Falências caem em Portugal, aceleram no mundo

Em Portugal, as falências caem 18%, em 2016. A tendência deverá manter-se no próximo ano. A nível mundial as insolvências vão aumentar, algo que não acontecia desde a crise financeira de 2009.

Em Portugal, as falência caíram 18% em 2016, de acordo com os dados da Cosec. Esta é a tendência inversa registada a nível mundial já que, este ano ficará marcado pelo aumento do número e da dimensão das insolvências, algo inédito desde a crise financeira de 2009.

A líder nacional em seguros de créditos prevê ainda que, no próximo ano a tendência de descida se continue a verificar em Portugal. Com base nos dados do seu acionista Euler Hermes, líder mundial do setor, a Cosec avança com uma estimativa de redução de 7%, o que coloca o país em terceiro lugar no pódio das quedas das insolvências.

Já a nível mundial, “prevê-se que as mudanças políticas em 2017 abalem o crescimento e as trocas comerciais a nível global e que tenham efeitos prolongados”, que ajudam a explicar que a seguradora de créditos preveja que “a nível global”, “um aumento de 2% nas insolvências”. Um desempenho que surge após um aumento de 1% em 2016.

“Embora este valor seja pouco expressivo, as grandes falências estão a aumentar, ao mesmo tempo que os prazos de pagamento às empresas não melhoram”, justifica a Cosec, em comunicado, citando o estudo “Economic Insight 2016-17: Tectonic shifts and risk of local tremors”, elaborado pela Euler Hermes Economic Research.

“Espera-se que, este ano, as insolvências subam na maioria dos países emergentes e nos EUA, e que decresçam na Europa Ocidental. As mudanças na política em 2016 e as que estão para vir irão abalar mais ainda o crescimento e o comércio em 2017, refere ainda o estudo.

Crescimento das insolvências de empresas (%)

Fonte: Euler Hermes
Fonte: Euler Hermes

O pessimismo é justificado, segundo a Euler Hermes, pelo fraco crescimento económico. A previsão é que o crescimento económico desacelere para 2,4% em 2016 (contra os 2,7% em 2015). “E poderá chegar a uns magros 2,8% em 2017, caso as placas tectónicas regionais continuem a exibir resiliência”, prevê o estudo — um desempenho inferior a 5% é considerado uma recessão. Um desempenho pouco satisfatório das trocas comerciais, que deverão registar uma progressão de 3,1%, em 2017. E é esperado que as matérias-primas voltem a subir. E já estamos a assistir ao aumento dos preços dos combustíveis na sequência do acordo da OPEP.

Num contexto de “mudança e instabilidade política, são esperadas turbulências severas, com impacto a nível local e global e efeitos prolongados: agitação financeira, perturbações estruturais do comércio e dos produtos serão fatores a considerar pelas empresas ao longo do próximo ano”, acrescenta o mesmo estudo. No do Brasil, as repercussões são já evidentes, prevendo-se para 2017 um aumento de 15% nas insolvências de empresas.

Singapura (+15%) e China (+10%) também lideram a tendência. O impacto das negociações do Brexit no setor privado coloca também o Reino Unido no top 5 das insolvências (8%), em contraciclo com os restantes países europeus, onde se espera uma desaceleração. No pódio da desaceleração das insolvências está a Dinamarca (-19%), seguida da Lituânia (-10%) e de Portugal (-7%).

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