Diretora de recursos humanos explica que EY Portugal tem sentido dificuldades no recrutamento de talento, especialmente na área tecnológica, onde a procura supera a oferta.
Regra geral, todos os meses chegam caras novas à EY Portugal. Ainda em julho, foram 50. Mas setembro costuma ser sinónimo de um pico de contratações, e este ano não será diferente. Em entrevista ao ECO, a diretora de recursos humanos, Teresa Freitas, adianta que está prevista a entrada de 200 recém-licenciados, neste que será o nono mês do ano.
Aos profissionais recrutados para o ramo português da EY, têm-se juntado, além disso, por períodos mais ou menos longos, colegas de outros escritórios além-fronteiras, que vêm conhecer Portugal, ao abrigo do programa de mobilidade internacional. Aliás, adianta Teresa Freitas, entre os países da União Europeia, Portugal “é aquele que tem recebido mais EYers de outros países e aquele que tem o número mais elevado de candidaturas“.
Por outro lado, a diretora de recursos humanos assegura que a EY Portugal tem apostado na diversidade no recrutamento e gestão de talento. E nem mesmo as orientações de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, têm levado a um recuo destas políticas, apesar de a consultora ter presença nesse país.
No que diz respeito especificamente à diversidade de género, Teresa Freitas assinala que Portugal é hoje o melhor na turma europeia, no universo EY, já que mais de metade da equipa é do género feminino. Ainda assim, no topo do topo, ainda há caminho a fazer. Entre os sócios, a paridade ainda não foi atingida, mas essa jornada está em curso, sinaliza a responsável.
Tínhamos muito este pedido por parte das universidades e dos alunos universitários e, este ano, tomámos a decisão de termos, pela primeira, vez um programa tradicional de estágios de verão na EY
Pela primeira vez, este ano, a EY está a promover estágios de verão (entre julho e setembro). Por que é que decidiram lançar este novo programa?
A EY não tem tido um programa tradicional de estágios de verão, porque coincide sempre com o período de férias e entendemos que não conseguíamos dar o acompanhamento de modo a proporcionar uma experiência excecional de aprendizagem. Mas o negócio cresceu, a própria estrutura também cresceu e isso permite-nos agora termos pessoas que acompanhem os estagiários durante o período de verão, garantindo que é uma experiência enriquecedora para eles e uma mais-valia. Tínhamos muito este pedido por parte das universidades e dos alunos universitários e, este ano, tomámos a decisão de termos, pela primeira, vez um programa tradicional de estágios de verão na EY.
Que contornos tem este novo programa?
Temos várias posições dentro de cada uma das nossas quatro áreas de negócio: auditoria, fiscal, estratégia e transações, e consultoria. Todas estas áreas estão a receber estagiários de verão, que estão a ser acompanhados durante este período por executivos e pelas equipas das diversas áreas. Os estágios têm a duração de um mês.
Quantas candidaturas receberam?
Recebemos cerca de mil candidaturas. Tivemos de definir critérios de seleção, porque não tivemos tantas vagas como as mil candidaturas que recebemos.
Quantas vagas abriram este ano?
O número de vagas difere de área de negócio para área de negócio. Não tenho presente o número total.
Esta iniciativa também serve, de alguma forma, para robustecer a vossa marca empregadora junto da população mais jovem e dos universitários?
Esta iniciativa vem dar resposta a um pedido dos próprios estudantes universitários. É uma oportunidade para eles terem um primeiro contacto com o mundo de trabalho, com uma empresa de serviços profissionais, e com estar numa equipa a produzir um output para os problemas que os nossos clientes nos colocam.
A nossa perspetiva é poder vir a integrar os melhores [estagiarios]. Contratamos cerca de 600 pessoas por ano. Vagas não nos faltam para preencher na EY.
A ideia é converter estes estagiários de verão, depois, noutro tipo de posição? Qual é a vossa perspetiva?
A nossa perspetiva é poder vir a integrar os melhores. Contratamos cerca de 600 pessoas por ano. Vagas não nos faltam para preencher na EY, também muito fruto do crescimento do negócio. Todos aqueles que completarem o seu estágio de verão com sucesso e tenham o perfil que procuramos – e que o próprio estágio tenha correspondido às suas ambições e às suas expectativas –, teremos toda a possibilidade de os integrar, depois, permanentemente, numa das nossas áreas de negócio.
Na Conferência Anual do Trabalho, a chief happiness officer da EY adiantou que muitos dos trabalhadores de outros países têm mostrado interesse em vir para o escritório em Portugal. O que é que faz de Portugal um destino de trabalho atraente?
Portugal está na moda, não só para as EY dos outros países europeus, mas para viver, visitar, e fazer turismo. Portugal era uma espécie de joia escondida, que foi descoberta. Temos tido cada vez mais estrangeiros a quererem vir para Portugal. Temos um programa de mobilidade internacional dentro da EY, tanto de curta duração como de longa duração. Damos a possibilidade das nossas pessoas dentro da EY Portugal fazerem um programa de mobilidade fora do país, mas também recebemos pessoas de outras EY. De todos os países da União Europeia, Portugal é aquele que tem recebido mais EYers de outros países e aquele que tem o número mais elevado de candidaturas, porque é um país seguro, à beira-mar, e o nosso escritório convida e torna esta experiência do programa de mobilidade ainda muito mais agradável.
Sendo profissionais da União Europeia, as dificuldades na obtenção de vistos que outras empresas têm relatado não se aplicam à EY.
