Quem vai chegar vivo à segunda volta das presidenciais?
As cartas presidenciais estão lançadas, e a segunda volta, qualquer que seja o resultado, é outra eleição.
As eleições presidenciais estão ainda em período de pré-campanha, há as autárquicas pelo meio, mas já é óbvio que a campanha, não a formal e nos termos da lei, mas a substantiva, no terreno, arranca no dia 13 de outubro. E há uma pergunta que ressalta da lista de candidatos que entretanto se apresenta: Quem vai chegar vivo à segunda volta das presidenciais?
Há três meses, até se admitia que Gouveia e Melo poderia ganhar à primeira volta. Em política (como no futebol), o que é verdade hoje é mentira amanhã. O almirante – na reserva – lidera nas sondagens, mas o real combate joga-se pelo segundo lugar — entre Mendes, Seguro, Ventura e, talvez, Cotrim Figueiredo. Cada um tem recursos e riscos distintos: Mendes precisa de voto útil, Seguro de indecisos do PS, Ventura depende da sua base, Cotrim é o ‘outsider’ que tem de captar os descontentes moderados ao centro.
Admitindo como cenário central que Gouveia e Melo é o que tem mais probabilidades de passar à segunda volta, podemos definir quatro cenários possíveis:
- A direita tradicional (PSD/AD) mobiliza o voto útil em torno de Mendes, Gouveia e Melo mantém a liderança, mas perde capacidade de converter a transversalidade em votos firmes naquele eleitorado. Cotrim fragmenta à direita, mas sem caldo suficiente para derrubar Mendes.
- António José Seguro escala e transforma indecisos do centro-esquerda numa hipótese real de segunda volta, capta o centro e até centro-direita que não quer Mendes.
- André Ventura ultrapassa expectativas e transforma as presidenciais num referendo político e cultural contra o sistema, ultrapassando o teto de mercado eleitoral do Chega.
- João Cotrim Figueiredo é o moderado contra os extremos, com um discurso que capta os jovens e indecisos.
As cartas estão lançadas, e a segunda volta, qualquer que seja o resultado, é outra eleição. Com os dados hoje, desde logo a taxa de rejeição a Ventura, o melhor que pode acontecer a qualquer dos outros candidatos é passar à segunda-volta com o líder do Chega. Mas para o próprio Ventura, ficar em segundo numa eleição direta e universal com uma votação superior à que Luís Montenegro teve para chegar a São Bento será uma enorme vitória. E tudo mudará no ciclo político desta legislatura.
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