Trabalhar para viver ou viver para trabalhar

Tecnologia não falta para responder aos desafios dos novos modelos de trabalho e à velha questão: afinal, porque trabalhamos?

Trabalhar para viver ou viver para trabalhar. É uma inquietação antiga, mas, depois da pandemia obrigar a repensar a forma como e onde trabalhamos, está muito presente cada vez que nos ligamos ao Zoom ou enviamos um WhatsApp a horas que, convenhamos, há muito devíamos ter desligado. A resposta é que não se afigura imediata. Com 85% da população vacinada, as equipas regressam ao escritório, em muitos dos casos em modelos híbridos, mas o desejo de contacto humano e a necessidade de colar as equipas depara-se com a dura realidade: horas perdidas no trânsito, para depois reunir por Teams com os colegas em casa.

Não está fácil chegar a um equilíbrio entre a flexibilidade que os colaboradores desejam — e que as organizações tentam acomodar — e o ajustamento ao novo modelo. Algumas empresas em Portugal vão mais longe e, entusiasmadas com o piloto na Islândia, começam a testar a semana de quatro dias. Os dados são positivos mas ainda preliminares para decisões definitivas. O maior desafio — acreditem ou não — foi acertar agendas. Algo que depende apenas de nós, humanos, já que tecnologia não falta para responder aos desafios — a Web Summit é nisso uma boa montra —, sermos produtivos e escolhermos a partir de onde queremos trabalhar. Muitos têm optado por fazê-lo 100% à distância e há inúmeras empresas para quem a ideia de contratar fora do país — aumentando a rede de recrutamento — é sedutora. O mundo virou verdadeiramente uma aldeia global. De Portugal podemos trabalhar, literalmente, para os quatro cantos do planeta. O que coloca novos desafios.

E voltamos ao início: trabalhamos para viver ou vivemos para trabalhar? Com o mundo ao dispor dos colaboradores para responder a esta questão, como é que as organizações vão manter o talento que tanto custou a conquistar? E isso não passa só por subir salários — embora Marcelo Lebre, cofundador da Remote, o 5.º unicórnio com cores nacionais, não tenha dúvidas que a pressão salarial vai aumentar — mas também como criar cultura de empresa à distância. A tal cola. Talvez com gestos simples que fazem da tecnologia um instrumento humano de acolhimento. Como, por exemplo, mudar os sistemas informáticos para sermos recebidos pelo nome com o qual nos identificamos e não por aquele que o mundo convencionou chamar-nos. Pode parecer pouco, mas para Charlie, uma pessoa não binária, faz toda a diferença.

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