Lucros dos CTT encolhem 15% na primeira metade do ano

Correios viram o resultado líquido cair mais de 15% entre janeiro e junho, comparativamente com a primeira metade de 2021. Mas os resultados melhoraram no segundo trimestre.

Os CTT CTT 0,60% lucraram 14,5 milhões de euros entre janeiro e junho, uma quebra homóloga de 15,3% no resultado líquido do primeiro semestre. No entanto, analisando apenas o segundo trimestre, a empresa viu os lucros melhorarem em 7,9%, para 9,2 milhões, indica o grupo num relatório enviado à CMVM.

O resultado líquido dos CTT no semestre foi “influenciado negativamente pela evolução do EBIT [lucro antes de juros e impostos] (-10,3 milhões de euros) e positivamente pelos resultados financeiros (+700 mil euros) e pelo imposto sobre o rendimento do período (-6,9 milhões de euros)”. Por sua vez, os Correios justificam a quebra do EBIT recorrente com o “decréscimo” também verificado “nas diversas áreas de negócio”, exceto o Banco CTT.

Em simultâneo, o EBITDA, que corresponde ao lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, encolheu na ordem dos 12%, para 50,446 milhões de euros, apontou a empresa na mesma nota.

Na primeira metade do ano, os rendimentos operacionais dos CTT cresceram 8,2%, fixando-se em 446,4 milhões de euros. A empresa registou crescimentos nas receitas de todos os negócios exceto o do Expresso e Encomendas, onde houve uma redução de 2,5% no semestre, face à primeira metade de 2021.

Queda do correio desacelera para mínimos de cinco anos

Até junho, os CTT conseguiram 241,6 milhões com o negócio tradicional do correio, mais 24 milhões (+11%) do que no primeiro semestre de 2021. A queda do volume de correio, explicada pela digitalização da comunicações, desacelerou para um mínimo de cinco anos, diz a empresa.

“O crescimento desta área de negócio foi impulsionado pelo segmento de soluções empresariais (+34,6 milhões de euros), refletindo a integração da empresa New Spring Services na oferta dos CTT em setembro de 2021 (+11,9 milhões de euros) e o crescimento de 22,7 milhões de euros do negócio base de soluções empresariais, em grande medida devido a uma receita relacionada com um projeto de venda de computadores iniciado no último trimestre de 2021 (+21,5 milhões de euros)”, elenca o relatório.

Depois, os CTT realçam “que o tráfego de correio endereçado, excluindo o correio internacional de entrada, registou no primeiro semestre de 2022 uma queda de apenas 2,2% face ao primeiro semestre de 2021, o que nunca tinha ocorrido nos últimos cinco anos. A receita associada cresceu 1%. Esta situação resultou do bom desempenho do canal empresarial, que permitiu mitigar a redução da atividade no canal de retalho devido à menor procura de pacotes postais de e-commerce, o que resultou numa pressão no preço médio”, aponta a empresa liderada por João Bento.

Efeito comparativo penaliza desempenho no Expresso e Encomendas

Essa menor procura refletiu-se também nas receitas do segmento Expresso e Encomendas, potencialmente o principal negócio dos CTT no futuro. As receitas no semestre caíram 2,5%, para 122,7 milhões de euros.

“De recordar que o primeiro trimestre de 2022 foi impactado por um comparável difícil face ao período homólogo. O primeiro trimestre de 2021 foi marcado pelos efeitos das restrições da pandemia de Covid-19, nomeadamente o segundo confinamento, que impulsionou fortemente o crescimento da atividade de e-commerce“, lembra a companhia.

Dispara margem financeira do Banco CTT

Quanto ao Banco CTT, os rendimentos operacionais atingiram 57,9 milhões de euros no semestre, uma escalada de 26,8% na comparação homóloga. Para isso contribuiu a melhoria da margem financeira, que atingiu 34,4 milhões de euros ao crescer 33,7%.

“O bom desempenho comercial do Banco CTT continuou a permitir o crescimento dos depósitos de clientes para 2.259,6 milhões de euros (+6,4% face a dezembro de 2021) e do número de contas para 581 mil (mais oito mil do que em dezembro de 2021)”, escreve a empresa no relatório dos resultados.

Nos serviços financeiros e retalho, os rendimentos do grupo subiram 2,2% até junho e alcançaram 24,2 milhões de euros, com a empresa a destacar que, “apesar da instabilidade internacional”, os títulos de dívida pública portuguesa captaram, em média, 17,4 milhões de euros por dia (menos do que os 18,9 milhões no semestre homólogo), num total de 2.154,1 milhões de euros.

“Os CTT têm vindo a reforçar o seu posicionamento no segmento de retalho, proporcionando uma oferta mais robusta, mais regular e mais abrangente na cobertura da rede de lojas e pontos CTT, promovendo a recorrência da compra e a compra por impulso, bem como dinamizando a venda de produtos específicos designadamente tecnologia de conveniência”, refere também a empresa.

No plano das despesas, os CTT registaram gastos operacionais de 425,72 milhões de euros, um aumento de 11,5%. O agravamento dos custos está relacionado com aumentos nos gastos com pessoal, mas também nos fornecimentos e serviços externos (onde se inclui o efeito inorgânico da compra da New Spring Services).

A dívida líquida da empresa a 30 de junho era de 92,2 milhões de euros, um aumento de 65,2% face ao passivo registado em 31 de dezembro.

Evolução das ações dos CTT em Lisboa

CTT compram mais ações

Os CTT anunciaram também a “extensão do programa de recompra de ações próprias” iniciado em março de 2022, alocando mais 3,6 milhões de euros a esse fim, para um total de 21,6 milhões, e aumentando o número máximo de ações em 1,9 milhões, para 6,55 milhões de ações, “representativas de até 4,37%” do capital dos Correios. O objetivo é “a extinção das ações próprias adquiridas” e “eventual redução do capital” da empresa.

“Até ao dia 21 de julho de 2022, foram adquiridos no âmbito do programa de recompra 4,36 milhões de ações próprias dos CTT, tendo sido despendidos apenas 15,91 milhões de euros” da verba total de 18 milhões, avançou a empresa noutro comunicado. O programa continuará em vigor até 18 de dezembro deste ano.

(Notícia atualizada pela última vez às 20h31)

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