ISEG estima descida do PIB próxima de 3% em cadeia no quarto trimestre

  • Lusa
  • 4 Dezembro 2020

Já relativamente ao mesmo período do ano passado, no quarto trimestre deste ano a variação do PIB "deverá situar-se em torno de -9%".

O Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) estima que a economia portuguesa recue cerca de 3% no quarto trimestre relativamente ao terceiro, em face das novas restrições à atividade económica em face da pandemia de covid-19.

“Antecipa-se a queda do PIB [Produto Interno Bruto] em relação ao terceiro trimestre, estimando-se provável um decréscimo em torno de 3%”, pode ler-se na Síntese de Conjuntura do ISEG relativa a novembro, que foi divulgada esta sexta-feira.

Já relativamente ao mesmo período do ano passado, no quarto trimestre deste ano a variação do PIB “deverá situar-se em torno de -9%”.

“Para a totalidade do ano de 2020, dado o decréscimo acumulado de -8,2% nos três primeiros trimestres, torna-se provável uma variação homóloga em torno de -8,5%”, estimam ainda os especialistas do Grupo de Análise Económica da instituição universitária lisboeta.

O indicador de tendência do conjunto de atividade, uma média ponderada dos vários setores de atividade, “aponta para uma ligeira descida da atividade em outubro”, segundo o ISEG.

“Quanto a dados quantitativos de novembro, regista-se o aumento dos decréscimos homólogos nas vendas de automóveis ligeiros de passageiros e também no consumo de energia elétrica, neste caso, por certo, decorrente das maiores restrições de atividade no comércio e alguns serviços”, pode também ler-se na nota do ISEG divulgada.

No quarto trimestre, face ao segundo, o recuo da atividade “deverá manter-se relativamente contido”, aponta o ISEG, já que, “pelos dados disponíveis, a atividade industrial, construção, alguns serviços, tenderá a manter a atividade e recuar menos“, algo que não acontecerá no turismo, restauração e alojamento, transportes e atividades culturais, com uma quebra mais abrupta.

O ISEG dá ainda conta que a descida dos indicadores de sentimento económico (do Eurostat) e de clima económico (do Instituto Nacional de Estatística) “era esperada dada a entrada em vigor, no início de novembro, de um novo conjunto de restrições sobre a atividade económica e social que foi sendo imposto para travar a aceleração da 2ª vaga da pandemia”.

“Por setores de atividade, desceram os indicadores de confiança de todos os setores empresariais (indústria, construção, comércio a retalho e serviços) que, com a exceção da indústria, após os mínimos de abril/maio, e tinham atingido máximos em outubro”, realça ainda o ISEG.

Para Portugal, o FMI prevê uma queda de 10% em 2020, e uma recuperação de 6,5% para 2021.

Estas previsões diferem das do Governo português, que antecipa uma queda da economia de 8,5% este ano, e uma recuperação de 5,4% em 2021.

Já a Comissão Europeia prevê uma queda de 9,3% da economia portuguesa em 2020, e um crescimento de 5,4% no próximo ano.

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