Há bancos que estão ao serviço de uma economia mais verde. E têm mais rentabilidade financeira

A Aliança Global de Bancos por Valores (GABV) é uma rede bancos geridos por valores, ou bancos cooperativos, para os quais a análise de risco ambiental e social é a coisa certa a fazer.

O racional justificativo da relevância dos bancos incorporarem os riscos ambientais e sociais nas análises de créditos, pode ter dois ângulos: melhora a gestão de risco da carteira de crédito e contribui para a promoção de projetos mais sustentáveis.

Existe uma corrente de banqueiros que rejeitam a ideia de que os bancos devem contribuir para uma economia mais verde, circular e inclusiva, afirmando que o papel dos bancos é apenas emprestar dinheiro, independentemente da sua finalidade. Esta corrente é ainda a maioritária.

Existe outra corrente de banqueiros que consideram que o dever de um banco é promover uma economia sustentável e inclusiva, e por isso, a existência de critérios ambientais e sociais na análise de risco das empresas é “a coisa certa a fazer”. Esta corrente é ainda minoritária, mas em crescimento.

Durante muito tempo também se pensou que este tipo de bancos, os que consideram ser seu dever promover a sustentabilidade, teriam menores retornos financeiros do que os bancos tradicionais. No entanto, um estudo anual realizado pela Aliança Global de Bancos por Valores (GABV – Global Alliance for Banking on Values, no original, em inglês) desde 2014, evidencia que estes “bancos por valores” têm indicadores de rentabilidade financeira mais atrativos do que os grandes bancos tradicionais, tal como é identificado na tabela abaixo

Legenda: VBBs – values-based banks and banking cooperatives GSIBs – Global Systemically Important Banks Fonte: Real Economy – Real Returns: The Business Case for Values-based Banking

A Aliança Global de Bancos por Valores (GABV) é uma rede bancos geridos por valores, ou bancos cooperativos, de todo o mundo, que têm como objetivo mudar o sistema bancário para o tornar mais transparente, para o canalizar no apoio a projetos sustentáveis, com foco nas pessoas e na economia real. Fundada em 2009, é uma rede de bancos, cooperativas bancárias e cooperativas de crédito, instituições de micro crédito e bancos de desenvolvimento comunitário de várias partes do mundo.

Os membros desta associação partilham como missão a utilização do financiamento para proporcionar um desenvolvimento sustentável, com foco em ajudar as pessoas a atingir seu potencial e em construir comunidades mais fortes. Hoje, esta Aliança é composta por 62 instituições financeiras e 16 parceiros estratégicos que operam em países da Ásia, África, Austrália, América Latina, América do Norte e Europa. No total, estas organizações agregam mais de 67 milhões de clientes, gerindo mais de 200 mil milhões de dólares em ativos combinados com mais 76.000 colaboradores.

Um dos membros desta Aliança é o Banco Triodos. O Triodos Bank, com sede na Holanda, mas com atividade em vários países europeus, é dos únicos bancos a nível mundial que informa o cidadão sobre os projetos em que investe, sendo assim possível confirmar a sua política de risco ambiental e social. Através do site https://www.triodos.com/know-where-your-money-goes, é possível a qualquer pessoa saber que projetos o Triodos Bank financia.

Este banco identifica de forma muito clara no seu site, qual é a sua política de crédito e quais são os setores e atividades que não financia. É também dos poucos bancos que produz um relatório anual integrado.

Fica assim evidente que é possível aumentar a transparência sobre os empréstimos concedidos pelo banco, de forma a poder-se saber se a política de crédito está a ser de facto implementada. É neste caminho que o Plano de Ação para o financiamento sustentável da Comissão Europeia pretende caminhar.

  • Economista especializada em sustainable and climate finance

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Há bancos que estão ao serviço de uma economia mais verde. E têm mais rentabilidade financeira

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião