“Trazer turcos e chineses” para a construção é a “pior forma” de resolver problema no setor

António Carlos Rodrigues diz que construção industrial pode reduzir necessidade de mão-de-obra para um terço e argumenta que construção nova "vai ter menos qualidade" do que há 20 anos.

O setor da construção sofreu um “estigma” nos últimos 15 anos que conduziu a um desinvestimento no setor, que está a contribuir para a crise que se vive hoje no setor em Portugal, argumenta António Carlos Rodrigues. Para o CEO da Casais, que é também presidente do conselho de fundadores da Fundação da Construção, a situação do setor foi ainda agravada pela falta de mão-de-obra, um problema que rejeita que possa ser resolvido com recurso a empresas chinesas e turcas. “Em vez de darmos a oportunidade para as empresas [portuguesas] crescerem, vamos passar essa riqueza para fora” do país. “É a pior forma de gerir esta necessidade e este processo”, atira.

António Carlos Rodrigues admite que as construtoras portuguesas precisam de recorrer a trabalhadores estrangeiros, mas alerta que a necessidade não será sempre a mesma, apontando a construção industrial como uma solução tanto para reduzir a necessidade de mão-de-obra, como para responder à necessidade de habitação, comparando esta construção — feita maioritariamente em fábrica — com um smartphone. “A construção que fizermos na data de hoje vai ter menos qualidade”, atira, destacando que na construção industrializada “o rigor é maior”.

Com perto dos 20% da construção de edifícios industrializada, o empresário admite chegar a 35%/40% de obra em construção industrial no próximo ano. Mesmo assim garante que “nunca” vai abandonar a construção tradicional.

Portugal enfrenta uma crise na habitação. Vê na construção industrial uma solução para este problema?

Durante os últimos 15 anos, desde 2008, acabámos por recuar bastante daquilo que o setor fazia, com a crise que iniciou nessa altura. Houve algum estigma contra as empresas de construção e houve um desinvestimento na indústria. Estamos a viver também os resultados desse desinvestimento. Por outro lado, apareceram uma série de outras funções e de outro tipo de trabalhos, mais na área dos serviços. O turismo tem estado a crescer, não é só também em Portugal. A área dos serviços, nomeadamente as tecnologias digitais, também tem estado a aumentar, o que cria uma alternativa a quem está na construção, para estar neste setor: andar ao frio, à chuva e constantemente deslocado.

Houve nos últimos 15 anos uma fuga para outros setores, o que faz com que o setor cada vez tenha menos acesso à mão-de-obra qualificada. Se não temos mão-de-obra, porque as pessoas têm alternativas — não é em salário, porque na construção, em média, paga-se melhor do que numa caixa num supermercado ou um rececionista num hotel, mas do ponto de vista de estabilidade do local de trabalho, não tem essa imprevisibilidade de ter de mudar de sítio todos os dias ou quase todos os meses.

Nos últimos 15 anos houve algum estigma contra as empresas de construção e houve um desinvestimento na indústria. Estamos a viver também os resultados desse desinvestimento.

Mesmo recebendo mais, as pessoas já não estão disponíveis a aceitar essa instabilidade?

Há um conjunto de fatores que fizeram com que se tornasse mais difícil essa atração, retenção do trabalho da construção civil. Faço uma comparação equivalente à agricultura. Se olhar a quantidade de alimento que é produzido por unidade de tempo de uma pessoa, no caso da agricultura, se não for mecanizada, não for industrializada, a quantidade por hora de produto é baixíssima. Não chegaria para alimentar o mundo. Se não tivesse havido esse processo de industrialização da agricultura, o mundo já não se alimentava há muito tempo. A construção é igual. A industrialização e a mecanização faz com que uma hora de um trabalhador se transforme, não na execução da colocação de um azulejo, mas eventualmente da colocação de uma parede inteira, porque está a operar uma máquina que está a fazer o trabalho árduo e a fazer em repetição e com mais rapidez.

A industrialização é suficiente para resolver este problema de mão-de-obra?

A resolução da menor necessidade de mão-de-obra consegue-se através da industrialização e, além disso, conseguimos fazer com que o valor de uma pessoa incremente. Consigo pagar um salário melhor a alguém que produz 100 paredes do que alguém que só produz uma porque está a fazê-lo de forma manual. O outro efeito positivo é reduzir a necessidade de trazer tanta mão-de-obra. Vamos precisar na mesma, mas reduzimos a quantidade.

