Lucro da Nos encolhe 4% com “impacto da inflação” nos custos

Operadora viu lucros encolherem em 2022 com "crescimento acentuado das depreciações e amortizações", investimento recorde e inflação em alta a puxar pelos custos. Propõe dividendo de 27,8 cêntimos.

O resultado líquido da Nos NOS 1,34% em 2022 foi de 138,5 milhões de euros e encolheu 4% face ao ano anterior, revelou a empresa esta terça-feira, já depois do fecho das bolsas.

A operadora explica a redução com o “crescimento acentuado das depreciações e amortizações como resultado dos fortes investimentos” que tem feito, “bem como pelo impacto da inflação em toda a estrutura de custos”. A administração vai propor um dividendo bruto de 27,8 cêntimos, o mesmo valor que no ano anterior e um dividendo extra de 15,2 cêntimos devido à venda de torres de telecomunicações.

Estes quase 140 milhões comparam com os 144,2 milhões que a empresa lucrou em 2021. “Apesar da ligeira quebra em termos de resultado líquido recorrente”, diz o presidente executivo, Miguel Almeida, citado em comunicado, 2022 foi um ano de “resultados sólidos”, “conseguidos num contexto muito desafiante, marcado pela inflação e pelos elevados níveis de investimento”.

Em 2022, o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) alcançou 651,1 milhões de euros no total dos negócios da empresa, um crescimento de 5,4%. A margem recuou 0,4 pontos percentuais, passando de 43,2% em 2021 para 42,8% em 2022.

No plano das receitas, a Nos viu um crescimento de 6,3% na totalidade do ano, para 1.521 milhões de euros. Analisando apenas o negócio das telecomunicações, o principal do grupo, as receitas foram de 1.469,2 milhões de euros, mais 4,8% face ao exercício prévio.

Já se a análise incidir apenas sobre o negócio de cinema e audiovisuais, houve um aumento de 33,7%, para 89,6 milhões, fruto da subida de 81% nas vendas de bilhetes. Os aumentos devem ser vistos à luz do efeito base, dado que 2021 ainda foi impactado pelos confinamentos da Covid-19 e a Nos admite que, apesar da recuperação em 2022, as vendas de bilhetes mantêm-se 32% abaixo do número registado em 2019.

Ao nível operacional, o número de unidades geradoras de receita (RGU, vulgo clientes) aumentou 4,6%, para 10,78 milhões. Os subscritores móveis subiram 7,2%, enquanto os subscritores de televisão aumentaram 1,1%. Os clientes com ofertas em pacote subiram 6,7%.

No ano passado, a Nos acelerou a aposta no 5G, a nova era das redes móveis para a qual se tem posicionado na expectativa de liderar. Para já, há investimento, “o maior de sempre” na história da operadora: 496 milhões de euros no ano passado, “32,2% das receitas de telecomunicações, percentagem que excede de forma acentuada o rácio europeu”, diz a companhia. Feitas as contas, diz ter chegado ao final do ano a 249 concelhos, cobrindo 87% da população portuguesa.

“Em 2022, a Nos realizou o maior investimento de sempre na sua história, o qual contribuiu para colocar Portugal na liderança europeia do 5G e para melhorar a qualidade do serviço prestado às famílias e empresas portuguesas”, remata Miguel Almeida, citado na referida nota.

Nos paga dividendo de 27,8 cêntimos

A Nos anunciou também esta terça-feira a política de remuneração acionista relativa ao exercício de 2022: “A 7 de março de 2023, o Conselho de Administração aprovou uma proposta à próxima Assembleia Geral de um pagamento de dividendos ordinário por ação de 27,8 cêntimos em consonância com os últimos três anos, representando um dividend yield de cerca de 6,6%”, refere a companhia na nota enviada à CMVM.

Não é o único pagamento previsto aos acionistas: “Após a conclusão da transação de venda de torres concluída em 2022, e considerando a estrutura de capital conservadora, o Conselho de Administração também aprovou uma proposta para a próxima AGM [assembleia geral anual] de um dividendo extraordinário de 15,2 cêntimos por ação, ligado à mais-valia e FCF [free cash-flow] gerados por esta transação não recorrente.”

“Após o pagamento deste dividendo, a Nos manterá uma sólida estrutura de capital”, refere a empresa, garantindo que continua “bem posicionada para enfrentar os investimentos futuros e firme no compromisso de continuar a distribuir um nível atrativo de dividendos enquanto se concentra estrategicamente na preservação de uma estrutura de capital forte para continuar a criar valor para os acionistas de forma sustentável”.

(Notícia atualizada a 8 de março com política de dividendos)

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