LLYC quer contratar 500 talentos. “O Challengers prevê o aumento de 10% do salário inicial dos consultores júnior”

A consultora de comunicação quer crescer no volume de negócios e para isso quer contratar os jovens talentos que necessita para dar respostas às novas exigências dos clientes.

A LLYC tem um plano de recrutamento de jovens talentos: em dois anos, a consultora de comunicação quer recrutar mais de 500 jovens profissionais através do programa Challengers, aumentar em 10% o salário de entrada dos consultores juniores, acelerar a sua evolução de carreira dentro da consultora e libertar 15% do seu tempo de trabalho para formação ou colaboração com parceiros. Em Portugal, onde a LLYC trabalha contas como Sonae Sierra, Abanca ou Leroy Merlin, o programa prevê, só para este ano, 10 jovens talentos a integrar a consultora.

A aposta no jovem talento, através do programa Challengers, surge um ano depois de a consultora anunciar a intenção de crescer as suas receitas até aos 100 milhões de euros, quer por via orgânica, quer por aquisições, em cinco anos. Em 2021, fechou com um crescimento de 40% nas receitas operacionais, para 53,2 milhões de euros. E este ano, a expectativa é de novo crescimento: para os 84,7 milhões de receitas totais.

Luís Miguel Peña, diretor global de talento da LLYC, e Tiago Vidal, sócio e diretor geral da LLYC em Portugal, explicam os planos da consultora com o novo programa, transversal aos 20 escritórios e mercados onde a consultora está presente. Ao todo, a consultora de comunicação tem cerca de 900 colaboradores.

Luís Miguel Peña, diretor global de talento da LLYC.D.R.

A LLYC quer, em cinco anos, duplicar as receitas, para 100 milhões. De que modo a estratégia de talento está a ser desenvolvida para apoiar essa ambição?

Luís Miguel Peña (LMP): Temos um plano de crescimento ambicioso pela frente e precisamos de contar com o melhor talento para o alcançar. Existem três grandes eixos na estratégia de talento para o alcançarmos. Em primeiro lugar, continuaremos a apostar no desenvolvimento dos líderes seniores que estão em posições de direção (por exemplo, este ano nomeámos cinco novos sócios dentro deste grupo). Em segundo lugar, continuaremos a incorporar os melhores profissionais nos perfis-chave que queremos reforçar. Por último, com o programa Challengers, que acabamos agora de lançar em todos os mercados, queremos acelerar o crescimento dos profissionais mais jovens, que estão nas categorias de início de carreira e que serão os consultores que irão enfrentar os desafios dos clientes nos próximos anos. O nosso empenho em construir carreiras a partir destas categorias iniciais, ao longo dos anos, tem feito com que a maioria dos nossos gestores a nível mundial seja proveniente de carreiras internas. E isso é algo de que muito nos orgulha!

Com o Challengers querem recrutar mais de 500 profissionais nos próximos dois anos. Que perfis procuram? Que iniciativas pensam levar a cabo com a academia? O que está previsto já para 2022?

LMP: Procuramos diversos talentos e perfis muito diferentes: além dos diferentes ramos da comunicação (jornalismo, PR, marketing, publicidade, etc.), precisamos de engenheiros, analistas de dados, etc. O contexto em que nos movemos mudou muito, e o que fazemos para as marcas ou para as companhias obrigam-nos a ter perfis que não tínhamos há cinco anos. Mas se há algo em comum a esta diversidade de perfis é a busca de pessoas com capacidade de aprendizagem, inconformados e com agilidade mental para a procura de soluções criativas perante os desafios colocados pelo mundo atual.

Dada a amplitude de perfis que procuramos na LLYC, aumentámos a colaboração e proximidade com as universidades. Para isso ampliámos a nossa presença em fóruns, masterclasses, etc. acompanhando e partilhando conhecimento. O programa Challengers tem uma das suas chaves na relação com universidades, porque os nossos Jovens talentos provêm das melhores escolas.

Queremos acelerar o crescimento dos profissionais mais jovens, que estão nas categorias de início de carreira e que serão os consultores que irão enfrentar os desafios dos clientes nos próximos anos.

Luís Miguel Peña

Diretor global de talento da LLYC

Operando em várias geografias, de que modo esse programa se vai implementar nos diversos mercados e, em concreto, em Portugal?