Se fizer um paralelismo entre aquilo que foi a necessidade da nossa mão-de-obra para a residência de Beja, em vez de 300 pessoas, bastou-nos ter 90. Reduzimos para um terço. Se aplicamos isto a todas as obras que forem necessárias nos próximos anos, reduzimos a tensão e a necessidade de trazer mão-de-obra.

A expectativa é reduzir para um terço a necessidade de trabalhadores com a construção industrial?

Sim, acho que é razoável. Estamos a falar na obra, é um terço, mas houve mão-de-obra em fábrica. Mas é a tal mão-de-obra que está também num ambiente controlado, climatizado, mais estável. Não está exposta àqueles fatores de instabilidade [da construção]. Produz mais, é mais fácil treinar, é mais fácil formar. Além disso estamos a investir em ativo fixo, tangível, que são as fábricas. Em vez de estarmos a transformar dinheiro em obra, fica criada mais riqueza porque estamos também a fazer fábricas, que podem exportar e captar valor na área da construção de outros mercados se estiverem a exportar.

[Trazer empresas turcas e chinesas para a construção] é a pior forma de gerir esta necessidade e este processo, porque nos países onde estas empresas se instalam trazem literalmente tudo do seu próprio país.

Sobre a mão-de-obra, está-se a falar erradamente que é preciso trazer turcos, chineses. Tenho visto isso de uma forma assumida. Veio agora uma comitiva de empresas turcas a Portugal, a convite do governo, e tem estado a ser feito o mesmo com empresas chinesas. É a pior forma de gerir esta necessidade e este processo, porque nos países onde estas empresas se instalam trazem literalmente tudo do seu próprio país.

Não é só os trabalhadores?

Não é só os trabalhadores. Vão trazer tudo de lá. É o dinheiro do nosso Governo, ou seja, dos nossos contribuintes, que em vez de deixar a riqueza cá, vai estar a transferir a riqueza lá para fora. Em vez de darmos a oportunidade para as empresas crescerem, vamos passar essa riqueza para fora. Quem vai receber os salários vão ser os chineses ou os turcos, porque vêm literalmente com a mão-de-obra de lá. A única coisa que fica cá é a Segurança Social que vai cobrar dos trabalhadores que estiverem cá a trabalhar, mas como muitos deles são trabalhadores vindos da China ou da Turquia, vão estar declarados pelo salário mínimo. Não vão sequer pagar IRS porque estão no escalão mínimo. Há alguma Segurança Social e pouco mais. De resto, vai tudo para estes outros países.

Mas continuamos a precisar de mão-de-obra estrangeira, ou não?

Continuamos, mas o caminho que devia estar a ser seguido é aproveitar toda a capacidade que as empresas portuguesas têm e muitas têm atividade no Brasil, em Angola, em Moçambique e em tantos outros países. Há dias estava a falar com uma empresa que tem 200 eletricistas em Moçambique, uma empresa que tem 200 eletricistas em Moçambique, tem muita mais capacidade de trazer 50 para responder aqui a uma necessidade de pico, ou de contratar lá e treinar lá e trazê-los para cá. Depois quando o pico de trabalho aqui se esgotar, voltam ao seu país de origem, mais bem formados e passam a ser uma grande ajuda para uma empresa portuguesa no país de origem dos próprios trabalhadores.

O canal para trazer pessoas [para responder a esta procura adicional] devia ser [através] das nossas empresas, ponto número um. Ponto número dois, através das escolas de formação profissional binacionais, ou seja, que sejam detidas por Portugal e Angola, Portugal e Cabo Verde, Portugal e Moçambique. Eles precisam dessas escolas e nós também precisamos. Conseguimos dar resposta a estes picos de procura dessa forma, e acho que era uma forma muito mais sustentada.

As pessoas vinham para cá pela mão das empresas, com qualificação, e davam a resposta de pico, que é durar agora cinco, seis, sete anos. Quando [esse pico] regredir, essas pessoas continuam a ser parte de um grupo empresarial.

Quantos trabalhadores tem hoje a Casais?

Cerca de sete mil.

Daqui a dez anos, vê a Casais com sete mil ou com um terço desses trabalhadores?

A forma de crescer é ganhando competência e capacidade para fazer mais e elevar essas pessoas para fazer um trabalho mais qualificado. Quando uma pessoa começa como aprendiz, a expectativa não é ficar como aprendiz a vida toda. Quer passar de aprendiz para gerente de equipa, para encarregado, para diretor de obra, seja o que for. Há toda uma escadinha que pode subir. Qualquer pessoa que esteja a trabalhar no nosso grupo, no ano seguinte, dois anos depois, vai querer estar numa posição superior.

