarto trimestre de 2021. Em termos homólogos, o crescimento será bastante expressiva, porque no primeiro trimestre de 2021 a economia caiu 3,3% por causa do segundo confinamento.

“Só em meados de março é que se terão começado a sentir, de forma mais nítida, os efeitos da guerra na economia portuguesa, pelo que o PIB do primeiro trimestre de 2022 economia terá desacelerado, em cadeia, de 1,6% para entre 0% e 1,5%, a que corresponde uma variação homóloga entre 9% e 10,5%“, escreve o Fórum para a Competitividade na nota de conjuntura de março a que o ECO teve acesso.

Isto sugere uma aceleração homóloga, que só ocorre por um efeito base, porque o primeiro trimestre de 2021 sofreu uma queda trimestral de 2,9%, em resultado do confinamento então vivido”, assinala o Fórum. A dimensão de crescimento homólogo no primeiro trimestre de 2022 já tinha sido antecipada também por outras instituições que fazem previsões. É o caso do ISEG: os economistas apontavam para uma variação homóloga do PIB superior a 10%.

Os números até ao momento sugerem que a “a guerra venha a enfraquecer a economia, por múltiplos canais”, mas tal ainda “não será muito nítido nos dados do primeiro trimestre, mesmo se os primeiros dados quantitativos conhecidos apontem nesse sentido”. O Fórum destaca, porém, uma diminuição “de forma muito pronunciada” da confiança dos consumidores: “Enquanto uma recessão afeta sobretudo os que ficam desempregados e os trabalhadores por conta própria, uma subida de preços afeta todos os agregados familiares, sobretudo os de menor rendimento“.

Em relação ao conjunto do ano, a nota de conjuntura refere que “em 2022, a desaceleração do PIB face às anteriores estimativas deverá ser inferior a um ponto percentual e a aceleração da inflação deverá rondar os dois pontos percentuais”. O Fórum remete uma previsão anual para uma próxima publicação, mas antecipa que, com base nas previsões atuais dos efeitos da guerra na Ucrânia, “é provável que a desaceleração mais forte seja vivida no segundo trimestre, seguindo-se uma recuperação nos trimestres seguintes“.

A nota assinada pelo economista Pedro Braz Teixeira assume, tal como as outras instituições que fazem previsões, que a guerra será “limitada, quer no tempo quer no espaço, o que, dadas as últimas notícias militares, parece fazer sentido”. Assim, “mesmo os cenários mais severos considerados são unânimes em excluir uma recessão em 2022“, assinala, reconhecendo que há uma desaceleração comum a todas as economias avançadas.

“O Fórum para a Competitividade irá divulgar as suas novas previsões dentro de três semanas, com a sua publicação trimestral, Perspectivas Empresariais, esperando beneficiar de uma maior clarificação do conflito militar a ocorrer entretanto”, acrescenta.

Previsão do Governo para 2022 é “demasiado otimista”

Na nota de conjuntura de março, o Fórum aproveita para comentar o Programa de Estabilidade, o qual foi entregue na semana passada pelo anterior Governo ao Parlamento. E a primeira crítica incide sobre as previsões macroeconómicas: “A previsão do PIB para 2022 parece demasiado otimista, tal como a da inflação“. O Governo prevê um crescimento de 5% em 2022 e uma taxa de inflação de 2,9%.

O Fórum refere ainda que “é curioso que, ao contrário do Programa do ano passado, o Governo tenha agora considerado um impacto positivo do PRR sobre o potencial de crescimento da nossa economia, indo ao encontro da crítica que então tínhamos feito”. “No entanto, não há grandes razões para aquele otimismo de médio prazo porque o PRR não o justifica, sobretudo em termos de crescimento da produtividade”, assinala.

Sobre as contas externas de Portugal, a sua evolução “aparentemente muito favorável (…) parece dever-se, sobretudo, às transferências comunitárias relativas ao PRR”. No início de 2022, os números não são positivos: “É ainda demasiado cedo para extrapolar destes valores para o conjunto do ano, mas é provável que regressemos aos défices externos em 2022, excluindo os efeitos das transferências comunitárias do PRR”, antevê o Fórum.

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