“Vale a pena repensar a existência do Banco Empresas Montepio”premium

Pedro Gouveia Alves defende a extinção do Banco Empresas Montepio, lançado por Carlos Tavares em 2019, e aponta ainda para uma redução da administração do Banco Montepio, se vencer as eleições.

Lançado em 2019 por Carlos Tavares, o Banco de Empresas Montepio pode estar em vias de extinção, caso Pedro Gouveia Alves vença as eleições para a Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG). "Vale a pena repensar se há necessidade de termos um banco específico para empresas ou um serviço robusto, específico e autónomo dentro da própria estrutura do banco", admite o candidato da Lista D em entrevista ao ECO.

Pedro Gouveia Alves, 52 anos, também considera que o tamanho do atual conselho de administração do Banco Montepio "é desadequado e desajustado" para o seu tamanho e pretende reduzi-lo se for eleito presidente da mutualista no dia 17 de dezembro. Não exclui a abertura do capital do banco a mais investidores, mas só a partir do momento em que "houver uma proposta de valor" para a instituição. E deixa mais críticas aos outros candidatos: "Nenhum, nem mesmo o incumbente, tem provas dadas de geração de valor na gestão de empresas".

O banco encontra-se numa situação desafiante. Estando numa situação de rácios em linha com os requisitos regulatório, tem pouco capital para novo negócio e um elevado nível de malparado. Como se vai inverter esta situação tendo em conta que o acionista também não dispõe de grande capacidade para voltar a injetar dinheiro?

Tem de se retirar os ativos improdutivos do banco para libertar capital necessário para continuar a atividade para estes segmentos estratégicos: o Banco Montepio é um banco de famílias, de pessoas, de pequenos negócios e de PME e da economia social, não é um banco de grandes operações, nem de grandes empresas, nem de grandes exposições de crédito. Os associados não querem isso. Não querem que o seu dinheiro seja colocado numa grande empresa ou num grande empreendimento muitas vezes noutra geografia que não Portugal.

É administrador não executivo do banco. Que avaliação faz do trabalho da atual administração?

Vou-me abster de responder a essa pergunta, pois estou sob uma política de gestão de conflitos de interesses e um código de conduta que, eticamente, não me permite responder a essa questão.

Se vencer as eleições, vai reconduzir a atual equipa ou haverá mudanças?

Pautamo-nos por uma transição tranquila, responsável e séria. Em relação à nova equipa, tem de haver uma inequívoca identificação com o mutualismo, pois só é possível manter uma cultura organizacional de grupo se os altos gestores de cada uma das participadas se identificarem com o mutualismo para haver consistência na cultura organizacional no grupo. Tem de ser da confiança da Associação Mutualista, ser competente, ter experiência e temos de privilegiar os quadros internos do grupo. Verificamos que há uma ausência enorme de gestão de carreiras das pessoas dentro do grupo. Voltamos as costas à gestão das carreiras das pessoas. As pessoas andam desmotivadas porque não sabem porque é que amanhã podem ter na sua carreira. Não sabem de que forma podem ambicionar e crescer do ponto de vista profissional dentro do grupo. Uma equipa motivada representa um crescimento de 40% ou 50% dos resultados.

Respondendo à sua questão, haverá seguramente gestores que estão hoje em funções e que devem continuar, haverá outros gestores a quem se deve dar outro desafio e haverá outros que devem ser chamados a participar na gestão. Temos de fazer isso de uma forma competente e séria.

Os nossos associados querem uma equipa em quem confiem para a criação de valor. Os associados atualmente não confiam na atual equipa [da Associação Mutualista] para a criação de valor. E temos uma grande panóplia de candidatos nestas eleições que não se perfilam com capacidade de gestão profissional e capacidade de geração de valor. Desde logo nenhum deles teve a experiência em gerar valor nas diversas empresas.

Está a falar de que candidatos?

Estou a falar de todas as outras listas, incluindo a incumbente. Na incumbente não encontramos ninguém que tenha provas dadas de geração de valor na gestão de empresas ou de instituições financeiras. Nenhum tem provas dadas de geração de valor.

Temos uma grande panóplia de candidatos nestas eleições que não se perfilam com capacidade de gestão profissional e capacidade de geração de valor. Desde logo nenhum deles teve a experiência em gerar valor nas diversas empresas.

Pedro Gouveia Alves

Candidato da Lista D ao Montepio

É muito extensa a equipa: 16 elementos, igual à administração da Caixa. Vai reduzir?

Vamos rever essa dimensão, achamos que é desadequada e desajustada, tendo em linha de conta a dimensão do banco e a sua complexidade. Houve necessidade de num período de tempo fazer crescer a equipa dada as alterações na regulamentação. Num novo mandato, com as coisas bem estruturadas, e em articulação com o regulador, vamos procurar otimizar e termos uma equipa mais reduzida.

Vê o futuro do banco com outro parceiro? Admite abrir o capital do banco a outras entidades?

Não é possível neste momento fazê-lo, por uma razão muito simples: neste momento, a Associação Mutualista não tem para o seu banco uma proposta de valor que permita captar novos investidores. Só é possível fazê-lo a partir do momento em que este valor esteja estabilizado, a partir do momento em que haja uma proposta de valor e em que se possa apresentar o Banco Montepio com uma estratégia sólida, consolidada e com um horizonte de rendibilidade que permita atrair esses investidores.

A este respeito, a Lista D teve uma reunião com os diversos acionistas do Banco Montepio da área da economia social. Estivemos a acolher opinião relativamente à sua participação no Banco Montepio. Ela é muito bem vista pelas entidades da economia social, obviamente que elas estão descapitalizadas e a sua capacidade de participar no capital do Banco Montepio é diminuta, mas há aqui um princípio que queremos seguir: o princípio da articulação direta e permanente com as entidades da economia social de modo a que elas próprias possam sugerir os caminhos a serem percorridos em conjunto com a Associação Mutualista e, porque são acionistas do banco, com o próprio banco, para responder de forma mais eficaz às necessidades da economia social.

Pedro Gouveia Alves, candidato à presidência da Associação Mutualista Montepio Geral, em entrevista ao ECO - 25NOV21

Tem algum plano para o Banco de Empresas Montepio, é algo que seria para manter?

O Banco de Empresas Montepio é um ativo que está sob a responsabilidade e perímetro de supervisão e consolidação do Banco Montepio. Essa será uma escolha da gestão do Banco Montepio. Mas quais são as guidelines que nós queremos emanar para a gestão das participadas de forma transversal? É a ausência de sobreposição de tarefas, de custos e procurar sermos eficientes na nossa gestão. Nesse sentido, estamos em crer que pode haver aí um problema de sobreposição de tarefas e de multiplicação de custos que se podem afigurar como desnecessárias e, portanto, vale a pena repensar se há necessidade de termos um banco específico para empresas ou um serviço robusto, específico e autónomo dentro da própria estrutura do banco.

Chegou-se a falar no seu nome para liderar o Banco Montepio. O que aconteceu para não ter sido nomeado?

Foi um facto superveniente que teve de ser investigado pelo Banco de Portugal, foi investigado pelo Banco de Portugal e foi arquivado pelo Banco de Portugal por falta de fundamento. Eu retirei-me desse processo para dar a oportunidade, espaço e tempo à entidade de supervisão para fazer o trabalho que tinha de fazer, trabalho esse que não era compatível com a urgência e necessidade de encontrar um presidente da comissão executiva para o Banco Montepio.

Estes ruídos e equívocos grassam dentro da estrutura do banco e temos de acabar com eles. Alguém conta uma história, alguém fez uma denúncia distorcida dos factos…

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