Mercado de trabalho em 2026: tecnologia, talento e novas exigências à liderança

  • Rui Rocheta
  • 15 Janeiro 2026

A tecnologia continuará a acelerar, mas será a gestão do talento a determinar a vantagem competitiva.

O mundo do trabalho entra neste novo ano num ciclo menos eufórico e, decerto, mais exigente. Depois de um período marcado pela acelerada contratação e pela rápida adoção de novas tecnologias, o mercado de trabalho em 2026 avança para uma fase de consolidação.

Este momento será caracterizado pelo reforço da disciplina orçamental e pelo foco acrescido na produtividade. Similarmente, irá denotar-se um aumento da pressão sobre as equipas e as lideranças para mostrarem o que podem fazer com o potencial da inteligência artificial (IA). A experimentação dará, portanto, lugar à exigência de retorno mensurável.

Nesse sentido, as tendências do mercado de trabalho em 2026 mais relevantes concentram-se em três frentes:

 

  • Convergência entre recursos humanos (RH) e tecnologia;
  • Regresso ao mapeamento de competências;
  • Alinhamento das expectativas em torno da IA com a realidade operacional.

Recursos humanos na era dos sistemas algorítmicos

No quadro atual, a separação entre RH e tecnologia torna-se cada vez mais difícil de sustentar. Afinal, a integração acelerada de soluções de IA (dos processos de recrutamento à gestão do talento) está a criar uma interdependência estrutural entre estas duas áreas.

Contudo, a integração de arquiteturas tecnológicas exige uma governação de dados robusta, bem como critérios de segurança e princípios éticos aplicáveis às decisões automatizadas. Pois bem, é aqui que as equipas de IT devem ser envolvidas, sobretudo para compreender os impactos humanos, culturais e organizacionais das soluções a implementar.

O mercado de trabalho em 2026 exigirá, sem dúvida, esta articulação entre RH e tecnologia. Num contexto em que os algoritmos influenciam decisões com impacto direto nas carreiras, a coerência, a transparência e a supervisão humana tornam-se fatores críticos.

“48% dos candidatos a emprego desconfiam dos processos de recrutamento baseados em inteligência artificial, receando que ignorem as nuances”, refere um estudo da Glassdoor.

O regresso ao inventário de competências

A aceleração tecnológica expôs uma fragilidade estrutural em muitas organizações: a escassa visibilidade sobre as competências efetivamente disponíveis.

Perante os congelamentos de contratação, as empresas veem-se pressionadas a maximizar os recursos disponíveis. Isto traduz-se, então, numa maior aposta na identificação de competências críticas e de potenciais lacunas, bem como no reforço dos programas de requalificação profissional, em detrimento de novas contratações.

Este movimento constitui, igualmente, uma resposta direta à disrupção provocada pela IA. À medida que algumas funções são redefinidas ou eliminadas, torna-se essencial distinguir entre skills automatizáveis e capacidades distintivamente humanas. Isto porque subsistem competências que apenas os humanos dominam, como o pensamento crítico, a resolução de problemas complexos ou a liderança, por exemplo.

Portanto, no mercado de trabalho em 2026, o inventário de competências emerge como uma ferramenta central do planeamento estratégico. Por conseguinte, terá um impacto direto na empregabilidade, na mobilidade interna e na sustentabilidade das organizações.

Alinhamento das expectativas sobre a IA

À medida que esta tecnologia se generaliza, acentua-se o desalinhamento entre as expectativas das organizações e a realidade da sua aplicação. De facto, muitas empresas encaram a IA como uma solução imediata para ganhos de produtividade. Contudo, falham frequentemente ao não assegurarem o investimento necessário em formação e literacia digital.

Este desfasamento está, pois, a gerar experiências de trabalho desiguais. Alguns profissionais beneficiam de novas ferramentas, enquanto outros se sentem pressionados a utilizá-las sem a preparação adequada. Este panorama tende a alimentar resistência, ansiedade e perceções de injustiça e desigualdade no trabalho.

Por conseguinte, a vantagem competitiva no uso da IA em 2026 estará do lado de quem alinhar a tecnologia com as necessidades efetivas do dia a dia nas organizações.

Então, o que distingue as organizações no mercado de trabalho em 2026?

O mercado de trabalho em 2026 será, certamente, menos tolerante à improvisação e mais exigente no que respeita à tomada de decisões. A tecnologia continuará a acelerar, mas será a gestão do talento a determinar a vantagem competitiva.

A transformação dos recursos humanos, o regresso ao mapeamento rigoroso das competências e o alinhamento realista do impacto da IA no trabalho não constituem tendências isoladas. São, antes, sinais claros de maturação do mercado. As empresas que compreenderem esta interdependência estarão melhor preparadas para construir locais de trabalho mais justos, produtivos e sustentáveis.

Ou seja, o desafio já não está em acompanhar a mudança, mas em liderá-la com critério, clareza e responsabilidade.

  • Rui Rocheta
  • Chief Regional Officer Southwestern Europe & Latam da Gi Group Holding

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