Entre analistas divididos, mercado aplaude compra da REN

BPI diz que sim. Haitong diz que não. Apesar das dúvidas dos analistas, o mercado aplaude aquisição de gasoduto no Chile por parte da REN, que regista o melhor desempenho na bolsa de Lisboa.

BPI diz que sim. Haitong diz que não. A compra da REN no Chile anunciada esta manhã ao mercado pode deixar os analistas divididos. Mas para o mercado não há muitas dúvidas: o negócio traz valor para a gestora da rede elétrica em Portugal.

Isto mesmo é possível conferir com o avanço de 1,42% das ações da REN RENE 0,00% , para os 2,635 euros, o melhor desempenho na praça lisboeta, que valorizava há momentos 0,38% para 4.645,09 pontos. Mais de 70 mil papéis tinham trocado de mãos na primeira hora e meia de negociação em Lisboa, face a uma média diária de 700 mil observada nos últimos dois meses. Os títulos perdem 5% desde o início do ano, conferindo uma capitalização bolsista de 1,4 mil milhões de euros à cotada liderada por Rodrigo Costa.

A REN anunciou esta manhã que assinou um contrato para a aquisição de 42,5% do capital da Electrogas à ENEL Generacións Chile, num negócio avaliado em 171,9 milhões de euros. A Electrogas detém um gasoduto na zona central do Chile com 165,6 quilómetros de comprimento, tratando-se “de um gasoduto de grande relevância no país, que liga o terminal de regaseificação de Quintero a Santiago (a capital e o maior centro populacional chileno) e a Valparaíso (um dos portos mais importantes do Chile)”, segundo o comunicado da empresa Rodrigo Costa enviado à CMVM.

O negócio deixou os analistas divididos. O Haitong está “cético quanto à capacidade da REN para criar valor fora de Portugal”. “Não acreditamos que a REN goze de qualquer vantagem competitiva e não há recursos financeiros suficientes para construir escala significativa”, dizem os analistas da casa de investimento, considerando que a transação, caso venha a concretizar-se, representa “um investimento considerável” para a REN, “quase dois anos de pagamentos de dividendos”. “Mas acreditamos que a empresa deverá manter o seu grau de investimento tendo em conta que a gestão da REN sempre afirmou que os dividendos e o rating eram as principais preocupações da empresa”.

Já os analistas do BPI consideram a operação positiva, sem impacto na política de remuneração acionista da REN. “É a primeira vez que a REN consegue levar em diante uma aquisição internacional, assegurando um negócio que vem em linha com o atual plano estratégico 2015-18 que tem em vista investimentos internacionais até 900 milhões de euros”, referem Bruno Silva, Flora Trindade e Gonzalo Sánchez-Bordona.

"Não acreditamos que a REN goze de qualquer vantagem competitiva e não há recursos financeiros suficientes para construir escala significativa.”

Haitong

Nota de análise

O BPI destaca que é uma aquisição normal em virtude da pequena margem que a REN tem para crescer em Portugal, que deverá condicionar as receitas da gestora da rede elétrica nos próximos anos. Em termos de impacto financeiro, face à robustez na geração de cash flow na ordem dos 150 milhões de euros no período entre 2015-18, “a aquisição não deverá representar uma ameaça para a política de dividendos atrativos (rentabilidade dos dividendos de 6,6%)”.

"A aquisição não deverá representar uma ameaça para a política de dividendos atrativos (rentabilidade dos dividendos de 6,6%).”

CaixaBI

Nota de análise

Segundo o comunicado divulgado pela REN, o contrato de compra, realizado através de uma sociedade do grupo, encontra-se ainda sujeito à verificação de um conjunto de condições suspensivas, “entre as quais o não exercício do direito de preferência pelos demais acionistas da Electrogas“.

Nota: A informação apresentada tem por base a nota emitida pelo banco de investimento, não constituindo uma qualquer recomendação por parte do ECO. Para efeitos de decisão de investimento, o leitor deve procurar junto do banco de investimento a nota na íntegra e consultar o seu intermediário financeiro.

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