Dez nomeados de Trump: de Wall Street à ExxonMobil

  • Marta Santos Silva
  • 14 Dezembro 2016

Um CEO de fast-food para a pasta do Trabalho, um neurocirurgião para a Habitação, e para a Agência de Proteção do Ambiente um advogado que a está a processar. Conheça os rostos da administração Trump.

Falta um mês e meio para o dia 1 de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. O vencedor da corrida à Casa Branca, que toma posse a 20 de janeiro, já escolheu parte dos nomes da sua administração.

Vindos de carreiras muito diferentes — desde Wall Street até à Exxon Mobil, passando por políticos de carreira e pelo seu rival na corrida à nomeação republicana, o neurocirurgião Ben Carson — nem todos os nomeados do empresário se coadunam com a sua promessa de campanha de dar um abanão ao status quo do poder nos Estados Unidos. Conheça os perfis de dez dos nomes já conhecidos que vão marcar a administração de Donald Trump.

Reince Priebus: o insider na Casa Branca

A primeira nomeação de Donald Trump no princípio do período de transição — quando o novo presidente dos EUA já está escolhido mas ainda não tomou posse — foi surpreendente para alguns dos seus apoiantes. Reince Priebus, dirigente do Partido Republicano, parecia uma escolha improvável para um presidente eleito que tinha apoiado parte da sua campanha na derrota dos políticos carreiristas.

Reince Priebus começou a sua carreira na tesouraria estatal do Wisconsin, de onde subiu para se tornar um dos principais líderes do Partido Republicano a nível nacional. Ao longo da campanha de Donald Trump para a nomeação republicana, Priebus era um dos que apelava a que o partido se mantivesse unido independentemente do escolhido, e defendeu Trump escândalo após escândalo, nas últimas semanas da corrida à Casa Branca. Agora, o insider vai ser o chefe de gabinete de Trump — o seu assistente mais próximo.

CEO da ExxonMobil lidera a diplomacia

Após 41 anos à frente da gigante petrolífera dos EUA ExxonMobil, Rex Tillerson ia reformar-se. Pode já não ser o caso, se Trump conseguir levar avante a sua escolha — que tem de ser confirmada por uma maioria no Senado — de Tillerson para Secretário de Estado.

O equivalente norte-americano do ministro dos Negócios Estrangeiros, papel que foi cumprido por Hillary Clinton durante parte da administração de Barack Obama, ficaria assim nas mãos de um executivo sem experiência política — e com laços próximos a Vladimir Putin.

As críticas não ficam por aí. Tillerson teria muito a ganhar com uma melhoria das relações dos Estados Unidos com a Rússia, em parte pela sua proximidade ao presidente Putin mas também porque continua a deter milhões em ações da ExxonMobil, cuja grande exploração na Rússia ficou em stand by aquando da imposição de sanções devido à anexação da Crimeia.

17 anos na Goldman Sachs, agora nas Finanças

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O diretor financeiro da campanha de Donald Trump era quase certo para uma posição na administração do empresário se este fosse eleito, e a nomeação não tardou: Steve Mnuchin, que esteve 17 anos no Goldman Sachs antes de fundar o seu próprio fundo de investimento, o Dune Capital Management, vai ser Secretário do Tesouro de Donald Trump.

Após ter passado por Hollywood, onde produziu filmes como Mad Max: Fury Road, agora Mnuchin vai estar a braços com a Secretaria do Tesouro, uma posição análoga à de um ministro das Finanças.

Um “Cão Zangado” na Defesa

A alcunha dele é “Mad Dog” e a sua citação mais conhecida é: “Seja educado, seja profissional, mas tenha um plano para matar todos os que conhecer”. O General James Mattis, já reformado, serviu na Marinha durante mais de 40 anos. Na pasta da Defesa na administração de Donald Trump, espera-se que seja particularmente rígido com o Irão: a sua postura extrema contra o país foi o que fez com que fosse retirado, por Barack Obama, da posição de liderança no Comando Central dos EUA em 2013.

Mattis defende ainda que a postura de menor intervencionismo no Médio Oriente dos anos Obama foi um fator impulsionador para o extremismo na região. Em 2015, disse ao Congresso dos EUA: “Os Estados Unidos precisam de (…) adotar uma posição firme e estratégica na defesa dos nossos valores”.

Um neurocirurgião para gerir a Habitação

Ben Carson já não é estranho ao público mundial que acompanha mesmo que, ao de leve, a política norte-americana. O neurocirurgião foi um dos rivais de Donald Trump nas primárias para a nomeação republicana e, quando desistiu da corrida, declarou o seu apoio ao agora presidente eleito.

