Sotkon investe no Entroncamento e ‘enterra’ resíduos em Itália, Polónia e Sérvia
Produtora de contentores de resíduos urbanos prepara três estreias em 2026 e conta com “solidez financeira e capacidade de investimento” da acionista Nors para expandir unidade na região de Santarém.
- A Sotkon, pertencente ao grupo Nors, está a expandir-se para Itália, Polónia e Sérvia, celebrando três décadas no mercado de contentores de resíduos urbanos.
- A empresa, que já instalou quase 40.000 unidades em 23 países, prevê fechar o ano com uma faturação de cerca de 13 milhões de euros, impulsionada por um crescimento de 8%.
- O novo sistema Sotkis P(L)AYT, que utiliza gamificação e inteligência artificial, visa aumentar a reciclagem e reduzir resíduos, já está em fase piloto em Portugal.
Nas mãos do grupo Nors desde 2008, ano em que mudou a sede para Portugal, a Sotkon – Waste Systems, fundada a 5 de abril de 1995 por Modesto Balerdi em Espanha, prepara-se para celebrar três décadas no mercado dos contentores de resíduos urbanos com a estreia em três novos países (Itália, Polónia e Sérvia) e a expansão e modernização da fábrica no Entroncamento.
Prestes a atingir a meta das 40.000 unidades instaladas em 23 países, a empresa sediada no Porto e que produz os equipamentos no Entroncamento prepara-se para fechar o exercício deste ano com uma faturação próxima dos 13 milhões de euros. Um crescimento de 8% puxado pela “consolidação em mercados estratégicos” como França, Espanha e Turquia, e pela introdução de novas soluções tecnológicas.
Mais de metade do volume de negócios da Sotkon é gerado fora de Portugal, com o CEO João Portela a destacar o “forte ADN internacional” da empresa. No portefólio de instalações destacam-se França, Espanha e Grécia, que em conjunto equivalem a 67% da atividade internacional da empresa. Em entrevista ao ECO, o gestor antevê a abertura de três novos destinos nos próximos meses.
“Continuamos a explorar oportunidades em mercados como Itália, Polónia e Sérvia, através de parcerias locais que permitem adaptar as soluções às especificidades de cada território e reforçar a presença internacional. Um desses três países será o 24º a receber uma instalação Sotkon, já em 2026”, relata, salientando ainda o reforço em Espanha com novos equipamentos e soluções inteligentes para tornar mais eficiente a recolha nos municípios de Dénia e Huesca.

Os contentores enterrados são a principal área de negócio da Sotkon, equivalendo a cerca de 75% do volume total de faturação. Em complemento, desenvolve soluções tecnológicas integradas para a gestão inteligente de resíduos, posicionando-se como “fornecedor de sistemas completos e adaptáveis às exigências das cidades modernas”. Lá fora, Las Rozas e Huesca (Espanha), Pau, Montpellier e Narbonne (França), Salónica (Grécia), Zagreb (Croácia), Tbilissi (Geórgia) e Cambridge (Reino Unido) são os projetos de “elevada visibilidade”.
Já em Portugal, onde a empresa especialista em contentorização enterrada de resíduos reclama uma posição de liderança, entre as “dezenas” de municípios e operadores que tem como clientes surgem as autarquias de Cascais, Lisboa, Faro e Portimão. Questionado sobre se as autárquicas influenciaram o nível das encomendas e adjudicações este ano, João Portela respondeu apenas que “o calendário eleitoral marcou, como é habitual, certas decisões de investimento por parte dos municípios”.
“Ainda assim, a Sotkon manteve o seu foco na construção de relações de confiança com parceiros e clientes, (…) e independente do ciclo de mercado em que nos encontramos. Trabalhámos ativamente para preservar o dinamismo habitual e lançar as bases para o futuro, com o objetivo de reforçar a presença junto das autarquias e promover soluções inovadoras que respondam aos desafios da gestão de resíduos urbanos”, completou.
O calendário eleitoral autárquico de 2025 marcou, como é habitual, certas decisões de investimento por parte dos municípios. Ainda assim, a Sotkon manteve o seu foco na construção de relações de confiança com parceiros e clientes, independente do ciclo de mercado.
