Boris Johnson renuncia hoje a líder do Partido Conservador mas mantém-se PM até ao outono, avança BBC

Boris Johnson vai demitir-se da liderança do Partido Conservador ainda esta quinta-feira, mas deverá manter-se como primeiro-ministro do Reino Unido até ao outono, segundo a BBC.

Boris Johnson deverá apresentar a demissão da liderança do Partido Conservador esta quinta-feira, mas continuará a ser primeiro-ministro do Reino Unido até ser eleito um novo líder no próximo congresso dos conservadores, que decorrerá no outono, avançam a BBC News, a Sky News e o The Guardian.

Entretanto, o gabinete do primeiro-ministro britânico anunciou que Boris Johnson vai fazer hoje uma declaração ao país, segundo a agência noticiosa norte-americana Associated Press. Até ao momento não se conhecem mais detalhes sobre a declaração política, nem a hora a que será feita.

A imprensa britânica noticia que Boris Johnson “concordou” demitir-se. De acordo com o editor de política da BBC, Chris Masson, o primeiro-ministro decidiu demitir-se esta quinta-feira, mas deve manter-se em funções até ao “outono”.

Segundo o The Guardian, citando fontes de Downing Street, Boris Johnson terá tomado a decisão pelas 8h30, após falar com Graham Brady, presidente do Comité 1922, órgão que reúne deputados conservadores sem funções governativas e que coordena as eleições do partido.

No Twitter, o editor de Política do The Times, Steven Swinford, detalhou que Boris Johnson disse a Graham Brady que, depois de refletir, concluiu que a sua demissão será a melhor opção para os interesses do país e do partido, mas diz que a data para a saída “ainda está por definir”.

 

O líder do Partido Trabalhista já reagiu, afirmando que a demissão do primeiro-ministro britânico é uma “boa notícia para o país” que, no entanto, “já deveria ter acontecido há muito tempo”. “Ele nunca teve condições para exercer o cargo. Tem sido responsável por mentiras, escândalo e fraude a uma escala industrial. E todos os que foram cúmplices deviam estar completamente envergonhados”, argumentou Keir Starmer, num comunicado citado pelo The Guardian.

Além disso, Keir Starmer defende que haja eleições no Reino Unido e não apenas no Partido Conservador. “Não precisamos de mudar a liderança dos tories — precisamos de uma mudança de Governo a sério. Precisamos de um novo começo para o Reino Unido”, sublinhou.

Já o Palácio de Buckingham recusou comentar se a Rainha teve alguma comunicação com Boris Johnson na manhã de quinta-feira. Isabel II está no Castelo de Windsor e a Circular da Corte registou que ela manteve a sua audiência semanal por telefone com Boris Johnson na quarta-feira à noite.

Desde terça-feira, mais de 50 membros do Parlamento do Reino Unido renunciaram aos seus cargos no Governo. Após uma torrente de renúncias na quarta-feira, mais ministros renunciaram na manhã desta quinta-feira, incluindo o secretário de Estado da Irlanda do Norte, a ministra do Tesouro e o ministro da Segurança. A mais recente demissão foi da ministra do Ambiente, Rebecca Pow.

O recém-designado chanceler do Tesouro do Reino Unido, que chegou ao cargo esta semana depois da renúncia de Rishi Sunak, apelou à demissão de Boris Johnson esta quinta-feira: “Primeiro-ministro, sabe no seu coração qual é a coisa certa a fazer, e demita-se agora“, lê-se na carta aberta de Nadhim Zahawi.

O apelo de Zahawi surpreende, dado que é titular da pasta das Finanças desde terça-feira. Além disso, na quarta, o chanceler tinha defendido Boris Johnson, considerando numa entrevista que o primeiro-ministro admitiu ter errado ao designar Chris Pincher como vice-lider da bancada parlamentar do Partido Conservador, apesar de conhecer as alegações de assédio sexual por parte deste.

Na carta a Boris Johnson, Zahawi escreve agora: “A minha prioridade foi e sempre será este grande país. Quando me convidaram para ser chanceler, aceitei por lealdade. Não para com um homem, mas para com este país e tudo o que me tem dado.”

“Os desafios que a Grã-Bretanha enfrenta, seja a inflação ou a guerra de Putin na Ucrânia, não vão desaparecer por nada e é vital que os principais organismos do Estado continuem a funcionar nesta crise nacional. Se alguém pensou mal de mim por esta decisão, é uma crítica que estou disposto a encarar”, diz o chanceler do Tesouro britânico.

Libra acelera com demissão iminente de Boris Johnson

A notícia da demissão iminente de Boris Johnson está a mexer com o mercado cambial, dando força à libra esterlina, principalmente face ao euro.

Num dia em que o dólar se afasta de máximos face aos principais pares, devido ao alívio dos juros da dívida americana, a libra avança agora 0,23%, para 1,1961 dólares.

Em comparação com o euro, o avanço é maior. A moeda britânica soma 0,33%, para 1,1746 euros, um máximo do início de junho, segundo dados da Refinitiv.

Pelas 10h54, numa altura em que a generalidade da imprensa britânica dá como certa a demissão de Boris Johnson, as bolsas europeias registavam ganhos significativos, acima de 1%. O britânico FTSE 100 somava 1,16%, para 7.190,12 pontos.

(Notícia atualizada pela última vez às 10h47)

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