São maioritariamente de países da União Europeia, portanto, não se coloca qualquer limitação do ponto de vista do visto. Contudo, também temos, por exemplo, pessoas da EY a realizarem o programa de mobilidade nos nossos escritórios de Nova Iorque, com a duração de um ano. Ou seja, também podemos receber EYers de fora da União Europeia e temos uma equipa que trata de todos os processos de vistos e de legalização.
Nesses casos, têm sentido dificuldades?
É um processo mais demorado. Não é tão célebre quanto gostaríamos, mas o facto de termos uma equipa especializada em migração dentro da EY ajuda a encaminhar estes processos.
Disse que Portugal está na moda como destino, nomeadamente, de trabalho. E os portugueses que escolhem fazer programas de mobilidade, que destinos têm escolhido, na EY?
Nova Iorque é muito apetecível. Dentro da União Europeia, falamos de países como a Dinamarca, o Luxemburgo, a Suíça e a Alemanha. Tipicamente, tendem a ser estes os destinos.
Temos 200 contratações previstas para o mês de setembro. É o momento do ano em que temos o maior pico de recrutamento de jovens recém-licenciados vindos diretamente das universidades.
Qual é a importância deste programa de mobilidade para a fidelização das vossas pessoas?
Contribui muito para o compromisso e para a retenção das nossas pessoas, porque, se não déssemos esta oportunidade internacional, significaria que elas iriam procurar esta oportunidade lá fora. Assim, não têm a necessidade de procurar essa oportunidade fora da EY.
Já disse que o negócio e as equipas da EY Portugal têm crescido. Quais são as perspetivas, em termos de recursos humanos, para o último semestre do ano?
Temos novas contratações previstas. Temos 200 contratações previstas para o mês de setembro. É o momento do ano em que temos o maior pico de recrutamento de jovens recém-licenciados vindos diretamente das universidades. Não obstante, mensalmente, também costumamos recrutar. Em julho, por exemplo, entraram 50 pessoas na EY. Portanto, temos grandes picos de recrutamento em setembro e janeiro, mas todos os meses temos cerca de 30 a 50 pessoas a entrar na EY.

Têm sentido dificuldade em encontrar esse talento? Outros setores queixam-se de escassez de recursos humanos.
Sentimos. O nosso recrutamento é cada vez mais diversificado. Está mais do que provado que equipas diversas atingem melhores resultados. Tipicamente, cerca de 70% dos nossos recrutamentos têm um background de business and administration, e depois temos 30% de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Recrutamos também perfis de marketing, e de Direito.
Em que área sentem maior dificuldade no recrutamento?
Na tecnologia, porque é uma área em que há muita procura e pouca oferta. Aí, temos um time to hire um pouco mais longo do que os perfis se calhar mais tradicionais.
Tivemos recentemente o “EY AI Challenge”. Até à data foi o maior hackathon de inteligência artificial alguma vez realizado por uma empresa em Portugal.
Têm aplicado alguma estratégia para contornar essas dificuldades?
Sim. Por exemplo, tivemos recentemente o “EY AI Challenge”, que foi um hackathon de inteligência artificial. Até à data foi o maior hackathon de inteligência artificial alguma vez realizado por uma empresa em Portugal. Conseguimos reunir 150 estudantes oriundos de todas as principais faculdades de tecnologia do país. Passaram um dia connosco a desenvolver seis casos de inteligência artificial, com problemas que os nossos próprios clientes nos colocam. Estiveram a trabalhar em equipa e o feedback foi muito positivo, não só porque tiveram a oportunidade de desenvolver o seu networking e trabalhar com pessoas diferentes e que não são da universidade onde estão a estudar, mas também porque estiveram a trabalhar em casos reais.
Julgo que, destes 150, dez foram selecionados para os estágios de verão sobre os quais já falámos.
Exatamente. Os dez melhores tiveram como prémio a possibilidade de realizarem um estágio de verão na EY. Confesso que foi difícil escolher estes dez melhores. Já tínhamos feito aqui um screening muito apertado. Portanto, estamos a falar de 150 alunos, de facto, brilhantes do ponto de vista académico e do ponto de vista intelectual. Tivemos um bom problema para resolver.
De que forma é que a EY pode convencer esses alunos de que é um empregador interessante face a outras empresas conhecidas na área da tecnologia em concreto?
Nada melhor do que lhes mostrar em primeira mão, que foi um dos objetivos deste hackathon.
Disse que o recrutamento da EY é cada vez mais diversificado. Nos Estados Unidos, o Presidente, Donald Trump, tem atacado as políticas de DEI das empresas. A EY também tem presença nesse país. Significa que as vossas práticas de diversidade podem estar em risco?
Contrariamente àquilo que foi a tendência que se observou nos Estados Unidos e às orientações do Presidente, a EY segue as suas políticas de diversidade como sempre seguiu. A diversidade é um pilar fundamental. Sempre foi e incide em quatro pilares. Primeiro, a diversidade de género: Portugal é um best in class nos países da União Europeia, porque a EY Portugal tem 52% de mulheres e 48% de homens. Em segundo lugar, diversidade em termos de incapacidades. Depois, a diversidade de background cultural e socioeconómico. As pessoas na EY contam por aquilo que entregam e não de onde vêm. Por fim, a diversidade de orientação sexual.
Disse que Portugal dá o exemplo na diversidade de género. E nas lideranças, também há essa paridade?
Conseguimos manter esta paridade de género até praticamente ao topo da organização. Quando olhamos aqui para a população de partners, ainda não estamos nos 50-50, mas estamos 40-60. Este é o desafio que nos falta: termos esta paridade de género no topo do topo da pirâmide dentro da EY.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
EY contrata 200 recém-licenciados em setembro. “É o maior pico de recrutamento do ano”
{{ noCommentsLabel }}