Louçã escreve carta a Costa: Novo Banco “deve integrar a banca pública”

O economista diz que os fundos de investimento que querem comprar o Novo Banco "procurarão utilizar as garantias do Estado e os créditos fiscais, pedir novos empréstimos e retirar capitais do banco.

A venda do Novo Banco a qualquer um dos fundos que ainda estão na corrida — o fundo Lone Star e o consórcio Apollo/Centerbridge, agora com o reforço da família Violasé uma má solução. É isso que defende Francisco Louçã, numa carta enviada a António Costa e num artigo de opinião publicado no Público, onde pede que o banco que resultou da resolução do Banco Espírito Santo (BES) seja tornado público.

Para o economista e Conselheiro de Estado, a única “virtude clarificadora” da solução de Sérgio Monteiro, que está a liderar o processo de venda do Novo Banco, é “a anuência do PSD e CDS”. De resto, a “solução Monteiro” é má por três razões:

  1. “Os potenciais compradores são flibusteiros, ou aventureiros provados no mar alto da finança”, escreve Louçã. Veja-se, aponta, o fundo texano Lone Star, que foi criado na crise dos anos 1990 e que cresceu a comprar propriedade imobiliária e empresas em dificuldades. “O seu negócio é a dívida e a destruição de empresas ou a sua venda a curto prazo”. Já a Apollo e o Centerbridge juntam “fundos de pensões ou outros investidores para comprar dívida e conseguirem rentabilidades de curto prazo”.
  2. Estes fundos fazem investimentos de curto prazo que esperam ver imediatamente ressarcidos, pelo que ficam ameaçados o banco e os clientes. “Ao comprarem o Novo Banco (…), estes fundos procurarão utilizar as garantias do Estado e os créditos fiscais, pedir novos empréstimos e retirar capitais do banco, espremendo também os créditos em curso na economia nacional para aumentarem as taxas de retorno”.
  3. Por fim, a venda do Novo Banco terá um custo sobre o défice. “O imediato, a contabilidade das contra-garantias, e o mediato, a perda fiscal ao longo dos anos”.

Francisco Louçã conclui frisando que “a solução Monteiro tem de ser evitada“, até porque “há alternativas a este caríssimo ultimato quarta-feirista” — leia-se, tornar o Novo Banco em instituição pública.

O economista sublinha que o banco “deve ser mantido como entidade separada e não incluída na CGD, mas deve integrar a banca pública para uma recapitalização ponderada ao longo do tempo e para uma gestão virada para o crédito que estimule a economia”. E deixa a promessa: “sobre os detalhes desse plano voltarei a escrever em breve”.

O apelo de Francisco Louçã é feito no mesmo dia em que o Diário de Notícias e a TSF publicam uma entrevista a Mário Centeno, onde o ministro das Finanças não descarta nenhum cenário — nem mesmo integrar o Novo Banco na esfera pública.

“Nada está fora de questão quando se trata de garantir a estabilidade do sistema financeiro”, disse. E acrescentou: “Não acho que seja adequado eliminar nenhum tipo de abordagem em relação ao Novo Banco”.

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