Sonangol adia futuro do BCP com chineses da Fosun

Nuno Amado fala em negociação de "interesses" dos acionistas para permitir a entrada do grupo chinês Fosun no BCP. E conta alinhar condições entre todos até dia 21 de novembro.

Quando Nuno Amado se sentou para dar início à conferência de imprensa sobre os resultados, já o ECO tinha noticiado que a Sonangol, detentora de cerca de 18% do BCP, pediu ao Banco Central Europeu (BCE) para ultrapassar o limite de 20% de participação no banco português. E seria esta a notícia que marcaria a apresentação dos resultados trimestrais da instituição.

Sobre a Sonangol, é melhor perguntar à Sonangol. Informações que não são públicas, não podemos responder. Nem sequer informar se temos ou não temos essa informação”, respondeu o presidente executivo do BCP perante a insistência dos jornalistas em relação ao facto de o acionista angolano ter pedido autorização à autoridade europeia para ultrapassar a barreira dos 20% e manter, assim, a relação de forças quando a Fosun assumir 16,7% do banco.

Terá sido por causa deste pedido que, de resto, a votação relativa ao segundo ponto da ordem de trabalhos da assembleia geral de acionistas — sobre o aumento do limite de votos de 20% para 30%foi adiada para o próximo dia 21 de novembro. É que, afinal, não são apenas os chineses da Fosun que querem ver o alargamento a limitação de votos para 30%. Também os angolanos pretendem assumir uma posição superior a 20% sem que esteja restringido ao nível do exercício de votação no seio do banco português.

Nuno Amado, que falava aos jornalistas depois de o banco ter anunciado prejuízos de 251 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, não confirmou esta situação, embora tenha adiantado que a suspensão da assembleia acontecera por causa de “um alinhamento de princípios e condições, entre várias instituições, que ainda não foi tomado”.

“Este alinhamento de condições e de interesses de diversas intenções está a ser negociado. Estamos no bom sentido, mas não concluímos. Houve uma suspensão da assembleia por essa razão”, explicou o presidente do BCP. “Não são apenas as condições da Fosun. Também questões que o BCP quer acautelar. Quando estamos perante assuntos que envolvem reguladores e supervisores, temos de fazer as coisas bem feitas. São três ou quatro temas que ainda estão em discussão”, acrescentou ainda.

“Solução rápida para o Novo Banco”

Sobre a carta de intenções que o banco entregou junto do Fundo de Resolução e Banco de Portugal no âmbito do processo de venda do Novo Banco, Nuno Amado também não quis ir muito longe nas suas declarações. Confirmou que a CMVM pediu esclarecimentos em relação a este processo. “E demos os esclarecimentos adequados”, disse o CEO. E sobre a proposta em concreto? “Não posso dar detalhes. Não evoluímos nada face ao processo anterior. Mantivemos a nossa posição de interesse com um perfil específico. Não estamos aqui para fazer número. Não se trata de um problema de números, mas antes de conceito e de posição”, referiu Nuno Amado de forma enigmática.

Nuno Amado, CEO do BCP, durante a apresentação dos resultados.
Nuno Amado, CEO do BCP, durante a apresentação dos resultados.Paula Nunes/ECO 9 de novembro, 2016

Ainda assim, disse esperar que “haja uma solução muito rápida para o Novo Banco” e que essa solução traga “valor para o sistema, para a banca e para a economia”. “É o que eu desejo”, disse.

Amado recusou ainda comentar os últimos acontecimentos em torno da Caixa Geral de Depósitos, deixando apenas um desabafo: “É bom que a banca se mantenha longe dos media, bastante low profile. Sobre a Caixa, não faço qualquer comentário. É o maior banco português. É público. Nós gostaríamos de ser o maior banco privado. Quanto mais discrição e estabilidade, melhor”.

Trump? “O mundo está cheio de surpresas”

Questionado ainda sobre os resultados das eleições americanas, que vão conduzir Donald Trump à Casa Branca, Nuno Amado diz que também foi surpreendido.

“O mundo está cheio de surpresas. Foi mais uma, temos de a acomodar. Espero que não traga efeitos negativos na economia. Mas futurologia não sei fazer”, declarou.

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