ECO da Campanha. Caravanas arrancam para a segunda volta debaixo da depressão Kristin

Depois do único frente-a-frente desta segunda volta das eleições presidenciais, Seguro e Ventura partem para a estrada e admitem visitar as zonas afetadas pelo mau tempo.

Conhecidos os resultados oficiais da primeira volta das eleições presidenciais e no rescaldo do último frente a frente entre Seguro e Ventura, as caravanas aquecem os motores e partem para a segunda volta da campanha debaixo da depressão Kristin, que já provocou pelo menos quatro mortes. Sem cancelarem a agenda prevista devido ao mau tempo, os dois candidatos admitem visitar as zonas afetadas pelo mau tempo.

As ações de rua começaram por volta das 12h30 em Lisboa com o candidato presidencial apoiado pelo PS, António José Seguro. Num almoço com apoiantes do setor da Cultura, no Beato, aproveitou para marcar as diferenças entre a sua candidatura e a de André Ventura.

“Acho que o país percebeu as nossas diferenças. Os portugueses não são extremistas, os portugueses não são divisionistas e nós vivemos num mundo onde há muitas incertezas, onde há muitas divisões, não precisamos de mais divisões no nosso país”, afirmou.

Para o candidato apoiado pelo PS, que foi questionado acerca do debate televisivo de terça-feira contra André Ventura, apoiado pelo Chega, o que é necessário no país “é estabilidade”.

Eu quero ser o presidente da estabilidade, não como um fim em si mesmo, mas como um meio para que os governos tenham condições para resolver os problemas dos portugueses. Esse é sempre o meu foco, uma política centrada nas soluções”, defendeu. Para António José Seguro, no debate televisivo “ficou claro” quem “é um candidato da Presidente da República”, o próprio, e quem é “um líder partidário”, André Ventura.

“Se eu vier a merecer a confiança dos portugueses, como espero e como peço, eu serei o presidente de todos os portugueses e devo manter intactas as relações institucionais com os atores políticos. O partido liderado pelo doutor André Ventura [Chega] é um partido que tem muitos deputados no parlamento português”, considerando o antigo líder do PS que “é normal” ter “cuidados em termos de relações futuras, porque esta é uma eleição que termina no dia 8 de fevereiro e depois há um mandato de cinco anos”.

Em relação ao debate, André Ventura disse que ficaram claras “duas visões do país diferentes”. “O debate teve esse mérito, mesmo para aqueles que não gostam de mim e do Chega ontem perceberam que o meu adversário não tem ideias sobre nada e não vai ser firme em nada”.

Acredita que o eleitorado que votou noutros candidatos “ficou a perceber que António José Seguro não vai “fazer reformas”. “Votar em António José Seguro é manter o sistema na sua inutilidade política total e isso ficou claro perante o país”, atirou.

Ventura reiterou também que é preciso “despolitizar as instituições públicas”. Na questão da Justiça, entende que é preciso “reflexão” na nomeação do Procurador-geral da República. “A justiça tem de responder à justiça, tem de ser independente, não tem de responder ao Governo”, afirma, dizendo que há casos de primeiros-ministros investigados por quem os nomeou.

O candidato presidencial André Ventura afirmou que preferia que não fosse o Presidente a fazer a nomeação do Procurador-Geral da República, apesar de ter defendido essa posição na proposta de revisão constitucional do Chega em 2022.

Tema quente

Mau tempo entra na campanha

Mas a depressão Kristin acabou por marcar o dia de campanha. Ventura disse que espera, “sem atrapalhar”, poder visitar as zonas atingidas pelo mau tempo nos próximos dias. À entrada de um convívio com jovens na Universidade Lusíada, em Lisboa, ao início da tarde, o líder do Chega começou por “lamentar” a situação que ocorreu esta madrugada e as vítimas mortais. “Há várias pessoas que perderam muito património e espero poder, sem atrapalhar, visitar [as zonas] nos próximos dias e gostava de deixar abraço de solidariedade”, disse.

António José Seguro também pondera visitar os locais atingidos pelo mau tempo durante a campanha eleitoral. Em declarações aos jornalistas, à margem do almoço em Lisboa com personalidades da cultura que apoiam a sua candidatura, Seguro enviou condolências às famílias das vítimas do temporal desta noite e disse que tem estado em contacto com autarcas dos municípios afetados: “Tenho seguido com atenção o que está a acontecer no país e já falei com alguns presidentes de Câmara das regiões mais afetadas. Infelizmente já há cinco vítimas mortais a lamentar”, registou.

Seguro afirmou que vai “continuar a acompanhar a situação”, considerando que “deve ser responsabilidade do Presidente da República acompanhar ao minuto, ao segundo, esta situação e pôr-se à disposição para poder ajudar a contribuir para que, de facto, exista uma rápida regularização.”

O candidato considera que “o país tem um sistema de proteção civil articulado que responde a estas situações”, que “está a funcionar”, e que é preciso deixar as pessoas “fazer o seu trabalho”.

Figura

Sá Carneiro evocado

O candidato à Presidência da República, André Ventura, durante um encontro com estudantes na Universidade Lusíada em Lisboa, 28 de janeiro de 2026. Os portugueses elegem o novo Presidente da República em 08 de fevereiro. TIAGO PETINGA/LUSATIAGO PETINGA/LUSA

“Se hoje Sá Carneiro voltasse e olhasse para o que está a acontecer, tenho 90% de certeza, para não dizer 100%, que diria que entre o candidato que quer deixar tudo igual e um candidato que quer romper e dar um salto, escolheria este candidato. Não estou a dizer que sou herdeiro de Sá Carneiro, mas é esse espírito reformista, de romper e de abanar que quero trazer para a política portuguesa”, afirmou André Ventura.

O candidato a Belém sugere que as pessoas podem perguntar “quem é que garante que vai fazer diferente” porque “o partido também tem casos e tal”, mas pede uma “oportunidade”: “António José Seguro já teve oportunidade e deixou o partido num absoluto caos e como é que pode querer agregar o país? [Sobre] mim, não sabemos. Peço a oportunidade para fazer a mudança, depois, não se gostou do caminho, volta-se atrás.” “Dizer que queremos mudar a Constituição tem de deixar de ser um tabu”, atirou.

Frase

"Ela é empresária e vai continuar a ser empresária, autónoma e independente, que me orgulha muito e que naturalmente estará ao lado do marido quando for necessário.”

António José Seguro

Candidato presidenciais apoiado pelo PS

Número

1.755.563

Os resultados da primeira volta das eleições presidenciais já são oficiais. António José Seguro venceu com 1.755.563 votos (31,11%), seguido de André Ventura, com 1.327.021 votos (23,52%), garantindo a ambos a passagem ao segundo turno. O apuramento geral foi concluído nesta terça-feira e o edital já foi publicado no site do Tribunal Constitucional e afixado, o que permite que a campanha eleitoral comece oficialmente nesta quarta-feira. A lei estipula que a campanha para a segunda volta arranca no dia seguinte ao da afixação do edital.

Norte-Sul

As caravanas arrancam o segundo dia de campanha da segunda volta na zona centro do país. António José Seguro vai andar pelo distrito de Lisboa: de manhã visita Almada, pelas 11h tem uma reunião com investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e, depois do almoço, vai a Palmela. Termina o dia, no distrito de Santarém, com uma sessão às 21h no Cine Teatro de Almeirim.

André Ventura ainda não detalhou a sua agenda, tendo apenas indicado que o candidato apoiado pelo Chega vai começar a manhã no distrito de Coimbra e termina o dia em Leiria.

 

 

 

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