Galamba: Nacionalização do Novo Banco é “a opção que menos penaliza os contribuintes”

O deputado socialista criticou a resolução do antigo BES e alertou que a venda do Novo Banco ao Lone Star terá custos para os contribuintes. Nacionalização "parece ser" a melhor opção.

João Galamba defendeu esta terça-feira a nacionalização do Novo Banco. Num artigo de opinião no jornal Público, o deputado socialista destaca que “dois anos passados desde a resolução do BES [Banco Espírito Santo], a nacionalização do Novo Banco parece ser mesmo a opção que menos penaliza os contribuintes”. E é também, ao mesmo tempo, a que permite criar espaço para “resolver os problemas da sustentabilidade do sistema financeiro português”, garante.

No texto, João Galamba explica como se chegou até aqui e critica a decisão de resolver, em agosto de 2014, o banco até então liderado por Ricardo Salgado. “Todos nos recordamos do que foi sendo dito sobre a resolução do BES: tratava-se de uma operação sem custos para os contribuintes e era a que melhor preservava a estabilidade do setor”. Para o deputado, nem isto era verdade, nem era verdade o Novo Banco ser “um banco limpo de todos os ativos tóxicos, plenamente capitalizado e com elevado valor”. No fundo, “a resolução foi mal feita”, escreve.

“A venda imediata do Novo Banco parece a pior de todas as opções, porque não foram criadas as condições para que haja uma venda sem ser fortemente subsidiada pelo Estado”, frisa João Galamba, criticando ainda a entrega do Novo Banco ao Lone Star, o fundo que tem sido apontado como o mais bem colocado para adquirir a instituição. É uma oferta que “implica que o Estado pague cerca de 1750 milhões de euros para que um fundo de private equity fique com o terceiro maior banco do país”, remata o socialista, que alerta que isso trará “custos imediatos para os contribuintes”.

Posto isto, João Galamba vê dois benefícios na nacionalização do Novo Banco. Por um lado, “permite normalizar a situação do banco” e retirar-lhe “o estatuto de banco de transição” e, por outro, permite encontrar uma “solução sistémica” para o “problema do sistema bancário nacional”, em vez de se procurarem soluções “banco a banco”. Recorde-se que o Novo Banco resultou da resolução do antigo BES, imposta em 2014 pelo Banco de Portugal após a queda do Grupo Espírito Santo, cujas ondas de choque se propagaram a outros setores da economia portuguesa.

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