“Há três grupos de aviação interessados na TAP”premium

Pedro Nuno Santos considera que TAP tem de integrar um grupo de aviação internacional. Rejeita um negócio com fundos e admite que o grupo BA/Iberia poderia ser um problema por causa do hub de Madrid.

A Comissão Europeia aprovou o plano de reestruturação da TAP foi aprovado e agora será necessário avançar para a sua execução. Em entrevista ao ECO no dia seguinte a ser conhecida a decisão de Bruxelas, o ministro das Infraestruturas defende a integração da TAP num grupo de aviação internacional, mas deixa perceber que o Estado deve manter uma posição acionista, como acontece com o Estado francês e holandês na Air France/KLM.

Já afirmou que a TAP não poderá continuar isolada. Qual é o perfil mais desejável para um parceiro internacional?

O plano de reestruturação é muito exigente. Aquilo que nós estamos a fazer na TAP nunca foi feito antes, mas que a pode colocar num patamar de viabilidade da TAP. E qual é a maior prova disso? São os interessados que a TAP tem. Posso dizer, em termos genéricos, o que ainda não disse. São três fundos e três grupos de aviação. Mas sem margem de dúvida nenhuma, o mais desejável são empresas do setor da aviação. Eu espero e desejo que qualquer governo que queira privatizar a TAP não entregue a companhia a fundos ou a algum empresário sem capacidade financeira para ter uma empresa de aviação, isso seria um desastre. Integrada num grupo de aviação, tem que ser com regras e com um contrato parassocial muito firme, aliás, como o Estado francês e o Estado holandês garantiram, isto é, preservar sempre o hub em Portugal.

A discussão sobre uma venda ou não deve ser assumida politicamente. Nós consideramos que a TAP deve integrar-se num grupo de aviação, isso já é alguma coisa, mais do que isso é fragilizar uma futura negociação da TAP.

Pedro Nuno Santos

E nesse cenário, admite a privatização de 100% da TAP?

Não quero dizer mais nada sobre isso, por uma razão muito simples. Uma das coisas que a Comissão Europeia faz com muitas empresas, erradamente, é a imposição de datas para a venda. Felizmente, por razões de negociação, conseguimos que não fosse aplicado na Groundforce, Cateringport ou ME Brasil, e muita gente achava que seria também imposto [um calendário] para a própria TAP, mas não foi. E não foi porque o pior que se faz do ponto de vista de uma relação negocial é o potencial comprador saber que quem quer vender tem mesmo de vender.

A discussão sobre uma venda ou não deve ser assumida politicamente. Nós consideramos que a TAP deve integrar-se num grupo de aviação, isso já é alguma coisa, mais do que isso é fragilizar uma futura negociação da TAP.

O senhor ministro sabe os grupos industriais de aviação querem ter o controlo da gestão e a maioria do capital, senão mesmo a totalidade. Vê como possível um modelo em que o Estado mantenha um modelo de parceria semelhante ao que tinha com David Neeleman?

[silêncio]

Não se iniba...

...inibo-me, inibo-me. Há relações societárias que eu acho que são más para o Estado e para o privado. Acho que devem ser claras. Conseguimos a aprovação de um plano de reestruturação, temos de o implementar, a maior parte dos grupos de aviação ainda está impedida de fazer aquisições...

A Lufthansa já pode.

A Lufthansa não...

E a Air France/KLM está em vias de poder.

Espero bem que também consigam a breve prazo, porque não queremos ter um interlocutor apenas.

É fácil identificar os três grupos potenciais. E a BA/Iberia?

Obviamente, sei bem qual é a diferença entre os três [grupos de aviação] e sei bem qual é o hub que mais concorre connosco.

É o de Madrid, portanto...

Não é portanto... Não excluímos ninguém, nem eu disse que eram esses três grupos, nem digo que não são. Quantos mais interessados tivermos a relacionarem-se com a TAP, melhor. Quando mais disputada for a TAP, melhor para a TAP e para o país. Se tivéssemos mais cuidado na forma como fazemos parcerias no passado, as nossas empresas estavam melhor.

É credível considerar que a privatização poderá ocorrer no período do plano de reestruturação, até 2024?

Posso dizer que a capitalização da TAP tornou a companhia muito mais valiosa. Mais uma vez, não estou a assumir que queremos privatizar o que quer que seja...

...não vale a pena jogar com as palavras. Um acordo de code share não é integrar a TAP num grupo internacional.

Efetivamente, não é. E também não quero estar com jogos de palavras, embora haja vendas ou fusões, modelos diferentes que permitem que o Estado português mantenha uma posição. Olhamos para a KLM/Air France e vemos que o Estado francês tem neste momento 30%, mas vai reduzir, e o holandês tem 6% ou 7%. Mas eu não posso dizer nada que tiram logo conclusões.

Mas qual é o calendário? O do plano de reestruturação?

Não é impossível, mas é difícil. Mesmo que estas empresas possam, já todas, entrar em negociação, e é um processo demorado. Acho que um ano não é suficiente. Quer de due diligence, a própria [nova] configuração parlamentar. Há um conjunto de elementos que são muitos importantes, não é impossível, mas...

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