Estas sete mil pessoas [do grupo Casais], num ambiente mais industrializado, fazem com que a empresa fature três vezes mais.

Por isso, também precisamos de crescer. O crescimento para nós é uma forma de dar uma oportunidade às pessoas para fazerem um trabalho mais qualificado. O que imagino é que estas sete mil pessoas, num ambiente mais industrializado, fazem com que a empresa fature três vezes mais.

A industrialização serve para responder, tanto à falta da mão-de-obra, como à falta de novas casas e à urgência de nova habitação?

Há um outro fator. Num mundo em que se fala de sustentabilidade, é irracional pensar que algo tão importante como uma casa, uma escola, um tribunal, um edifício, que é construído e que requer o esforço de capital, tanto o investimento — não é que a construção clássica seja pior ou melhor que a industrializada, ainda que ache que a industrializada tem mais qualidade porque há mais precisão, mais rigor e menos surpresas — aquilo com que acabamos por ficar quando fazemos um edifício desta forma clássica é uma caixa negra. Se precisar de modificar alguma coisa amanhã, tenho de depender da memória da pessoa que esteve à frente da obra, do encarregado, que acompanhou e sabe exatamente onde pôs os tubos, como é que o fez e, entretanto, se calhar já fez outras 20 e não se lembra como é que a obra está feita.

Estamos a construir ativos que são caixas negras e que são o oposto daquilo que dizemos que precisamos: que são edifícios de economia circular, em que posso reutilizar os materiais, posso modificar sem desperdício, sem gerar entulho. Construção é muito associada a entulho, porque construímos desta forma que não é reversível. Não consigo desmontar, nem sei o que está montado, nem como foi montado.

A industrialização resolve esse problema?

A industrialização traz uma outra componente porque é impossível industrializar se não fizer algum estudo de como devo executar e montar essas peças e como é que elas podem encaixar de uma forma perfeita e com qualidade. O oposto é isto que temos vindo a fazer, que é, cada vez que fazemos um edifício, ele fica. Veem-se casas espalhadas por todo o território e se calhar muitas delas estão devolutas. Deixaram de ter conforto. É custoso adaptá-las, porque não foram pensadas para serem evolutivas, para receber upgrades. No edifício, a fachada, as paredes, o sítio onde ele está, podia durar — e dura — 100 anos. O problema é que o interior não acompanha.

Mas estamos a assistir a um aumento da reabilitação?

Com mais custo. Só que temos um problema. Todas essas casas que são reabilitadas, não têm um projeto guardado, ou se tinham já o perderam. De quem preciso para reabilitar? O mestre-de-obras. Aquele que sabe como é que se faziam as casas há 20 e 30 anos. São os senhores que já se reformaram, já faleceram e já não existem.

É uma profissão em vias de extinção?

O mestre de obra é a pessoa que consegue partir uma parede e decidir o que vai fazer. Não é o arquiteto nem o engenheiro que lhe vai dizer. A reabilitação precisa desse tipo de pessoas, que são as mais escassas. E por isso é muito mais cara. Porque é que temos a gentrificação dos centros urbanos? Porque é quem tem dinheiro. Só quem tem muito dinheiro consegue pagar uma reabilitação. Está a haver reabilitação onde o património imobiliário é mais valorizado que é nos centros das cidades, no centro de Porto, Lisboa, etc. Não vemos na periferia, porque o custo de reabilitar uma casa na periferia é igual ao do centro, só que ninguém paga o mesmo que paga no centro.

Só quem tem muito dinheiro consegue pagar uma reabilitação. Está a haver reabilitação onde o património imobiliário é mais valorizado que é nos centros das cidades.

Apesar dos custos mais elevados, ainda há algum estigma em investir numa casa industrializada?

O Henry Ford dizia, se eu perguntar às pessoas o que é que elas querem, elas diziam que era um cavalo mais rápido, porque nunca tinham visto um carro. É difícil as pessoas dizerem o que querem quando nunca viram. A maior parte das pessoas, se lhe falar numa casa industrializada, se calhar pensa numa casa daquelas que se faz no meio do monte com madeira, pré-fabricadas. E que vem um tornado que lhes leva a casa.

