No improviso é que se trabalham os imprevistos (e não só)premium

Com a metodologia desenvolvida pela The Human Story, as equipas trabalham competências como a comunicação e a criatividade com técnicas de teatro. E acabam também por desenvolver o trabalho de equipa.

Um ecologista que se comporta como apoiante de Trump em matéria de clima e sustentabilidade ou uma mulher que defende a desigualdade de género e de salários em prol dos homens, para apontar apenas dois exemplos. Sair da zona de conforto e argumentar sobre alguma posição, mesmo que não se concorde com ela, é um dos exercícios propostos pela equipa do The Human Story. A ideia? Estimular um diálogo entre dois lados em que, à partida, os participantes já têm uma posição definida mas no qual se coloca as pessoas em lugares antagónicos.

“Conseguimos levar a pessoa nesta viagem de perceber efetivamente que nunca tinha pensado daquela forma, e isso é um desafio. Usámos essa dinâmica, com o tema de igualdade de salários, num grupo de mulheres CEO, de várias indústrias em Portugal. Tinham de ser a favor ou contra, e é muito interessante perceber qual é a empatia dos dois lados”, começa por contar Diogo Almeida Alves, cofundador da The Human Story.

Num mundo em que todos estão focados na transformação digital e a investir em tecnologias emergentes, a The Human Story quer “trazer o foco de volta ao maior fator de diferenciação em cada organização: as suas pessoas”. Foi para isso que Diogo Almeida Alves e Bertrand Caudron criaram a empresa.

Na The Human Story trabalha-se o improviso para melhorar o trabalho em equipa.

A trabalhar com clientes como a IKEA, a Fnac, o IAPMEI e o ISQ, entre outros, a metodologia da The Human Story foi desenvolvida sob o mote “Empowering and Developing People through Innovation & Arts”, e com base em cinco “Cs”, que assinalam como “competências-chave para as organizações modernas”: Consciência, Comunicação, Colaboração, Criatividade e Confiança. “Desenvolvemos uma metodologia original combinando técnicas e exercícios extraídos do teatro de improviso com situações do dia-a-dia real, promovendo uma aplicabilidade prática e mudanças de comportamento nas pessoas e equipas”, descreve Diogo, em conversa com a Pessoas.

O projeto, que começou de forma presencial, rapidamente ganhou outros contornos. Com a pandemia, as dinâmicas migraram para o contexto virtual, e a validação do modelo reafirmou-se. “O contexto atual vem demonstrar que as organizações precisam de saber lidar com imprevistos, e que é imperativo preparar e formar as pessoas para lidar com as surpresas que a vida nos coloca, saber improvisar”, assinala.

Na prática, as atividades trabalham cinco competências fundamentais: consciência (concentração, foco, dedicação de energia), comunicação (trabalhar os dois pontos de vista, expressão, mas também como dar feedback, escuta ativa), colaboração (aceitação da diferença e de pontos de vista diferentes), criatividade (é diferente de acordo com o que se quer despertar) e confiança (temas sobre como ter, no dia-a-dia, uma prática semelhante quando se segue e quando se lidera).

Com a pandemia, adaptar, adaptar

Com a chegada da pandemia a Portugal, a The Human Story começou a perceber que a tendência para trabalhar determinadas competências estava a mudar. A transição para o digital acelerou a importância de as equipas trabalharem a comunicação e os seus efeitos “porque tanto entre equipas como de gestores para baixo, trabalhar à distância é muito diferente de trabalhar com equipas quando elas estão ao pé de ti”. O tema da confiança ganhou também importância, sobretudo ao nível da gestão, ao contrário da criatividade, que perdeu preponderância nas prioridades dos clientes. “De forma transversal, eu diria mais comunicação, colaboração e confiança, embora eu acredite que a criatividade é importante e a consciência porque é a base de tudo”, analisa Diogo.

Tanto num cenário presencial como no digital, as dinâmicas e objetivos das formações preparadas pela The Human Story estão direcionadas a grupos pequenos (dimensão ideal entre 8 e 15 pessoas) e são, acredita Diogo, uma “mais-valia no atual contexto”. Tudo porque, entre as mais de 200 dinâmicas disponíveis para trabalhar os cinco C’s, é possível a cada organização customizar as atividades com base nos seus próprios desafios.

“Todos precisamos de aprender, adquirir e desenvolver um novo conjunto de competências naturais para conseguirmos adaptar-nos a um ambiente sempre em mudança no qual consigamos manter-nos relevantes. A The Human Story está a empoderar e a desenvolver pessoas através da inovação e das artes. Desenvolvemos uma metodologia baseada em técnicas teatrais de improviso, que levou à produção de um portefólio de exercícios e programas de interação, que podem gerar um abanão cultural dentro das equipas”, justifica o cofundador.

7 princípios do improviso

  1. Aceitação: ser capaz de aceitar pontos de vista diferentes e não ir com pré formatações de pontos de vista.
  2. Falhanço: ferramentas para perceber porque falharam, como falharam e o que podem extrair daí.
  3. Corpo: grande parte da nossa comunicação é não verbal. Entender como o tom de voz ou a posição dos braços impacta na comunicação.
  4. Timing: saber lidar com o tempo, o ritmo e a atenção que damos às tarefas; saber ser produtivo na utilização do tempo.
  5. Poder: aproxima os mundos dentro de uma organização. Perceber que hoje estás a liderar mas amanhã tens de saber seguir. E vice-versa.
  6. Intenções: muito relacionado com as ações de acordo com um determinado sistema de valores. É importante que o meu sistema de valores esteja alinhado com o da empresa.
  7. Histórias: o storytelling tem um poder muito forte porque, quando se conta uma história, tipicamente há um fio condutor.

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