Carneiro afasta cenário de “repercussões negativas” por parte dos EUA após declarações de Marcelo
"Aqueles que aparentemente se mostram muito feridos" com as palavras de Marcelo "são pessoas que atentam contra os valores de que os EUA têm sido historicamente os grandes defensores".
O secretário-geral do PS disse esta sexta-feira que conhece as ideias do Presidente da República sobre os Estados Unidos e não teme “repercussões negativas” causadas pelas suas palavras sobre o chefe de Estado norte-americano, Donald Trump.
O Presidente da República afirmou que o seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, funciona hoje como um “ativo soviético”, ao favorecer a Federação Russa na guerra contra a Ucrânia. Esta sexta, ao ser questionado sobre o assunto, em Faro, o líder do PS, José Luís Carneiro, disse não acreditar que Portugal possa ser penalizado pelos Estados Unidos devido a este assunto.
Afirmando não ser comentador das palavras do chefe de Estado, o secretário-geral do PS expressou o seu “grande apreço” e “estima imensa” pelo Presidente da República e enalteceu o “trabalho importante que Marcelo Rebelo fez ao país”.
José Luís Carneiro disse que pôde testemunhar, quando acompanhou o Presidente da República nas comemorações do 10 de junho nos Estados Unidos, a relação de “grande respeito” que Marcelo Rebelo de Sousa tem com o país, com muitas instituições norte-americanas e com a comunidade portuguesa aí radicada.
“(…) Sei bem a consciência que tem o senhor Presidente da República sobre as funções de Portugal no mundo e sobre quem são os seus aliados”, assegurou, considerando que “aqueles que aparentemente se mostram muito feridos” com as palavras de Marcelo “são pessoas que atentam contra os valores de que os Estados Unidos têm sido historicamente os grandes defensores”.
Questionado sobre se teme “repercussões negativas” para o país por parte do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devido às palavras do Presidente da República, José Luís Carneiro respondeu: “Não”.
Marcelo disse que Donald Trump funcionava como um “ativo” russo na quarta-feira, ao participar na Universidade de Verão do PSD, iniciativa de formação de jovens quadros partidários, que decorre até domingo em Castelo de Vide (Portalegre) e na qual apareceu de surpresa, quando estava prevista uma intervenção por videoconferência.
Num painel intitulado “As respostas do Presidente”, o chefe de Estado fez uma intervenção inicial em que abordou a situação internacional, apontando Donald Trump como o exemplo de um novo estilo de lideranças políticas, mais emocionais e que apostam no contacto direto com os cidadãos, sem mediação, num mundo em que a balança de poderes também se alterou.
“Com uma coisa peculiar e complexa: é que o líder máximo da maior superpotência do mundo, objetivamente, é um ativo soviético, ou russo. Funciona como ativo”, afirmou então o chefe de Estado. O Presidente da República sublinhou que não se trata de “uma aliança baseada na amizade, na cumplicidade económica, ideológica ou doutrinária”.
“Estou a dizer que, em termos objetivos, a nova liderança norte-americana tem favorecido estrategicamente a Federação Russa”, afirmou, referindo-se à atuação do presidente dos Estados Unidos na guerra da Ucrânia. “Ou seja, passaram de aliados de um lado para árbitros do desafio”, afirmou, acrescentando tratar-se de um árbitro que apenas quer negociar com uma das equipas, excluindo quer a Ucrânia, quer a Europa, que tiveram de se “impingir” nas recentes conversações.
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