A diferença é entre um telefone daqueles que se tinha que pôr o dedo e discar, ou um smartphone. É um telefone na mesma, só que um é mais inteligente e tem mais capacidades do que o outro e o outro tem mais qualidade. Qualidade no sentido de dizer que é resistente, posso mandar ao chão que não parte. E é verdade que a construção portuguesa sempre teve muita qualidade e sempre esteve à frente de Espanha e de muitos outros países. Na cabeça das pessoas ainda está essa qualidade, mas não é a que vão ter hoje, quando estamos a construir da forma tradicional. As pessoas envolvidas nessa construção não têm um décimo das qualificações que tinham as pessoas que há 20 anos fizeram as casas, se calhar, onde estão a viver hoje. A construção que fizermos na data de hoje vai ter menos qualidade. Na construção industrializada, os materiais são os mesmos, o rigor é maior.

Há capacidade de melhorar a qualidade dos materiais, porque estou a reduzir no desperdício e na mão-de-obra não qualificada. Deixa mais valor para melhorar a qualidade do produto. As fábricas produzem em escala.

O conceito de construção está a mudar?

O azulejo vem de uma fábrica. O soalho, antes de ser instalado, vem de uma fábrica. O pladur vem de uma fábrica. Todos os componentes que instalamos, a porta, o puxador, vêm de uma fábrica. A diferença é que estamos a agregar esses materiais não na obra, mas também numa fábrica. Vamos buscar os materiais que já vêm de outra fábrica qualquer e vamos assemblar com mais rigor, de uma forma mais previsível, num ambiente controlado, e depois aquilo que a pessoa instala, o tal um terço das pessoas que estão na obra, vai instalar um kit. É a mesma coisa que acontece na indústria automóvel. Há uma fábrica que produz os bancos. Quando chega à linha de montagem, ninguém está lá a coser o banco. Depois alguém monta no carro.

A Casais já tem vários projetos de construção industrial. Quanto é que espera que venha a pesar no grosso das obras do grupo no futuro? Quanto pesa hoje?

Temos vários países e todos eles têm o seu próprio modus operandi e as fábricas não é uma coisa que a gente consiga pôr no bolso e transportar para outros locais. Neste momento, as fábricas estão em Portugal. Também temos alguma indústria em Angola.

Se olhar ou isolar para Portugal — e nós fazemos infraestruturas como ferrovia, que não entra nesta conta –, só os edifícios que construímos o ano passado já chegou perto dos 20%. Este ano próximo já esperamos que [a construção industrial] atinja cerca de 35% a 40% dos edifícios. Até pode chegar a metade, ou mais de metade, basta que haja uma aposta forte na habitação e que haja programas para fazer várias habitações, para de repente até pesar mais do que 50%.

O ano passado [a construção industrial] já chegou a perto dos 20%. Este ano próximo já esperamos que atinja cerca de 35% a 40% dos edifícios.

O Governo apresentou um conjunto de medidas para a habitação. São suficientes?

A questão do IVA, o IVA são 17%, 17% é muito dinheiro, a medida é positiva. A dúvida que toda a gente tem é como vai ser aplicado. A simplificação do licenciamento também é importante. Tenho é de ter uma política urbanística mais proativa. Falta de solo com característica no PDM urbano não falta. Agora, esse solo está pronto para construção? Não. Loteamentos infraestruturados prontos para começar a construir habitação, isso há pouco. O que precisamos é mais solo infraestruturado, onde se possa avançar com rapidez para a construção.

E quem pode fazer isso?

São as autarquias. A propriedade em Portugal é uma coisa muito sensível. Não é possível, nos dias de hoje, que uma autarquia não saiba quem são os donos. Há muita gente que tem o património, mas não tem depois o capital para os transformar. É muito simples para mim resolver esse problema, e não estou a dizer que tem de se expropriar a pessoa e despojá-la daquilo que ela tem. A autarquia se fizer o investimento e colocar aquilo no mercado, vai ter alguém que lhe vai pagar o justo valor quando estiver reabilitado. Uma parte é para pagar a obra, a outra parte é para o proprietário. Agora, não pode ficar um imóvel devoluto ao ponto de ruir e pôr em causa a vida das pessoas.

Mas o próprio Estado tem um conjunto de imóveis, muitos deles também devolutos.

