Banco de Inglaterra sobe taxas de juro em 50 pontos base, a maior subida desde 1995

Com a inflação perto dos 10%, o Banco de Inglaterra decidiu subir as taxas de juro em 50 pontos base, a maior subida em 27 anos. Avisa que Reino Unido vai entrar em recessão no final do ano.

O Banco de Inglaterra subiu esta quinta-feira as taxas de juro em 50 pontos base, naquela que é a maior subida desde 1995, num esforço para conter a escalada da inflação que deverá atingir os 13,3% em outubro. E já deixou o alerta: “O Reino Unido deverá entrar em recessão no quarto trimestre deste ano.”

Com esta decisão, que era amplamente esperada pelos investidores, o BoE (sigla para Bank of England) agrava a taxa diretora para 1,75%, o nível mais elevado desde o final de 2008, no início da crise financeira global. Oito dos nove membros do comité de política monetária do BoE votaram a favor de uma subida dos juros em 50 pontos base, sendo que apenas um membro queria uma subida de apenas 25 pontos base.

Ao mesmo tempo, o banco central liderado por Andrew Bailey avisou que o Reino Unido deverá deslizar para uma recessão com uma perda de 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB), uma queda da mesma dimensão da que registou nos anos 1990 mas muito longe das contrações verificadas na pandemia ou na crise financeira global de 2008.

A economia britânica deverá começar a retrair-se nos últimos três meses do ano e durante todo o ano de 2023, antecipando-se assim a mais longa recessão após da crise financeira.

A inflação no Reino Unido disparou para 9,4% e, apesar do aperto monetário, deverá atingir os 13,3% em outubro, segundo as estimativas do banco central, devido à pressão dos preços da energia. O think tank Resolution Foundation perspetiva que a taxa de inflação possa escalar até aos 15% no início do próximo ano, perante o impacto da invasão da Rússia na Ucrânia e das disrupções nas cadeias de valor globais após a pandemia.

“Sem se’s, nem mas”

Em conferência de imprensa, Andrew Bailey justificou a decisão com o facto de ter “algumas indicações de que as pressões nos preços estão a tornar-se mais persistentes e amplas” e reiterou o compromisso inabalável do banco de fazer baixar a inflação para 2%. “Regressar ao objetivo de 2% continua a ser a nossa prioridade absoluta. Não há se’s nem mas em relação a isso”, disse aos jornalistas.

Por outro lado, também considerou que “um aperto mais rápido agora reduz o risco de um ciclo de subidas mais prolongado e custoso mais tarde” e que se a inflação não regressar ao objetivo “as coisas vão ficar piores” sobretudo para quem tem menos rendimentos.

O governador sublinhou ainda que todas as opções continuam em cima da mesa nas próximas reuniões do banco e que não há um caminho “predeterminado” nas subidas das taxas de juro. “A magnitude, ritmo e timing de novas mudanças na taxa do banco irá refletir a avaliação do comité em relação ao outlook económico e às pressões inflacionistas”, refere o BoE.

Sexta subida

Para travar a subida descontrolada dos preços, e já contando com a decisão desta quinta-feira, o BoE já aumentou as taxas por seis ocasiões desde dezembro. Em junho, o banco central prometeu que iria agir com força se as pressões inflacionistas persistirem.

Nas últimas semanas também a Reserva Federal norte-americana e o Banco Central Europeu (BCE) aumentaram as suas taxas de referência para colocar a inflação novamente dentro do objetivo dos 2%.

(Notícia atualizada às 13h12)

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