Presidenciais batem recorde de candidaturas. Conheça todos os concorrentes a Belém

Foram formalizadas junto do Tribunal Constitucional 14 candidaturas, o máximo alguma vez registado. Conheça todos os candidatos, cujos documentos vão ser analisados nos próximos dias.

As eleições de 18 de janeiro já são as mais concorridas de sempre. Nunca desde o 25 de abril de 1974 tantas candidaturas haviam sido formalizadas junto do Tribunal Constitucional (TC). A instituição confirmou oficialmente ter recebido 14 candidaturas, ultrapassando assim o máximo de 13 registadas em 2016 e muito acima das oito registadas nas últimas presidenciais, de 2021.

“Até ao termo do prazo para o efeito, foram entregues, no Tribunal Constitucional, 14 candidaturas às eleições presidenciais de 2026”, confirmou ao ECO fonte oficial do TC. Às 11 já anteriormente formalizadas, no último dia do prazo – esta quinta-feira – surgiram as candidaturas de José Cardoso, Joana Amaral Dias e Ricardo Sousa.

Agora, o TC vai analisar as assinaturas apresentadas pelos candidatos a candidatos (devem entregar um mínimo de 7.500 e um máximo de 15.000) para verificar se todas cumprem os requisitos legais. A análise do TC incidirá exclusivamente sobre o que aí for entregue, nomeadamente sobre a validade das assinaturas (que têm de ser únicas, ou seja, o mesmo cidadão não pode assinar listas de mais do que um candidato) e da documentação associada.

Mas não é apenas disto que depende o avanço da candidatura. Os candidatos têm também de entregar a declaração de património, rendimentos e interesses, por exemplo. As regras não obrigam a que toda a documentação seja entregue de uma vez, o que explica a diferença entre o número de candidaturas iniciais junto do TC e aquelas que chegam às urnas.

Ainda assim, estes 14 candidatos estarão presentes no boletim “provisório” que será sorteado esta sexta-feira. Se se verificar que alguma candidatura não cumpre os requisitos, não constará do boletim final, que encontrará a 18 de janeiro.

De velhas caras conhecidas a muitos independentes, quem são, afinal os 14 que estarão presentes no sorteio para a ordem em que surgirão no boletim de voto?

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

O caminho para o novo recorde

Até aqui, o máximo tinham sido as tais 13 em 2006, sendo que mais de metade (7) ficaram pelo caminho na análise do TC. Foram então a votos Cavaco Silva, Manuel Alegre, Mário Soares, Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã e Garcia Pereira, numa disputa que deu o primeiro de dois mandatos a Cavaco, logo à primeira volta.

Se olharmos para a eleição que teve mais candidatos efetivamente aceites, a mais concorrida de todas foi a de 2016. Com dez nomes no boletim de voto, daria o primeiro mandato de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém, com 52% dos votos.

No extremo oposto, encontramos as eleições de 1996. Foram apresentadas e aceites apenas quatro candidaturas: Jerónimo de Sousa, Alberto Matos, Cavaco Silva e Jorge Sampaio, mas os dois primeiros desistiram para apoiar Sampaio, que viria a vencer.

Cinco anos antes também tinha havido apenas quatro candidaturas (Basílio Horta, Mário Soares, Carlos Carvalhas e Carlos Silva) mas foram todos até ao fim. Nessas eleições de 1991, Maria Amélia Santos, d’Os Verdes, e Francisco Lucas Pires, do CDS, chegaram a anunciar a candidatura mas nunca a formalizaram.

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Nas eleições que se aproximam, há três fatores claramente distintivos de atos eleitorais anteriores. O primeiro é o número de candidaturas, já abordado.

O segundo é a elevada probabilidade, de acordo com as sondagens, de termos apenas pela segunda vez uma segunda volta. André Ventura, António José Seguro, Henrique Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes e até João Cotrim de Figueiredo surgem com hipóteses de disputar os dois primeiros lugares. Todas as sondagens apontam que não há qualquer cenário de vitória à primeira volta.

A única vez que se realizou uma segunda volta foi na cerrada disputa de 1986. Apresentaram-se oito candidatos, três foram rejeitados pelo TC, restando no boletim Salgado Zenha, Ângelo Veloso, Maria de Lurdes Pintassilgo, Mário Soares e Diogo Freitas do Amaral. Estes dois últimos passaram à segunda volta e, depois de ter ficado muito perto da vitória à primeira volta, Freitas do Amaral acabaria por perder para Mário Soares, apoiado por toda a esquerda.

O terceiro fator distintivo nestas eleições é a possibilidade de termos, pela primeira vez em muito tempo, uma disputa direta entre um candidato fora do sistema partidário, como Henrique Gouveia e Melo, ou vindo de um partido que se afirma sobretudo como antissistema, no caso de André Ventura.

O único caso de um Presidente pós-25 de abril de 1974 que não vinha de um passado partidário foi António Ramalho Eanes, Presidente de 1976 a 1986. E que chegou ao poder muito antes da formação do partido ao qual viria a estar ligado, o entretanto extinto Partido Renovador Democrático (PRD).

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