Tiago Vidal (TV): O ponto-chave deste projeto é a aposta na captação e retenção de talento jovem e para tal temos de estar perto das melhores universidades para captar o melhor talento. Isto já acontece em Portugal sendo que internamente estamos organizados para receber este talento e conseguir acelerar o seu desenvolvimento. Portugal tem crescido a sua atividade todos os anos e isso implica o crescimento da nossa equipa. Em 2019 éramos 22 e de momento temos mais de 30 colaboradores. Temos duas pessoas a integrar o programa em breve, sendo que a expectativa base serão pelo menos quatro em 2022, sempre com a possibilidade deste número crescer de acordo com a atividade da empresa. Neste momento já temos incluído neste programa seis colaboradores. No plano a dois anos, [o número de talentos a integrar] dependerá sempre do crescimento da empresa e das necessidades do momento.

A nossa grande aposta para 2022 é o crescimento das áreas de assuntos públicos e de deep digital business, áreas de especialidade que consideramos serem cada vez mais essenciais para prestarmos um serviço transversal e de qualidade aos nossos clientes e que necessitam de talento específico.

O programa prevê aumentar em 10% o salário no nível de entrada. Que impacto, se algum, terá nas remunerações dos restantes quadros?

LMP: O programa prevê o aumento de 10% do salário inicial dos nossos consultores júnior, mas o mais relevante é que também está previsto o aumento salarial a cada seis meses para os profissionais desta categoria, juntamente com uma avaliação e feedback constantes sobre o seu plano de carreira até serem consultores. O programa Challengers concentra-se em eixos específicos para as categorias iniciais e em acelerar o desenvolvimento da sua carreira durante os primeiros anos na LLYC. As restantes categorias têm planos de carreira individualizadas, nas quais os profissionais crescem à medida que assumem novos e maiores desafios, podendo vir a chegar a sócios da empresa, como aconteceu este ano com cinco dos nossos executivos em diferentes países onde temos presença.

Passa ainda pelo “acelerar as carreiras profissionais”. De que modo isso se vai concretizar?

LMP: Um dos principais objetivos é impulsionar a carreira profissional e proporcionar os recursos e ferramentas necessárias para que os profissionais destas categorias atinjam todos os seus objetivos. Por esta razão, uma das chaves é reduzir os períodos de permanência nas categorias, fixando um período de permanência máxima de 18 meses para a transição de consultor júnior para a categoria de consultor. Durante esse tempo haverá avaliações e feedback sobre a carreira individual, associados a aumentos salariais durante a permanência na categoria.

Quadros iniciais vão ter 15% do seu tempo de trabalho livre para se dedicar a um propósito. O que está previsto nesse âmbito para os restantes colaboradores?

LMP: Sabemos que o trabalho para um propósito e o crescimento pessoal são fundamentais para os profissionais que queremos ter entre nós. É por isso que vamos atribuir 15% do dia de trabalho das categorias iniciantes como tempo de desenvolvimento profissional e pessoal (formação, voluntariado, inovação…) relacionado com o propósito da LLYC. Estamos convencidos de que uma comunicação honesta, inteligente, inovadora e eficaz ajuda a gerar confiança e entendimento entre as pessoas, empresas e instituições, pilares sobre os quais assenta o progresso económico e social.

Conferência “Trabalho, esse lugar estranho” - 25MAR21
Tiago Vidal, Llorente y CuencaHugo Amaral/ECO

Com a pandemia têm vindo a ser adotados novos modelos de trabalho. No vosso caso, qual o adotado?

TV: O mundo do trabalho mudou e abriu as portas à oportunidade para a criação de novos modelos de trabalho com um impacto positivo – seja nas empresas, seja nas pessoas, seja na sociedade como um todo.

No caso da LLYC, optámos por um modelo híbrido, que nos dá o melhor dos dois mundos. Na fórmula que implementámos em todos os mercados, sempre ajustado ao contexto pandémico de cada país — e que colocámos em interregno neste período de contenção anunciado pelo Governo, colocando todos os nossos colaboradores em teletrabalho — três dias são passados no escritório e dois dias são passados em casa. Gerimos a nossa semana para que os dias que passamos no escritório sejam dedicados a tarefas que envolvem grupos de trabalho, de interação com a equipa, reuniões com clientes, entre outros, e deixamos os dois dias em casa para tarefas que exigem um maior foco e concentração.

Na nossa ótica, ambas as opções têm as suas mais-valias. Estar em casa permite aos nossos colaboradores usufruir dos seus dias com uma maior flexibilidade entre as suas tarefas profissionais e pessoais.

Contudo, consideramos que estarmos presencialmente uns com os outros é imprescindível. Nos confinamentos foi impossível não sentirmos um vazio pela falta de contacto humano entre as nossas equipas e com os nossos clientes. Estar junto proporciona momentos espontâneos de cocriação, de partilha, de colaboração e de celebração. E esses momentos são algo que queremos fomentar sempre, ajudam-nos no nosso bem-estar, na nossa produtividade e na nossa criatividade.

