Editorial

A Galp em movimento… renovável

A Galp deixa de estar limitada ao modelo clássico do operador integrado que tem tudo no balanço. Passa a ser um grupo que escolhe onde concentra risco, onde partilha risco e onde apenas participa.

Depois da Namíbia e de um acordo com a francesa Total para o negócio do ‘upstream’ — que o mercado penalizou –, a Galp arranca o ano de 2026 com outro (potencial) negócio, desta vez no chamado ‘downstream’, isto é na distribuição e na indústria, com a espanhola Muove (antiga Cepsa), que os investidores deverão ver com outros olhos. É um movimento que estava escrito nas estrelas, já tinha sido discutido em tempos, a única alternativa para um negócio que não significasse a integração da Galp num qualquer grupo petrolífero global, e que dá mercado e tempo.

A Galp e os acionistas da Moeve iniciaram discussões para a criação de dois novos ‘players’ à escala ibérica e com relevância europeia na industrialização verde e na transição energética. O que é que está em causa?

  1. A concretização desta transação permitirá criar uma plataforma de retalho com uma das maiores redes de estações de serviço na Península Ibérica.
  2. Será estabelecida ainda uma plataforma industrial escalável que integre as atividades de refinação, trading, petroquímica e moléculas verdes (biocombustíveis e hidrogénio), servindo clientes B2B com maior eficiência e competitividade global.
  3. Outro dos objetivos da junção será “viabilizar escala e capacidade de investimento necessárias para acelerar a transição energética europeia e construir a próxima geração de campeões energéticos europeus”.

O acordo entre a Galp e a Moeve não pode ser lido isoladamente. Faz parte de um movimento estratégico de redesenho do risco do grupo Galp, que combina três decisões tomadas em paralelo e com lógica clara, e o reconhecimento de que o tamanho importa. Neste setor, de capital intensivo, não é possível andar sozinho.

Primeiro, com este negócio com a Moeve, a Galp separa-se do downstream enquanto centro de consumo intensivo de capital e risco regulatório, mantendo influência acionista, mas libertando o balanço. Segundo, reforça o upstream com parceiros globais, como demonstra a parceria com a TotalEnergies na Namíbia, diluindo risco exploratório, partilhando capex e aumentando a opcionalidade de valor. Terceiro, mantém um acionista de referência estável e comprometido, o Grupo Amorim, que sinaliza continuidade estratégica e não uma saída oportunista.

Qual é o resultado destes negócios? A Galp deixa de estar limitada ao modelo clássico do operador integrado que ‘carrega’ tudo no balanço. Passa a ser um grupo que escolhe onde concentra risco, onde partilha risco e onde apenas participa.

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