Há países, porque não têm edificado, fazem uma avaliação independente da sua floresta para dizer tenho um ativo que vale tanto, por isso emprestem-me dinheiro e eu dou de hipoteca a minha floresta. Se o Estado fizesse uma avaliação do património que tem, tal como fazemos nas barras de ouro, o nosso património do Estado deve ter um balanço muito interessante. Grande parte da poupança de um português está na casa. Endivida-se, sim, durante 20 anos está a pagar, mas no fim desses 20 anos, a casa é dele. O que acontece é que quando as pessoas se reformam, a reforma não é suficiente, mas têm uma casa, só que a casa não liberta fundos no final do mês.

Estão aí na calha algumas medidas, que vão ser positivas para permitir que esse pilar de poupança das famílias portuguesas possa voltar outra vez a estar a libertar valor. Isso é uma medida essencial porque muitas das vezes aquilo que acontece é que os filhos já têm a sua casa, têm a sua dívida, também já têm o seu local para residir e por isso a casa dos pais não vai ser a casa para os filhos, nem para os netos. Voltar a colocar aquele ativo gradualmente no mercado, para outra futura família é essencial.

Está otimista para o setor?

Acho que sim. A dificuldade é depois a rapidez com que conseguimos pôr isto a funcionar no mercado porque são muitas dimensões. A questão do património do Estado requer um processo com as várias entidades que são a defesa, etc., que são donos desse património.

Se depois olharmos para a parte de fazer infraestruturas, é preciso fazê-las, e por isso não é uma resposta imediata. Há sempre o risco, e que no imobiliário aconteceu sempre, que é o efeito chicote: hoje construo para dar a resposta e depois chega uma altura em que tenho sobre-oferta. O mercado sempre funcionou assim, em que esses ciclos fazem com que haja também oportunidades para poder comprar e outros momentos em que as coisas sobem.

Mas estamos numa tendência que é positiva, o país está bem posicionado a nível internacional. Portugal tem boas condições para viver. Qualquer investidor conjuga hoje em dia as duas coisas, se estou a investir numa fábrica num país, se calhar vou investir num sítio onde se vou ter de viajar para ir estando em cima do meu negócio também vou juntar a parte pessoal, do lazer.

Está prevista a construção de novas fábricas, tanto em Portugal como eventualmente noutros países?

A questão das fábricas é uma questão importante porque não estamos a fazer nada que já não tenha sido feito. Já houve duas grandes ondas de industrialização e houve um boom e também houve um bust. Na pós-primeira Guerra Mundial apareceu muita construção industrializada, pré-fabricada. Após a Segunda Guerra Mundial, a mesma coisa. Passados dez anos, desapareceu. E voltámos ao dragão tradicional. Agora já não vamos voltar [atrás], mas é preciso ter alguma cautela. Tem de ser passo a passo. Por mais que nos pareça que há muita procura, há muita necessidade, a partir do momento em que faço uma fábrica tenho de contrair empréstimos, pagar salários. O custo fixo é tão grande que se a fábrica não estiver a produzir, é um prejuízo todos os dias.

Acho que nunca vamos deixar de fazer [construção tradicional] (…) Há espaço para construção nova, mas também há a reabilitação e vai ser sempre a conjugação das duas.

Não estão previstos novos investimentos para aumentar capacidade?

Pelo contrário. Estamos a fazer de uma forma gradual e temos vindo a crescer. Passamos de 2019 de dois mil metros quadrados para o ano passado para 11 mil. Já estamos com mais quatro mil arrendados. Já são 15 mil metros quadrados e a nossa perspetiva é que vá ser a crescer. Mas vamos procurar fazer de uma forma casada com aquilo que é a procura. A parte internacional, sim. Estamos a fazer o nosso caminho, nomeadamente aqui na Europa, porque achamos que a necessidade não é só Portugal, é uma necessidade europeia e sentimos que com o sucesso ou as coisas que fomos fazendo bem, que se abrem portas para fazer lá fora.

Onde?

Nos mercados que são para nós naturais, Espanha, Alemanha, França, Bélgica, Luxemburgo, Suíça, Áustria. Há bocado quando perguntava qual é a percentagem [da construção industrial], se quiser que amanhã seja 100% de obras, é fácil, é uma decisão: não licitamos mais obras tradicionais, só fazemos obras industrializadas.

Fazia sentido essa decisão, neste momento?

Não, não. Acho que nunca vamos deixar de fazer [construção tradicional], até porque o tal património edificado existente, que requer reabilitação, está aí, precisa ser realizado. E essa competência não a vamos querer perder. Há espaço, neste momento, para construção nova, mas também há a reabilitação e vai ser sempre a conjugação das duas.

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