Lagarde decreta que o “processo de desinflação acabou” na Zona Euro
Para a presidente do Banco Central Europeu, a desinflação terminou e os riscos de crescimento estão mais equilibrados, reforçando um cenário de maior confiança na economia da Zona Euro.
Christine Lagarde enviou um sinal claro aos mercados, ao anunciar que o processo de controlo de preços na área do euro terminou e os riscos para o crescimento económico estão agora mais equilibrados. “O processo de desinflação acabou”, declarou Christine Lagarde aos jornalistas, esta quinta-feira, numa das afirmações mais marcantes da conferência de imprensa a que se seguiu o anúncio de mais uma pausa no ciclo de cortes das taxas de juro.
A presidente do BCE sublinhou ainda que a Zona Euro continua “numa boa posição”, destacando que “a inflação está onde queremos que esteja”, refletindo a satisfação da instituição com o regresso da inflação ao objetivo de 2%.
E quando questionada sobre a crise política e orçamental que França vive atualmente, e o impacto que poderá ter na economia europeia, apesar de preferir não fazer qualquer comentário específico à situação, destacou estar “confiante de que os países, todos eles, vão querer respeitar as regras orçamentais”.
O Banco Central Europeu vê agora cenários positivos que podem impulsionar o crescimento, incluindo gastos mais elevados em defesa e infraestruturas e reformas que aumentem a produtividade.
Ainda no seguimento da análise à situação francesa, a presidente do BCE observou que “os mercados de obrigações soberanas da Zona Euro estão ordenados e funcionam com liquidez adequada”, sugerindo que a instituição não vê, por agora, sinais de stress nos mercados de dívida soberana apesar das preocupações políticas e apesar das yields das obrigações do Tesouro de França ter alcançados valores recorde nos últimos dias.
A mudança de tom da presidente do BCE face às anteriores conferências de imprensa surge num contexto em que a inflação da Zona Euro em agosto fixou-se nos 2,1%, mantendo-se praticamente alinhada com o objetivo do banco central. Além disso. Christine Lagarde destacou também que “os indicadores de inflação subjacente são consistentes com o nosso objetivo de 2%”, reforçando a confiança na estabilização dos preços.
A líder do banco central salientou também que “os riscos para o crescimento económico estão mais equilibrados”. Esta avaliação representa uma evolução face às preocupações anteriores sobre os impactos negativos das tensões comerciais e da instabilidade geopolítica.
Christine Lagarde explicou que “enquanto os acordos comerciais recentes reduziram a incerteza, uma renovada deterioração das relações comerciais poderia ainda amortecer as exportações e arrastar o investimento e o consumo para baixo”. Contudo, o banco central vê agora cenários positivos que podem impulsionar o crescimento, incluindo gastos mais elevados em defesa e infraestruturas e reformas que aumentem a produtividade.
Christine Lagarde revelou que “o crescimento moderado dos salários manterá controladas as pressões de preços domésticos”, destacando a importância desta variável para a sustentabilidade da estabilidade de preços na Zona Euro.
O crescimento económico da Zona Euro deverá atingir 1,2% em 2025, uma revisão em alta face aos 0,9% projetados em junho, embora as projeções para 2026 tenham sido ligeiramente reduzidas para 1,0%. Lagarde atribuiu esta resiliência à “força da procura interna”, destacando que “a economia cresceu devido à resistência da procura doméstica”.
A presidente do BCE analisou também em mais detalhe o mercado laboral da área do euro, destacando que o BCE continua a monitorizar de perto a evolução dos salários como indicador-chave das pressões inflacionárias domésticas, afirmando que “o crescimento moderado dos salários manterá controladas as pressões de preços domésticos”, destacando a importância desta variável para a sustentabilidade da estabilidade de preços.
“Os indicadores prospetivos sugerem que o crescimento dos salários moderará ainda mais”, acrescentou a presidente do banco central, sinalizando que o mercado de trabalho continua a funcionar de forma equilibrada sem gerar pressões excessivas sobre os custos das empresas.
A postura mais confiante do BCE reflete-se nas expectativas dos mercados, nos quais os traders de taxa de juro têm reduzido as suas apostas em novos cortes das taxas. Os contratos de swaps implicam agora apenas cerca de 14 pontos base de alívio até ao final do ano, sugerindo menos de 60% de probabilidade de um corte adicional.
Esta mudança de perspetiva contrasta com as expectativas de três cortes da Reserva Federal americana até ao final de 2025, que os traders mantêm totalmente descontadas nos mercados. A divergência entre as trajetórias das duas principais economias mundiais pode ter implicações significativas para os fluxos de capital e as taxas de câmbio.
O BCE demonstra assim que, apesar da maior confiança na trajetória atual da economia e da inflação, mantém toda a sua panóplia de instrumentos disponível para responder a eventuais choques externos ou alterações nas condições económicas. A mensagem é de que o BCE está numa “boa posição” mas permanece vigilante e preparado para agir, se necessário.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Lagarde decreta que o “processo de desinflação acabou” na Zona Euro
{{ noCommentsLabel }}