Entre o low-code e a IA, decide-se o futuro do talento tecnológico

  • David Castro
  • 14:00

A questão deixa de ser se a inteligência artificial vai substituir profissionais. A pergunta real é: quem está a investir para que a IA potencie o trabalho as pessoas, e não para que as substitua.

A verdadeira disrupção tecnológica não acontece apenas quando o software escreve código mais depressa. Acontece quando as organizações percebem que o futuro da inovação depende de quem domina a combinação entre low-code e inteligência artificial. Neste ponto, a questão deixa de ser apenas tecnológica e passa a ser humana e estratégica: vamos deixar que a IA se sobreponha ao trabalho das pessoas ou vamos capacitar profissionais para usá-la e amplificá-la?

Low-code e IA não substituem profissionais; aumentam o impacto do que as pessoas são capazes de fazer, desde que existam competências para orientar, validar e gerir essas ferramentas.

Plataformas low-code como a OutSystems transformaram a forma de desenvolver software ao eliminar tarefas repetitivas com blocos prontos e integrações automáticas com sistemas corporativos como SAP, Salesforce ou Microsoft. Isso permite entregar software mais depressa, com maior consistência e mais próximo das necessidades do negócio. Quando aplicada por profissionais capacitados, a inteligência artificial multiplica ainda mais esse valor.

Hoje é possível usar linguagem natural para gerar fluxos de trabalho completos, dashboards preditivos e relatórios integrados em minutos. Perguntas como “mostra-me as vendas do Q4 por região e canal” produzem respostas imediatas a partir de dados de diferentes sistemas, quebrando silos de informação sem comprometer segurança ou controlo.

Este modelo só funciona quando existe capacitação. Sem competências adequadas, a inteligência artificial torna-se opaca, difícil de governar e um risco real para os sistemas, porque decisões críticas passam a ser tomadas sem o controlo e a supervisão necessários. Com profissionais preparados, é um poderoso acelerador de qualidade, inovação e controlo. Por isso, a capacitação deve ser encarada como um pilar estrutural das estratégias digitais, e não como uma etapa acessória ou pontual.

Daqui surge um novo perfil profissional, que é fundamental em 2026: não é um novo cargo, mas uma combinação de competências que transforma tecnologia em valor para o negócio. Esse profissional sabe criar software rapidamente usando low code, usa a IA para resolver problemas complexos, garante que tudo funciona com segurança e conforme as regras, e consegue integrar software e IA de forma eficiente para gerar soluções que realmente fazem diferença.

A IA não diminui a importância do talento técnico; aumenta-a. Mas exige profissionais capazes de desenhar, supervisionar e evoluir sistemas cada vez mais autónomos, enquanto continuam a garantir que as atividades essenciais da empresa funcionam sem falhas.

As empresas que investirem nesta capacitação não estarão apenas a acelerar o desenvolvimento de software. Estarão a criar vantagens competitivas sustentáveis, apoiadas em pessoas preparadas para liderar a próxima vaga tecnológica.

No final, a questão deixa de ser se a inteligência artificial vai substituir profissionais. A pergunta real, num setor cada vez mais exigente, é quem está a investir para que a IA trabalhe com as pessoas, e não no lugar delas.

  • David Castro
  • Head of low-code na Glintt Next

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