Daniel Traça: Parceria com privados transformou Nova SBE “numa escola mais útil”

A Nova SBE está em contagem decrescente para inaugurar o novo campus em Carcavelos. Para o dean Daniel Traça, este evento ajudou a escola ser "muito mais útil".

No final deste mês, a Nova School of Business and Economics (Nova SBE) vai inaugurar o novo campus de Carcavelos. Resulta de um investimento a rondar os 50 milhões de euros, provenientes da nova Fundação Alfredo de Sousa, que junta empresas privadas e particulares que fizeram doações para tornar este projeto possível. No ECO24, Daniel Traça, dean da Nova SBE, explicou as intenções subjacentes ao novo campus: juntar alunos, docentes e empresas num único espaço, que traz valor acrescentado à mais-valia da qualidade de vida. Com o novo campus, a escola procura atrair mais alunos estrangeiros e, a longo prazo, ajudar a fixar talento estrangeiro no país.

“Pode esperar-se uma escola, que é uma escola nova. Queremos que seja uma escola diferente, muito virada para o que é o futuro, para estes jovens, que são portugueses, europeus, são globais. E que vêm de todo o lado do mundo para estudar connosco”, começou por explicar Daniel Traça, em entrevista ao programa do ECO e da TVI24. Numa altura em que a tecnologia transforma a economia e a gestão, a visão do líder desta unidade da Universidade Nova de Lisboa é concreta e definida: as próximas lideranças vão ser de “exploração”. Os líderes vão encontrar problemas para resolver, e pôr as máquinas a tratar do assunto.

“A resolução dos problemas será feitas por máquinas. O que os humanos vão ter de diferente, que as máquinas nunca farão, é a capacidade de encontrar novos problemas e a capacidade de explorar. E isso que é interessante. É tirar isso da sala de aula, viver o campus e transformar o nosso campus num sítio em que isso se faz pelos alunos, por eles próprios. É isto que acredito ser a universidade do futuro”, considerou o economista.

Daniel Traça pretende, desta forma, que a Nova SBE se transforme e se modernize. Mas, sobretudo, que se internacionalize e seja capaz de, por um lado, continuar a subir nos rankings internacionais e, por outro, ser capaz de atrair alunos e docentes estrangeiros. “Vamos ter de fazer as duas coisas. O campus está construído sobre aquilo que é fundamentalmente português. Dá o tempo a oferecer, uma qualidade de vida, um estilo de vida que é único e hoje é reconhecido pelas pessoas que vêm para cá viver. O grande desafio deste país é como é que em cima disso construímos valor acrescentado. E é isso que a escola faz”, explicou o docente.

Queremos que seja uma escola diferente, muito virada para o que é o futuro, muito virada para estes jovens, que são portugueses, que são europeus, que são globais.

Uma universidade mais internacional

Atualmente, segundo Daniel Traça, a universidade conta com 70 professores de carreira e cerca de 40% destes docentes são estrangeiros. Quanto aos alunos, vêm cada vez mais do exterior. “Na quinta-feira, chegaram 750 alunos de mestrado. 45% deles são estrangeiros”, revelou.

Esse valor acrescentado é a oferta educativa e diferenciada que a Nova SBE pretende continuar a oferecer e a reforçar. “O que vai mudar, e já está a mudar, é o aumento da nossa oferta em áreas muito mais ligadas à tecnologia, como data science, que é uma área em que os nossos mestrados já têm especializações. Já hoje há uma formação muito mais tecnológica e tecnóloga nos nossos currículos que está a mudar”, garantiu o dean. Em simultâneo, a ideia também passa por pôr os alunos a interagirem num ecossistema que contará com empresas e startups nacionais e internacionais, promovendo o espírito empreendedor.

Numa lógica de parcerias, o novo modelo de gestão da Nova SBE, resultado da criação da fundação que junta o privado com o que é público, também já está a transformar a escola, garantiu Daniel Traça. A universidade procura, além da formação dos alunos, responder às necessidades dos parceiros enquanto empresas — e, para o líder da Nova SBE, esse é um aspeto positivo. “Isso transformou-nos numa escola muito mais útil”, afirmou no ECO24. Mas o foco não é só os parceiros. “A necessidade da abertura da universidade para trazer soluções para a realidade, e para os parceiros, e para a sociedade, é absoluta. Acredito que, mais do que trazer soluções para os parceiros, passa também trazer soluções para a sociedade”, frisou.

Relativamente à forma de governação da escola, será a nova fundação a articular os interesses privados com os da escola, assim como a monitorizar o cumprimento dos objetivos. Questionado sobre a essa articulação, Daniel Traça confirmou que “a relação que se faz com os doadores faz-se através desta fundação, que partilha muita da gestão da escola com a faculdade”. Além disso, “no conselho de faculdade da Nova SBE, estão presentes membros externos, muitos deles também com ligações aos doadores”, indicou.

Daniel Traça recandidata-se a novo mandato. Mas poderá ter concorrência

Com as eleições para um novo mandato a aproximarem-se, Daniel Traça reforçou o compromisso de dar continuidade ao projeto da Nova SBE. Questionado sobre a recandidatura, o atual dean mostrou ambições de ir a jogo.

“Há muito trabalho a fazer. A escola fez este trabalho enorme para ter este campus. Muitos de nós trabalhámos nisto para obter este sucesso. Assumimos este compromisso para a sociedade portuguesa, com as 40 empresas que doaram, com as 1.270 pessoas que doaram pessoalmente para esta campanha. Tiveram confiança em nós, portanto era o que mais faltava agora abandonarmos e não assumirmos a responsabilidade”, atirou Daniel Traça.

Mas poderá não ser o único na corrida. Sobre a existência de outros potenciais candidatos ao cargo, Daniel Traça respondeu apenas com um “não sei”. Só garantiu a sua própria presença: “Vou estar sempre presente e vou estar sempre disponível para a responsabilidade que a sociedade portuguesa, e estas empresas, e os meus alunos em geral, os professores e o staff, me depositaram quando decidimos embarcar nisto”.

  • Paula Nunes
  • Fotojornalista

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