Inflação fraca? BCE pode ter de prolongar estímulo, diz Vítor Constâncio

  • Rita Atalaia
  • 14 Novembro 2016

Vítor Constâncio diz que a inflação fraca pode obrigar o Banco Central Europeu a prolongar o estímulo. Esta alteração pode ser sinalizada já no início de dezembro, quando decorre a próxima reunião.

A política monetária do Banco Central Europeu pode estar em perigo. O vice-presidente do banco central diz que a inflação fraca pode levar os banqueiros a prolongar o programa de estímulos. E esta alteração pode ser sinalizada já no início de dezembro, quando está agendada a próxima reunião do BCE.

O facto de a inflação, excluindo alimentos e energia, ter ficado inalterada nos 0,8% em outubro é “um motivo de preocupação, já que a inflação, dependente de fatores domésticos, não está a recuperar”, realça Vítor Constâncio numa conferência em Frankfurt, na Alemanha, citada pela Bloomberg. Isto pode “afetar as dinâmicas futuras da inflação, o que afeta a nossa política monetária“, alerta o banqueiro central. Apesar deste alerta, o responsável disse recentemente que começam a ver uma aceleração da inflação e “podemos esperar que a subida dos preços se situe acima de 1% na primavera do próximo ano”.

Constâncio também alertou contra tirar conclusões precipitadas sobre a subida do mercado desde que se soube os resultados das eleições dos EUA. O braço direito de Mario Draghi referiu que a economia mundial enfrenta “um grau anormal de incerteza”. Vítor Constâncio diz que a Europa “terá de fortalecer a sua união e integração e também precisa de mais crescimento económico”.

Euro em mínimos desde janeiro

Uma das consequências da vitória de Donald Trump nas eleições é a queda do euro face ao dólar para um mínimo desde janeiro. E a possibilidade de mais estímulo ainda pressiona mais a moeda única. A divisa norte-americana está a negociar em máximos, o que está a fazer aumentar a especulação em torno de uma subida rápida dos juros por parte da Reserva Federal dos EUA.

O euro regista uma queda de 0,8% para 1,0762 dólares, mas chegou aos 1,0757 durante a parte inicial da sessão. O mercado está a refletir no cambial as diferentes expectativas para as taxas de juro da Fed e do Banco Central Europeu. E esta divergência pode aproximar o par da paridade já no próximo ano.

Mesmo antes da eleição de Donald Trump, os riscos para o crescimento dos EUA estavam inclinados para a subida. Mas os riscos estão inclinados para a descida no caso da Europa. Há, neste caso, uma deterioração da procura por crédito e da perspetiva política. A recente subida das taxas reais europeias aumenta a probabilidade de um BCE manter uma política acomodatícia durante mais tempo.

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