A tecnologia ao serviço da humanidade

  • João Paulo Sá Couto
  • 10 Abril 2021

Num momento em que todos vivemos em distanciamento e ansiamos segurança, olhamos para a tecnologia como um elemento que une todas as peças que a Covid-19 separou.

De um quadro geral a um minucioso, a pandemia da Covid-19 envolveu a comunidade tecnológica como nunca. O papel desta área de conhecimento e das instituições que a desenvolvem demonstrou-se essencial na afirmação de um novo normal e na prospeção de um futuro, ainda incerto, que nos espera.

Hoje, a perceção pública do que a tecnologia e a digitalização podem fazer ao serviço da humanidade mudou. E mudou porque o reconhecemos para lá da teoria, evidenciamo-lo todos os dias: no rastreio e localização de contactos de doentes com Covid-19, na partilha de dados entre as instituições governativas, de cada vez que uma criança acede ao seu direito à educação através de um clique e sempre que trazemos o trabalho para as nossas casas.

Aliado a este movimento agregador, enquanto todos estamos distantes, acresce o sentido de responsabilidade que as empresas tecnológicas tiveram ao longo desta travessia. Estas empresas foram das primeiras organizações a oferecer os seus serviços – interna e externamente – na mitigação das consequências da pandemia.

Em dezembro de 2020, o Instituto Europeu da Investigação e Tecnologia para a área da Saúde (EIT Health) revelava que existiam 56 startups portuguesas na frente de combate à Covid-19, com tecnologia inovadora que permitia responder aos desafios que os Serviços de Saúde enfrentam.

Por esta prontidão na adaptação a uma nova realidade, é interessante olhar para as empresas tecnológicas por dentro, na esperança de que possamos retirar aprendizagens. Rapidamente percebemos que, também a nível interno, elas demonstraram estar na linha da frente da inovação.

No caso do jp.group, o trabalho remoto não é um conceito novo ou disruptivo, o que fez com que, na hora de enfrentar a pandemia, conseguíssemos diversificar para além da implementação de um novo regime de trabalho. A par disso e em parceria com entidades especializadas, criámos o Programa de Acompanhamento ao Colaborador que tem a intenção de os apoiar, e aos respetivos agregados familiares, através de serviços de apoio psicossocial e de aconselhamento. Com linha permanente 24h por dia, os colaboradores têm acesso a consultas gratuitas em 5 áreas de apoio: psicológico, jurídico, financeiro, nutricionista e psicossocial.

Há, contudo, muitas funções que, pela natureza das suas operações, não podem correr o risco de serem interrompidas, mas também não podem ser transportadas para as casas das pessoas que as executam. Foi preciso reinventar a forma como os trabalhadores essenciais e presenciais trabalham nas instalações de uma empresa tecnológica onde, muitas vezes, o trabalho em equipa é impreterível. Neste caso, incorporámos medidas de prevenção nos espaços de trabalho, como a instalação de pórticos de desinfeção e testes semanais à COVID-19. Só em janeiro, no pico da segunda vaga, foram feitos 700 testes. Desde o início da pandemia, o investimento feito na saúde, segurança e bem-estar dos colaboradores ronda os 80 mil euros.

Num momento em que todos vivemos em distanciamento e ansiamos segurança, olhamos para a tecnologia como um elemento que une todas as peças que a Covid-19 separou. As empresas tecnológicas têm um papel meritório que deve ser reconhecido: quando o contacto físico é escasso, ajudam-nos a manter o nosso lado mais humano.

  • João Paulo Sá Couto
  • CEO do jp.group

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