Quando o empurrão para a inovação do negócio vem de fora

Estruturas grandes, experiência acumulada e falta de inspiração são obstáculos à inovação. Mas há quem possa ajudar as empresas a inovar, sem sair de casa.

Quanto vale um problema real na sua solução? Tudo. Na verdade, entender a raiz do problema é preponderante para que o seu processo de resolução seja bem-sucedido. Pelo menos é nisso que acredita a Beta-i que, desde há pouco mais de um ano, tem no departamento de inovação de negócio uma área que já é responsável por um terço do negócio da aceleradora. Mas voltemos ao princípio da história. É que em tempo de surgimento de startups – empresas tecnológicas com enorme potencial de crescimento, estruturas leves e flexíveis, e potenciais unicórnios, algumas avaliadas em 1.000 milhões de dólares com poucos anos de vida – é natural que a curiosidade venha das mais variadas frentes.

Mas como garantir inovação, independentemente da empresa? “Primeiro, sabendo sobre os problemas reais”, defende Alisson Ávila, diretor de Inovação da Beta-i.

Back to basics

Em fevereiro de 2018, a Beta-i fundiu-se com a boutique portuguesa de inovação Couture, fundada por Diogo Teixeira e Alisson Ávila. A novidade, comunicada por Pedro Rocha Vieira, cofundador e CEO da aceleradora nacional através de uma newsletter, acontecia um ano depois de a Beta-i ter anunciado a joint-venture com a espanhola Tetuan Valley para se tornarem juntas a referência ibérica em programas de inovação e empreendedorismo. Mas não só. Assumindo uma ambição de serem “dos principais atores na liderança desta transformação que atravessa a economia e os negócios, contribuindo para a construção de uma verdadeira cultura de inovação”, a Beta-i foi construindo ao longo deste ano um departamento completamente dedicado à área de business innovation, da responsabilidade do brasileiro Alisson Ávila e que conta com a participação de uma equipa onde a diversidade é uma mais-valia: há advogados, jornalistas, engenheiros, antropólogos, arquitetos. “Essas diferentes bagagens vão permitir ter mais sensibilidade para o que o cliente precisa. Estamos a pensar em pessoas, mercado e futuro para entender o que está em jogo. O processo cruza-se com o cenário da empresa e é aí que há uma oportunidade para explorar”, analisa.

Precisamos de foco na pessoa. As empresas falam muito mas não agem na concordância e, muitas vezes, não se calça o sapato de quem te compra para entender as dores e o caminho dessas pessoas.

Alisson Ávila

Desse processo de fusão nasceu uma nova organização da empresa que integra três áreas distintas: serviços corporativos, localização e aceleração. Dentro da primeira há duas: uma ligada a processos de inovação aberta e outra chamada “business innovation”. “O que estamos a construir é uma base de conhecimento que nos permita crescer”, explica Alisson Ávila, diretor de inovação da Beta-i.

Alisson Ávila

É neste departamento que o processo arranca e é também nele, muitas vezes, que se encerra. Como? A inovação não é uma caixa que fica fechada à espera que alguém abra: às vezes é preciso que se misture com a rua. “As pessoas queriam um bocadinho de Beta-i dentro das próprias empresas: essa forma desempoeirada de trabalhar. Fala-se muito sobre os desafios de trabalhar com jovens millennials mas as grandes empresas não só só formadas por essas pessoas: só que assume-se por defeito uma forma de atuar. O comportamento vem antes da demografia e temos dados concretos de que a maioria dos trabalhadores passou por várias mudanças durante a sua carreira. Não basta um treino sobre as mudanças do mundo”, assegura, acrescentando que uma “viagem” ao mundo real também beneficia o processo. “Precisamos de foco na pessoa. As empresas falam muito mas não agem na concordância e, muitas vezes, não se calça o sapato de quem te compra para entender as dores e o caminho dessas pessoas”.

Um “bocadinho de Beta-i” dentro da empresa

O banco Millennium Bcp e a Nestlé são dois dos casos mais recentes de empresas que recorreram à Beta-i para levarem a cabo processos de desenvolvimento de inovação. Em ambos os casos, a abordagem da aceleradora permitiu, além de testar métodos agile, startup approach e estudos de análise de comportamento para inovação, unir duas vertentes de design thinking com um twist. “Tem sido muito motivador para a equipa perceber que é possível desenhar uma forma proprietária de entregar para os clientes. Temos ênfase maior na parte da investigação, uma mais-valia na frente do processo e a Beta-i pode ajudar a acelerar a aproximação a startups”, assinala Alisson.

"Estamos a pensar em pessoas, mercado e futuro para entender o que está em jogo. O processo cruza-se com o cenário da empresa e é aí que há uma oportunidade para explorar.”

Alisson Ávila

O responsável explica que, mesmo que a metodologia seja aplicada de forma mais intencional, o cliente acompanha todo o processo e isso permite que, numa primeira fase, se detete um problema específico. E isso, só por si, é uma vantagem. “Cada vez se fala mais de consequent thinking, do ato de pensar no que estamos a fazer. Há, nos processos, implicações que vão além do negócio, e muitas vezes as pessoas falam delas mas não agem sobre elas. Tendencialmente não medem as consequências, não se faz análise do que vai acontecer. Mas estamos num momento em que temos de mostrar aos clientes o que acontece no final”, analisa.

Depois de descoberto o problema, o processo avança para a fase de prototipagem. “Aí tem-se a primeira ideia de adesão, para a empresa contar com um business case interno”, explica Alisson. Nesse sentido, o papel da Beta-i enquanto facilitadora é “dar sentido às ideias”. “Quando vais falar com o administrador há uma história para contar. Há um argumento para entender que faz sentido investir. porque lá atrás havia uma premissa para algo, uma hipótese”, detalha.

Beta-i trabalhou também com a L’Oréal.D.R.

No final, o cliente sai do processo com um roadmap das áreas de intervenção concretas. “Não é uma consultoria pura e dura, não é research, não é design thinking: colocamos o cliente no terreno e porque ele viu algo, leva uma coisa concreta para casa para trabalhar. É o cliente que determina se precisa de nós para a fase de implementação”.

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António Costa

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