Reputação a quanto obrigas
E se uns tentam cortar o mal pela raiz resultando na saída do sócio que, alegadamente, sai pelo seu próprio pé para proteger o escritório, outros tentam passar pelos pingos da chuva.
Já lá vai o tempo em que o Ministério Público, quando conduzia as investigações, se dedicava meramente a apurar os factos ou alegadas suspeitas apenas relativamente a este ou aquele banqueiro ou empresário. Nos últimos anos, os escritórios de advogados têm vindo a deparar-se com alguns episódios (muitas vezes que passam despercebidos ao comum dos mortais) em que veem os seus nomes, não só de sócios mas também dos próprios escritórios, misturados no meio do lamaçal mediático em que resultam as investigações criminais em Portugal. E com esses mesmos sócios a serem constituídos arguidos nesses processos. E aqui surge a preocupação imediata que se resume numa palavra que, apesar de ser apenas uma palavra, tem um peso fundamental: a reputação. E como fica essa mesma reputação perante estes referidos e conhecidos episódios. Porque passou (erradamente ou não, em alguns casos) a envolver-se o nome do advogados de certo e determinado cliente que passou a ser suspeito e porque isso pode deixar marcas a curto e médio prazo. E se uns tentam cortar o mal pela raiz resultando na saída do sócio que, alegadamente, sai pelo seu próprio pé para proteger o escritório, outros tentam passar pelos pingos da chuva, pelo menos na imagem para fora, e decidem as coisas apenas internamente.
Certo é que este fator da reputação passou a estar praticamente no centro das preocupações dos maiores escritórios de advogados do mercado. Tanto quanto a faturação, a angariação de clientes ou o crescimento orgânico. Ou até mais. Para lidar com estes danos de episódios que derivaram do chamado Luanda Leaks ou investigações ligadas ao mundo futebolístico ou determinados hackers, as sociedades de advogados apostam nas equipas de comunicação e marketing, muitas vezes chamados a fazer a chamada gestão de crise. O passo seguinte – e talvez venha a ser uma tendência com ainda maior abrangência – é o de ‘limpar’ da carteira de clientes alguns que possam vir a ser uma dor de cabeça para as sociedades, apesar de durante anos terem sido um elemento fundamental para a elevada faturação. Porque a reputação (ou a má reputação) sai cara aos sócios.
E se durante algum tempo as empresas – onde se incluem os escritórios – ignoraram a necessidade de comunicar, quer com os clientes, quer com os próprios colaboradores, e de considerar esta área uma ferramenta essencial para a prossecução dos negócios, atualmente a comunicação, seja ela interna ou externa, passou a ser uma área fulcral em qualquer empresa. conquistou o “respeito” junto do meio empresarial e foi crescendo e profissionalizando-se. Na verdade, chegamos a um ponto em que não estamos a viver o tempo da informação, mas sim o da reputação. Porque, como refere um dos responsáveis da comunicação de um escritório de renome no mercado, em declarações à Advocatus, “informação há em excesso. Reputação, nem por isso”. Porque o clima em que vivemos é de desconfiança e a reputação é o bem mais valioso para qualquer pessoa, negócio ou instituição. Uma boa reputação gera confiança, e a confiança é o fator principal nas relações humanas e empresariais. Mais ainda quando de advogados e clientes se trata.
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