Fernando Pinto defende investidor português para a TAP. “Precisa ter alguém com a cultura de cá”

O antigo presidente executivo da TAP, que liderou a companhia entre 2000 e 2017, defendeu a presença de investidores portugueses no capital da companhia: "Precisa ter alguém com a cultura de cá".

Fernando Pinto era o presidente da TAP quando foi privatizada em 2015 e voltou a defender esta quarta-feira, no Parlamento, a venda da companhia aérea a privados.

Acredito na empresa privatizada. Abriu uma nova privatização, acho que deve avançar e ser com um bom parceiro e uma ótima negociação“, afirmou Fernando Pinto, que está a ser ouvido na Comissão de Economia, Obras Públicas e Habitação sobre as conclusões da auditoria da Inspeção-Geral das Finanças às contas da TAP, divulgada em agosto de 2024.

O gestor que liderou a TAP entre 2000 e 2017 considerou que “faz muito sentido” que a companhia seja vendida a “uma empresa aérea ou alguém que tenha ligações e conhecimento do mercado aéreo” e não a um fundo. “Simplesmente um investidor não funciona”, disse em resposta a questões dos jornalistas à margem da Comissão.

Fernando Pinto defendeu também a entrada de um eventual investidor português. “A participação de investidores portugueses no passado foi muito boa. Foi muito boa a participação do Humberto Pedrosa [antigo acionista da TAP e dono da Barraqueiro], porque equilibrou muito. Precisa ter alguém com a cultura de cá“.

O gestor, que antes de entrar na TAP esteve 27 anos na Varig, não quis comentar se deve ser vendida uma participação maioritária ou minoritária do capital da companhia. “É uma decisão do Estado. Não posso entrar nesse tipo de decisão, porque tem outros componentes políticos. Depende da empresa que vai entrar. Se fizer um bom acordo ela não precisa ficar com a maioria“, disse Fernando Pinto. “Tem de ter um acordo de gestão da empresa. Se não puder gerir não vai vir”, acrescentou.

O antigo CEO da transportadora aérea portuguesa disse ainda que a sua gestão na TAP “foi sempre independente, respeitando o Estado”. Afirmou também que foi “sempre muito respeitado pelo Estado” na sua gestão.

Além da TAP, a Fernando Ponto defendeu também que os “aeroportos também têm de ser privados”. “Agora, têm de ser muito bem controlados”, acrescentou.

A análise da IGF conclui que o gestor recebeu 6,9 milhões de euros na companhia aérea, incluindo 362.667 euros correspondentes a 175 dias de férias não gozadas. Após cessar as funções como administrador, foi elaborado um contrato entre a TAP e a Free Flight Unipessoal Lda, da qual Fernando Pinto era o único sócio, para prestação de serviços de assessoria e apoio da comissão executiva da companhia aérea, recebendo 1,62 milhões de euros. À IGF não foi enviada evidência do trabalho desenvolvido. Questionado sobre este tema, Fernando Pinto optou por não responder.

Fernando Pinto era também o presidente da TAP quando a transportadora adquiriu a brasileira Varig Manutenção & Engenharia, que até 2023 tinha gerado perdas de 906 milhões de euros para a transportadora portuguesa. Rebatizada para TAP ME, está atualmente em processo de liquidação.

Como já fizera no passado, o antigo presidente da TAP justificou a aquisição da Varig Engenharia & Manutenção com o desejo de vir a adquirir a Varig, acrescentando que a operação não custou “um centavo” à TAP. Defendeu também o negócio com a Airbus que fez entrar 226,75 milhões de dólares na companhia, com a condição de adquirir 53 novas aeronaves.

(Notícia atualizada às 13h45)

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