Oferecem tempo, ajudam a pagar a luz e cedem material de escritório. É assim que as empresas facilitam o teletrabalho

Fora das quatro paredes do escritório e com um novo elemento chamado Covid, algumas empresas tomaram medidas para ajudar os colaboradores a adaptarem-se a uma dinâmica nova. Conheça algumas.

A pandemia mundial deixou os escritórios de muitas empresas vazios, obrigou os profissionais a “levarem” o trabalho para dentro das suas casas e a terem de transformar o lar num espaço misto, onde se relaxa com a família, mas também se tem reuniões por videochamada quase diariamente com os colegas.

Para facilitar o dia-a-dia dos colaboradores, bem como para garantir que todos tinham as condições necessárias para trabalhar, tanto físicas como emocionais, algumas empresas rapidamente se mostraram disponíveis para ajudar e participar no processo de adaptação das equipas a uma dinâmica de trabalho completamente nova, fora das quatro paredes do escritório, sem a socialização física com os colegas e com uma nova preocupação chamada Covid-19.

Algumas organizações ofereceram material de escritório, outras ajudas financeiras para pagar a fatura da eletricidade ou da internet e até houve quem tenha dado tempo, tempo para os colaboradores levarem os filhos à escola, irem ao médico ou poderem ir ao supermercado em horas de menos movimento.

As pessoas saíram das empresas… e o escritório também

A principal preocupação da NQDA era que todos os colaboradores tivessem condições para trabalhar a partir de casa, “com conforto”. Apesar de não ter sido adquirido material especificamente para o início da primeira quarentena obrigatória, a empresa de desenvolvimento de produtos digitais garantiu que cada trabalhador tinha um portátil de última geração que lhe permitisse executar as suas tarefas com a melhor eficácia e conforto possível.

Além do portátil, a empresa permitiu que os profissionais levassem para as suas casas o material que lhes pudesse fazer falta, até mesmo o mobiliário, para um maior conforto e ergonomia. “Incentivámos a que tomassem todo o material do escritório que fosse necessário, desde cadeiras, mesas, monitores, acesso banda larga móvel, etc.. E, em alguns casos, arranjámos também forma de levar esse mesmo material à casa de alguns colegas. Tudo para garantir o maior conforto possível para os tempos que se seguiam”, recorda Miguel Oliveira, cofundador e CEO da empresa.

Todos os colaboradores foram autorizados a levar os equipamentos necessários à sua atividade e ao seu conforto para trabalhar a partir de casa, desde monitores a cadeiras ou impressoras.

Alfredo Valente

CEO da iad Portugal

Também na iad Portugal esse foi um dos primeiros passos. “Todos os colaboradores foram autorizados a levar os equipamentos necessários à sua atividade e ao seu conforto para trabalharem a partir de casa, desde monitores a cadeiras ou impressoras. Conseguimos mobilizar todos os equipamentos e recursos para implementar o home office em tempo recorde, sem qualquer entrave”, afirma Alfredo Valente, CEO da rede de consultores imobiliários. Para isso contribui, em grande parte, o facto de todos os colaboradores da empresa já possuírem computadores portáteis, pelo que foi apenas levá-los consigo para as suas casas.

Ajudas de custo para faturas de luz ou internet

De acordo com o último estudo da Kaspersky, a atual maior lacuna nas expectativas de apoio que têm os colaboradores assenta na assistência social e nos benefícios adicionais, como é o caso da cobertura de faturas de internet ou telefone. Mais de 40% dos trabalhadores de pequenas empresas, bem como de empresas de média dimensão, gostaria de receber mais apoios nesse sentido.

A NQDA faz parte das empresas que pensou nessa necessidade. Depois de perceber que um regresso ao escritório, pelo menos a 100%, era algo que ainda não estava próximo, em novembro, a empresa decidiu compensar os trabalhadores e ajudá-los financeiramente nos custos que o teletrabalho acarreta. “Procedemos a um pagamento simbólico de 200 euros líquidos para ajudar em algumas das despesas do trabalho em casa, como é o caso da fatura da energia”, conta Miguel Oliveira. “Era o mínimo que poderíamos fazer enquanto empresa. E, eventualmente, repetiremos esta ação, acrescenta.

Procedemos a um pagamento simbólico de 200 euros líquidos para ajudar em algumas das despesas do trabalho em casa, como é o caso da fatura da energia.