Considero que este regime híbrido é o caminho do futuro e é o que resulta numa equipa mais motivada e feliz no seu trabalho.

Optámos por um modelo híbrido, que nos dá o melhor dos dois mundos. Na fórmula que implementámos em todos os mercados, sempre ajustado ao contexto pandémico de cada país — e que colocámos em interregno neste período de contenção anunciado pelo Governo, colocando todos os nossos colaboradores em teletrabalho — três dias são passados no escritório e dois dias são passados em casa.

Tiago Vidal

Sócio e diretor-geral da LLYC Portugal

O tema dos benefícios e do melhor equilíbrio vida & trabalho ganharam visibilidade. Como na LLYC estão a gerir esse assunto, que medidas implementaram?

TV: Já temos há bastante tempo um conjunto de benefícios para além da componente salarial, nomeadamente tickets Educação, seguros de saúde ou telecomunicações. O equilíbrio entre vida e trabalho faz com que os nossos colaboradores estejam mais motivados e felizes, o que consequentemente contribui para que seja elaborado trabalho de maior qualidade. Privilegiamos o bem-estar dos nossos colaboradores e queremos que estes possam incluir o trabalho na sua vida e não viver para trabalhar. Especificamente neste programa, fomentamos diversas iniciativas que têm como objetivo, precisamente, proporcionar aos colaboradores mais jovens um crescimento profissional alicerçado no seu bem-estar e no desenvolvimento de diversas valências.

Voltando aos objetivos de crescimento. O mesmo seria por via orgânica, bem como aquisições. Já anunciaram várias compras. Em Portugal como está esse processo?

TV: 2021 foi um ano de aquisições e de crescimento para a empresa, crescimento esse enquadrado no nosso objetivo de duplicar a sua dimensão nos próximos cinco anos em todos os nossos mercados.

Começámos com a aquisição da Apache, em maio, uma consultora de performance e marketing digital, especializada em contribuir para a transformação e o crescimento do negócio dos seus clientes. Esta operação foi um dos grandes impulsionadores do aumento dos nossos serviços de deep digital business que, como já referi, será uma das nossas principais apostas no futuro e permite-nos inclusive trabalhar projetos em Portugal neste tipo de projetos para os nossos clientes.

Em julho adquirimos a China, a quarta agência de publicidade melhor classificada pelos clientes em Espanha, aquisição que fomentou o nosso espírito criativo e permitiu desenvolvermos um tipo de comunicação basilada nos pilares da consultoria e da criatividade. Por fim, em setembro, foi a vez da Beso, uma agência criativa mexicana focada em data-predictive. Mais uma grande aposta em deep digital business, agora do outro lado do globo. Com esta operação triplicámos a nossa dimensão no México.

Em Portugal também estamos atentos a possíveis aquisições que possam acrescentar valor seja no mercado português, seja a nível global. Contudo, operamos transversalmente, pelo que atualmente já trabalhamos de forma muito próxima tanto com a Apache como com a China.

Ao nível de faturação, qual o resultado de 2021 e o que estimam para 2022?

TV: Cumprimos os objetivos estabelecidos no nosso plano estratégico, apesar de todo o contexto económico em que nos inserimos. Os nossos resultados preliminares, ainda pendentes do relatório final de auditoria, são muito positivos e respondem à nossa ambição de crescimento. Tivemos um total de receitas no valor de 62,8 milhões de euros, um valor recorde para nós. Este valor representa um crescimento de 40% quando comparados estes resultados com os de 2020. As receitas operacionais ascenderam aos 53,3 milhões de euros, também 40% mais do que no exercício anterior. Já o EBITDA recorrente melhorou 51% para os 12,7 milhões de euros. A Região Europa (Lisboa, Madrid e Barcelona) contribui para 42% das receitas operacionais e 51% do EBITDA.

Destacava o peso que as aquisições que fizemos este ano tiveram neste resultado. A Apache Digital e a China representam 21% das receitas europeias e a Beso contribuiu com metade da faturação da região Norte da América Latina – México, Panamá e República Dominicana.

Para 2022 as nossas perspetivas de crescimento mantêm-se. Prevemos um forte crescimento dos nossos resultados, sendo que o orçamento aprovado prevê um aumento de 35% nas receitas totais para os 84,7 milhões de euros. Estamos confiantes e, no que depender de nós e do trabalho e compromisso de todos os nossos colaboradores, iremos cumprir estes objetivos.

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