Reino Unido já tem estratégia doce para sair da UE: “Ficar com o bolo e comê-lo”

  • ECO
  • 29 Novembro 2016

Descansem os britânicos em relação à saída do Reino Unido da União Europeia. O Partido Conservador foi a Downing Street e tirou nota da doce estratégia do Brexit. "Ficar com o bolo e comê-lo".

Pelo menos era o que podia ler-se num dos documentos escritos por um responsável do Partido Conservador, à saída de uma reunião com a primeira-ministra britânica, Theresa May, na sua residência oficial em Downing Street, realizada esta segunda-feira. Para discutir a saída do Reino Unido da União Europeia, há uma doce estratégia: “What’s the model? Have a cake and eat it”, em português “Ficar com o bolo e comê-lo” [o contrário da expressão ideomática ‘you can’t have your cake and eat it too’, que significa que ‘não se pode ter tudo’]. Para os mais desatentos, a frase surge na primeira linha do quadrado evidenciado ao fundo do lado direito.

Entre outros comentários que o assessor dos conservadores apontou é que alguns responsáveis políticos estão “contra” um acordo de transição que forneceria uma ponte entre Bruxelas e Londres através do estabelecimento de um novo relacionamento com o bloco económico.

Deixou ainda outro apontamento que pode provocar algum embaraço político com o vizinho francês: a equipa da União Europeia deverá ser “bastante francesa” e a França deverá ser provavelmente “muito complicada”.

Numa folha repleta de notas escritas à mão, e cuja reprodução fotográfica está a causar algum furor nas redes sociais, era ainda percetível alguma da expectativa britânica em relação ao desenvolvimento das negociações com os responsáveis europeus: um acordo em relação à indústria manufatureira seria “relativamente simples”; já um acordo no setor dos serviços seria “mais difícil” pois a União Europeia deverá pretender “um bom acordo sobre a segurança”.

Quem transportava o documento era o assistente do vice-presidente do Partido Conservador, Mark Field, segundo a imprensa britânica. O gabinete da primeira-ministra já disse que não se tratava de um documento do governo nem sequer refletia a sua opinião.

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