Smart Capital 2017: o urgente match entre empreendedores e investidores

  • Adelino Costa Matos
  • 2 Outubro 2017

Há muito potencial de negócio que se perde nos primeiros dez anos de atividade das empresas. Por isso, o grande desafio hoje é criar condições para que as startups evoluam para scaleups.

Há em Portugal uma profusão de ideias e oportunidades de negócio que, sem o correto match entre empreendedores e investidores, correm o risco de se perder, não gerando valor para os primeiros nem retorno para os segundos. Importa, pois, estabelecer pontes entre empreendedores e investidores para que projetos com potencial não se esfumem no cada vez mais fervilhante ecossistema português. Com este propósito, entidades de referência do ecossistema têm vindo a organizar sessões de pitch, programas de mentoria, aceleração e escalabilidade e encontros de networking.

Ainda muito recentemente, a ANJE recebeu na sua sede e copromoveu o Smart Capital 2017. No evento organizado pela Tech Tour International Venture Club – Smart Capital, estiveram presentes mais de 70 investidores seniores do segmento corporate, gestores de fundos de capital de risco independentes e investidores estratégicos, bem como cerca de 60 empreendedores. Num ambiente informal mas sinérgico, esta massa crítica teve a oportunidade de refletir sobre os processos de escalabilidade, ao mesmo tempo que se gerou networking entre empreendedores e investidores.

De resto, a ANJE organiza regularmente as We’Biz Talks, encontros que visam promover a partilha de conhecimento entre empreendedores, gestores, mentores e investidores de diferentes ecossistemas internacionais. Com objetivos semelhantes, a ANJE lançou, em parceria com a autarquia portuense, o ScaleUp Porto – The Growth Champions. Este programa de mentoria e aceleração contou com um dos maiores especialistas mundiais em crescimento acelerado de negócios, o professor do MIT Verne Harnish, e teve a participação de 20 empresas de elevado potencial.

Tudo isto para dizer que, no atual estado de desenvolvimento do nosso ecossistema, é fundamental promover o contacto entre empreendedores e investidores, de forma a captar financiamento para processos de escalabilidade. Há muito potencial de negócio que se perde nos primeiros dez anos de atividade das empresas. Por isso, o grande desafio hoje é criar condições para que as startups evoluam para scaleups.

O ecossistema português está ainda muito focado no apoio a ideias de negócio e a empresas nas fases iniciais, faltando soluções para desenvolver scaleups. Este é, aliás, o cavalo de batalha do manifesto ScaleUp Porto, com base no qual a cidade tem promovido o desenvolvimento do seu ecossistema. A ANJE é parceira do município no ScaleUp Porto, estando assim a contribuir para os resultados bastante encorajadores desta estratégia.

Recordo que, entre 2007 e 2014, foi no Grande Porto que se concentrou a maior fatia de startups do país: 36% do total. A área metropolitana portuense tornou-se assim a mais empreendedora de Portugal, ultrapassando a de Lisboa, que regista 32% do conjunto de startups. Só em 2015 foram constituídas no Porto 1.722 empresas, número que representa um crescimento de 30% relativamente a 2012.

Depois do recente boom de empreendedorismo tecnológico no nosso país, é importante que as startups ganhem escala, competitividade internacional e sustentabilidade económico-financeira. Por conseguinte, há que ajudar as startups a desenvolverem processos de escalabilidade, o que passa, em grande medida, pela captação de financiamento em eventos que promovam o match entre empreendedores e investidores.

Com esta premissa, Portugal deve valorizar as qualidades do seu ecossistema junto de investidores internacionais. A realização da Web Summit no nosso país foi um passo decisivo nesse sentido, mas não podemos adormecer à sombra de um evento que se realiza uma vez por ano. É necessário um trabalho sistemático de internacionalização do ecossistema, fazendo realçar o imenso talento que este incorpora. O ecossistema português apresenta hoje massa crítica (empreendedores, inventores, mentores e investidores), startups, tecnologia, institutos de I&D e centros de incubação/aceleração ao nível do melhor que há no mundo.

  • Adelino Costa Matos
  • Presidente da Anje

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Smart Capital 2017: o urgente match entre empreendedores e investidores

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião