Comunicação interna e a verdade
A comunicação interna é um dos pilares do sucesso da organização junto dos seus e este será meio caminho andado para o seu sucesso no exterior.
Nunca se falou tanto de verdade como nos dias que correm.
As fake news têm assumido um protagonismo muito relevante nos últimos anos e muitas (demasiadas?) horas de emissão têm sido passadas a debater a forma como se detetam, combatem ou influenciam a opinião pública ao nível planetário.
A questão da verdade nunca gozou de tanta primazia no modo de vida que estabelecemos nas economias desenvolvidas, num tempo em que as próprias plataformas que mais factos ou notícias partilham vêm declarar que não será algo com que se preocuparão nos próximos anos e que o fact checking passou de moda, disseminando uma mensagem (planetária) muito clara de que a importância da verdade hoje já não é a mesma que nos fizeram crer, sobretudo a quem cresceu nas últimas décadas do século passado.
Neste contexto de tempo e espaço, qual o papel da verdade na comunicação interna?
Será que as organizações apanharão boleia desta onda de desmaterialização da verdade e optarão, no futuro, por afirmações sem fundamento na realidade, preenchendo formatos de comunicação repleta de factos não confirmados ou sem certeza da sua veracidade?
Correndo o risco de ser apelidados de ingénuos, não acreditamos que seja este o caminho. Em primeiro lugar, porque a comunicação interna está ao serviço dos colaboradores da organização, pelo que estes serão sempre os seus primeiros e principais juízes. Juízes esses que não vão tolerar falta de verdade entre os seus.
Em segundo, porque acreditamos que o compromisso dos colaboradores com as suas organizações assenta, na maioria das vezes, em bases como a confiança, a honestidade ou a seriedade, características não compatíveis com a falsidade ou, no mínimo, com a dúvida sobre a componente de verdade subjacente à relação que os une.
A comunicação interna é um dos pilares do sucesso da organização junto dos seus e este será meio caminho andado para o seu sucesso no exterior. Dificilmente, um contexto em luta interna permanente terá a energia e os recursos para vingar no mercado, de forma sustentável e séria. A comunicação é parte integrante da cultura e ambas se influenciam e evoluem, em conjunto. Uma cultura de verdade traz transparência, estabelece confiança e um ambiente de trabalho saudável. Garante compromisso, previne conflitos e gera inovação criando um ecossistema de bem-estar e progresso.
Por tudo isto, ainda acreditamos que a comunicação interna será um dos estandartes de salvaguarda da verdade, não só a bem das organizações, mas também das pessoas que a fazem viver e que exigem a dignificação das suas experiências, numa comunicação verdadeira, que os orgulhe e preencha e que, em última análise, justifique a sua opção e compromisso com esta e não com qualquer outra, disponível no mercado.
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