Apesar da crescente exposição internacional, o CEO frisa que Portugal mantém-se como uma “base estratégica essencial”, com uma unidade fabril no Entroncamento e as equipas de investigação e desenvolvimento (I&D). Dos 37 trabalhadores da empresa, a “grande maioria” está sediada em território nacional, onde se concentram as áreas de engenharia, desenvolvimento e produção. A instalação dos contentores em cada local não é feita por equipas próprias, mas subcontratada a empreiteiros de construção civil.
Fora do país, a Sotkon tem filiais em Espanha, França e Turquia, com equipas locais dedicadas às áreas comercial e de pós-venda, para assegurar uma “operação próxima” aos clientes. Por outro lado, em “mercados estratégicos” como Brasil, Grécia, Croácia ou Reino Unido opera através de uma rede de distribuidores com o objetivo de adaptar as soluções às necessidades locais e reforçar a presença internacional.
Investimento de 800 mil euros na fábrica do Entroncamento
Incorporada na Nors Ventures, que explora novos negócios em áreas não core (como a participação do grupo portuense na corretora Amplitude Seguros) e uma das cinco áreas em que a antiga Auto Sueco reorganizou o negócio há cerca de um ano, a Sotkon diz beneficiar da integração numa “estrutura empresarial mais robusta, com acesso a recursos estratégicos que têm sido determinantes para a sua expansão”.
A pertença ao histórico grupo detido pelas famílias Jervell (maioritária) e Jensen – explora negócios que vão dos equipamentos de construção aos veículos pesados (camiões ou autocarros), passando pelas máquinas agrícolas e industriais até ao comércio de automóveis – garante à Sotkon “solidez financeira, capacidade de investimento e acesso à rede global” da Nors, que “potencia a entrada em novos mercados e reforça a capacidade de inovação”.

Ora, um desses investimentos, avaliado em 800 mil euros e a executar nos próximos três anos, vai avançar na fábrica do Entroncamento. Em operação desde 2006, é responsável pela produção dos sistemas de contentorização enterrada e outros equipamentos essenciais à atividade da empresa, destinados a quase todos os mercados para os quais exporta.
Atualmente com uma capacidade de produção de cerca de 50 contentores por semana, esta unidade no distrito de Santarém vai ser ampliada para “aumentar em cerca de 40% a sua capacidade produtiva”, renovada com novos sistemas de automação industrial com o objetivo de “aumentar a produtividade” e, na área da sustentabilidade, para o fornecimento de energia através de fonte solar.
Além desta unidade principal no Entroncamento, a Sotkon possui uma rede de fornecedores certificados em vários países para a produção local de certos componentes do produto. Uma “flexibilidade [que] visa responder à variabilidade da procura nesses mercados e reforçar a capacidade de resposta internacional da empresa”, justifica o CEO João Portela.
Gamificação, recompensa e inteligência artificial
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Após introduzir tecnologias IoT aplicadas à gestão de resíduos, com soluções como a Sotkis Level (monitorização de enchimento dos contentores e otimização de rotas de recolha), Sotkis Access (controlo de acesso aos contentores), Sotkis PAYT (princípio “poluidor-pagador”), Sotkis DRS (identificação digital de embalagens recicláveis) e Sotcare (gestão de manutenção dos equipamentos), a participada da Nors está agora a lançar o Sotkis P(L)AYT – Pay Less As You Throw.
Através de gamificação, sistemas de recompensa e inteligência artificial (IA), esta inovação já está em fase piloto em dois municípios portugueses, em teste em ambiente real em contentores enterrados e à superfície. Pretende incentivar a participação ativa dos cidadãos na reciclagem e permite às autarquias desenvolver políticas públicas baseadas nesses dados, com “impacto direto” na redução de resíduos para aterros e no aumento das taxas de reciclagem.
“O Sotkis P(L)AYT oferece às autarquias os dados reais de utilizadores, contentores e resíduos, trabalhados por algoritmos de IA, aumentando a capacidade de monitorização e permitindo compreender melhor os hábitos de deposição dos cidadãos. Por outro lado, também permite aos cidadãos e empresas a monitorização dos seus hábitos de reciclagem, ajudando-os a obter benefícios com as boas práticas”, ilustra Portela. E outros clientes, “não só em Portugal, manifestaram interesse na adoção do sistema, o que reforça a confiança na sua aplicabilidade e potencial de expansão”.
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