Miguel Oliveira

Cofundador e CEO da NQDA

Já a iad Portugal decidiu suportar os custos das chamadas, realizadas no âmbito profissional, de todos os colaboradores que não tinham telemóvel de empresa. “Estas iniciativas têm tido um feedback extremamente positivo por parte dos colaboradores e prova disso é que, segundo o inquérito realizado no final de 2020 pela agência francesa Presence, especializada em marketing research e customer experience management, 97% dos consultores da rede estão satisfeitos ou muito satisfeitos com a iad Portugal, o que para nós é um indicador de que temos feito um bom trabalho”, refere o CEO da empresa do setor imobiliário.

Oferecer tempo

Não só de compensações materiais é feito o bem-estar dos trabalhadores. Aliás, o apoio emocional ou psicológico é, muitas vezes, tão necessário quanto a cedência de material de escritório para um maior conforto ou a ajuda financeira para pagar as contas. De acordo com o estudo da Kaspersky já mencionado, mais de 20% dos colaboradores gostavam de receber mais auxílio nessa área, uma vez a pandemia da Covid-19 acabou por causar uma maior ansiedade, stress e, em alguns casos, prejudicar mesmo a saúde física e mental dos profissionais.

Foi, precisamente, a pensar no bem-estar dos seus colaboradores, sobretudo nos que são pais, que a Xing decidiu oferecer um pacote de dez dias adicionais de férias. “Fizemo-lo para facilitar a dinâmica dos pais que, com as escolas fechadas, têm de estar com os filhos em casa”, começa por dizer Miguel Garcia, country manager da Xing em Portugal, à Pessoas. No entanto, ciente de que dez dias, ainda que uma boa ajuda, no eram suficientes, a empresa alemã reforçou o apoio. “Proporcionámos mais flexibilidade. Por cada dia que o colaborador necessitasse de faltar, descontava apenas meio dia de férias”, conta.

No início deste ano, com o Governo a decretar novamente o fecho das escolas, a Xing voltou a oferecer o mesmo pacote de flexibilidade aos colaboradores. “Preferimos sempre a honestidade e transparência das coisas. A verdade é que, desta forma, os pais conseguem dizer-nos se vão ou não estar disponíveis e se podemos ou não contar eles naquele dia, o que nos facilita imenso ao nível do planeamento“, continua o responsável pela empresa em território nacional.

É engraçado porque conseguimos ter uma força de trabalho completamente distribuída, não só no espaço, mas ao longo do tempo.

Miguel Garcia

Country manager da Xing em Portugal

Estas medidas permitem, ao mesmo tempo, tirar a pressão de cima dos colaboradores, que se sentem mais à vontade para estar ausentes do trabalho quando é realmente preciso. “Muitas vezes, as pessoas até acabam por compensar à noite, por exemplo. É engraçado porque conseguimos ter uma força de trabalho completamente distribuída, não só no espaço, mas ao longo do tempo. Por um lado, tiramos a pressão de as pessoas não conseguirem trabalhar porque estão com as crianças e, por outro, as pessoas sentem-se mais acarinhadas e compreendidas. Os níveis de compromisso são muito grandes, os colaboradores conseguem até ser mais produtivas nas horas em que estão a trabalhar”, remata.

Para a NQDA, oferecer maior liberdade aos trabalhadores também se revelou um fator impulsionador do compromisso. “Demos total liberdade aos colaboradores para se deslocarem, a qualquer hora do dia, aos supermercados, de forma a evitar os momentos de maior aglomeração de pessoas, quando na primeira fase era quase impossível encomendar online nas grandes superfícies”, afirma o cofundador e CEO da agência digital.

“Todas as pessoas procuram dar o melhor no seu dia-a-dia e, como consequência, quem está na direção da empresa procura guiar a mesma para que as condições sejam cada vez melhores e justas para todos”, continua.

Saúde emocional, um fator fundamental

Já para acompanhar mais de perto o bem-estar emocional das esquipas, a empresa com sede em Viana do Castelo optou por momentos regulares de conversação com os elementos da organização, para “avaliar o seu estado de espírito face aos atuais desafios, procurando conhecer os seus maiores receios, dificuldades e necessidades”, refere.

No futuro, a NQDA assume que deseja implementar mais iniciativas que promovam o bem-estar dos colaboradores, “não só relacionadas com a estabilidade financeira mas principalmente emocional, não descurando a importância do seu crescimento enquanto profissionais, que se querem ver diariamente desafiados”, remata Miguel Oliveira.

saude mental nas empresas

Também na agenda da iad está a implementação de outras iniciativas mais relacionadas com a saúde mental dos colaboradores. “Queremos colmatar as principais carências que vamos identificando e que, neste momento, sentimos que se prendem mais com a estabilidade emocional e com a resiliência perante toda esta situação que estamos a
viver”, considera o CEO da empresa.

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