Ageas vai ter unidades de saúde próprias, incluindo hospitais
Centros de cuidados médicos, clínicas de diagnóstico e unidades hospitalares estão na mira do CEO Luís Menezes. Faz parte de uma nova estratégia do grupo para aplicar também em Portugal.
O Grupo Ageas Portugal vai começar o novo ciclo estratégico que dura até 2027, com maior investimento no seu ecossistema de saúde. Para além da seguradora Médis e a presença na área dentária com as Clínicas Médis, Luis Menezes, o CEO que há seis meses lidera a Ageas em Portugal, avançou esta quarta-feira ser intenção do grupo uma melhoria da eficiência do grupo para que o negócio segurador volte a superar os resultados de investimentos como fonte de rentabilidade.

Neste campo Luís Menezes destacou um forte investimento na saúde como caminho obrigatório, quer melhorar os custos de sinistralidade. Declarou estar aberto a todas as possibilidades, desde compra de unidades hospitalares ou centros de diagnóstico e cuidados médicos, anunciando a próxima aquisição de uma empresa com presença significativa nos serviços de fisioterapia. Nesta área, o grupo já tinha adquirido a One Clinics no ano passado.
Também construir de raiz, à falta de oportunidades de aquisição, é hipótese incluída para o desenvolvimento. Luís Menezes salienta ser este movimento para um melhor controlo da cadeia de valor, quer nos custos com sinistros de saúde quer com Acidentes de Trabalho.
Também no setor automóvel, outra área de elevada sinistralidade, o grupo irá deter oficinas de pequenas reparações e de substituição e reparação de vidro automóvel, e irá manter a Ageas Repara, participada dirigida a reparações de habitações, outro foco de sinistralidade elevada em seguros multiriscos.
A Ageas Repara será mesmo a única diversificação herdada do ciclo estratégico passado a manter-se. A Pétis hoje é só um seguro e a Cleya, destinada a prestar serviços a clientes de elevado valor, foi desativada em 2024.
Para além de melhoria da eficiência, o novo ciclo estratégico “Elevate 27”, estabelecido pelo grupo belga a nível global e também para Portugal, trata a distribuição e as pessoas como temas, mas Luís Menezes destaca “o foco no cliente” como condicionador de todas as decisões: “Queremos liderar em experiência do cliente”.
Seguro Automóvel e imparidades baixaram lucros em 2024
Os resultados líquidos operacionais do grupo em Portugal em 2024 sofreram uma redução de 120 para 103 milhões de euros, revelou a Ageas. Luís Menezes explica que o resultado técnico negativo no ramo automóvel e o reconhecimento de imparidades de ativos, contribuíram decisivamente para esta descida.
De sinal contrário esteve a atividade com o volume de negócios do grupo Ageas Portugal a atingir 2,4 mil milhões de euros, com os seguros de Vida a crescerem 34,9% e os ramos Não vida a subir 10,4% impulsionado pelo ramo saúde (+17,5%), Automóvel (+9,8%) e Acidentes de Trabalho (+9,4%).
O aumento de produção situa a Ageas como o segundo maior grupo segurador em Portugal com 15,5% de quota de mercado, sendo igualmente segundo no ramo Vida com 18,1% de quota, em ambos os casos o líder é a Fidelidade, e terceiro em Não Vida com 14,5% de parte deste segmento do mercado, em que Fidelidade e Generali Tranquilidade lideram. Em saúde o grupo Ageas, que integra a Médis, é o 2º maior com 27,5% de mercado.
A rede de distribuição, para além do acordo de bancassurance com o Millennium bcp em que se destaca a seguradora Ocidental, conta com 78 agentes gerais exclusivos que exploram 164 lojas, uma rede multimarca com 850 agentes e 80 lojas com imagem Ageas e uma rede private com 404 consultores. O grupo conta em Portugal com 1.400 colaboradores.
Luís Menezes ainda referiu a atividade da Fundação Ageas, afirmando estar “focada em áreas críticas como saúde, envelhecimento e exclusão social”, tendo concedido apoios de cerca de 1,4 milhões de euros a diversas instituições e iniciativas durante o ano passado.
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