É uma escolha pouco ortodoxa para gerir o departamento da Habitação e Desenvolvimento Urbano: o neurocirurgião não tem muita experiência política e muito menos na área que vai tutelar. Mesmo a informação divulgada inicialmente de que Ben Carson tinha crescido em edifícios de habitação social acabou por ser desmentida com uma investigação do Washington Post: Carson nunca viveu num bairro de habitação social.

Processou a agência ambiental e agora lidera-a

Scott Pruitt, enquanto procurador-geral do estado de Oklahoma, processou a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla inglesa) repetidas vezes. Pode por isso parecer irónico que seja esta a escolha de Donald Trump para liderar este órgão federal — mas não se se souber que, durante a campanha, Trump prometera reduzi-la a “pedacinhos” quando se tornasse presidente.

“O povo americano está farto de ver milhares de milhões de dólares a serem sugados da nossa economia por causa de regulamentações desnecessárias da EPA, e eu tenciono liderar esta agência de forma que fomente tanto a proteção responsável do ambiente como a liberdade para as empresas americanas”, disse Pruitt, que não acredita no facto científico de que as alterações climáticas são reais e pelo menos parcialmente provocadas pela atividade humana.

Scott Pruitt tem de ser aprovado pelo Senado, mas os democratas — que já disseram ir combater a nomeação — estão em minoria na Câmara.

Uma multimilionária na pasta da Educação

A multimilionária Betsy DeVos defende a “escolha da escola”, ou seja, não dá prioridade à escola pública mas sim a uma grande variedade de vários tipos de escolas. Ao escolhê-la para tutelar a Educação, Donald Trump afirmou que DeVos era “uma defensora brilhante e apaixonada da educação”.

Mas existem muitos detratores que afirmam que DeVos vai desmantelar a escola pública. A presidente da Associação Nacional da Educação, Lily Eskelsen García, disse, citada pelo The Guardian: “Os esforços dela ao longo dos anos têm feito mais para sabotar a educação pública do que apoiar os estudantes”, sublinhando que DeVos foi defensora e impulsionadora de projetos que “financiam a escola privada à custa dos contribuintes”.

CEO de fast-food para o Trabalho

O CEO de uma empresa detentora de restaurantes de fast-food — célebres por pagarem pouco aos seus empregados — foi o escolhido por Donald Trump para liderar o Departamento do Trabalho.

A nomeação de Andy Puzder, que se opõe firmemente ao aumento do salário mínimo, numa altura em que este é um assunto do dia nos Estados Unidos envia a mensagem de que Donald Trump está do lado dos patrões nesta questão. Para Trump, e Puzder, a melhor forma de aumentar o emprego é desregulamentar o mercado de trabalho e dar benefícios fiscais aos patrões e às empresas.

O procurador-geral de Nova Iorque Eric Schneiderman emitiu uma declaração na qual criticou veementemente a nomeação de Puzder, que “roubou” os seus trabalhadores. “É uma decisão cruel e espantosa”, afirmou Schneiderman.

Elaine Chao: escolha experiente para os Transportes

É talvez a escolha mais óbvia das nomeações feitas por Donald Trump até agora: a republicana Elaine Chao, que teve posições de relevo nas administrações dos presidentes Bush pai e filho, tanto na tutela dos Transportes como na do Trabalho, vai ficar com a primeira pasta.

No entanto, Chao não é livre de escândalos: a escolha de Trump para a pasta dos Transportes estava no quadro administrativo do banco Wells Fargo durante a fraude com contas falsas que está agora a abalar a instituição, e segundo a CNN ganhou 1,2 milhões de dólares nesse período. Chao já disse que se demitirá da posição na Wells Fargo assim que assumir o posto. Outro possível conflito de interesses que pode ser apontado a Chao é ser casada com Mitch McConnell, que é o líder da maioria republicana no Senado.

Executivo do Goldman aconselha na economia

Donald Trump criticou muito a influência do Goldman Sachs sobre a sua adversária Hillary Clinton mas acabou a escolher vários executivos da instituição financeira para o seu executivo — não só Steve Mnuchin, para as Finanças, mas também Gary Cohn, para principal conselheiro económico.

Gary Cohn, que se pensava vir a ser o próximo CEO do banco quando Lloyd Blankfein saísse, vai assim sair da sua posição no Goldman Sachs — deixando o banco para procurar outro líder — para se juntar à equipa de Trump. “Enquanto meu conselheiro económico principal, Gary Cohn vai usar os seus talentos enquanto homem de negócios muito bem-sucedido para trabalhar para o povo americano“, anunciou Donald Trump numa declaração oficial.

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