Venda do Novo Banco a “fundo abutre”? Mortágua defende nacionalização

A deputada bloquista defende uma nacionalização definitiva do Novo Banco, para garantir "o controlo público permanente do banco". Pagar para vender ao Lone Star? "Nem pensar", sublinha.

Pagar para vender o Novo Banco a um “fundo abutre”? “Nem pensar”, escreve Mariana Mortágua esta terça-feira, num artigo de opinião publicado no Jornal de Notícias. A deputada do Bloco de Esquerda junta-se às vozes que defendem a nacionalização do “terceiro maior banco do país”, como fez também o deputado socialista João Galamba.

Mariana Mortágua começa por criticar o processo de resolução do antigo BES em agosto de 2014, do qual resultou o Novo Banco. Mas “era suposto que as contas iniciais do Novo Banco estivessem certas”. Ou seja, “que os empréstimos irrecuperáveis tivessem ficado no BES, que os créditos em risco tivessem sido prudentemente provisionados, que as garantias tivessem sido realisticamente avaliadas”, sublinha a deputada bloquista. Expectativas que, diz, saíram goradas.

Mortágua critica também o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho que, à data, “estava empenhado em convencer o país” de que “tinha solucionado uma falência bancária sem dinheiro dos contribuintes”, algo que classifica como um “milagre” que virou “farsa”.

Agora, depois do reforço de capital do Novo Banco em 2015, em que o Banco de Portugal foi “buscar mais dois mil milhões de obrigações” que estavam no “BES mau”, e depois de uma “primeira tentativa falhada, o banco de transição está “de novo à venda”. Porém, é com base nas garantias estatais que os interessados estarão a exigir para ficarem com o Novo Banco que Mariana Mortágua acaba por defender a nacionalização da instituição.

O fundo de private equity Lone Star é, atualmente, o mais bem posicionado para ficar com o Novo Banco, mas sobre isso, Mortágua não deixa margem para dúvidas: “Pagar para vender o terceiro maior banco do país a fundo abutre nem pensar. A nacionalização é por isso a solução.” Não “uma nacionalização temporária”, mas “o controlo público permanente do banco, para que este possa ser gerido de acordo com os interesses de longo prazo do país”, defende a deputada no artigo.

Para terminar, Mariana Mortágua lança um repto ao Banco de Portugal, para que a entidade liderada por Carlos Costa explique “como é que ainda falta dinheiro no Novo Banco”. Afinal, “é difícil não achar que se trata, na melhor das hipóteses, de incompetência”, conclui.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Venda do Novo Banco a “fundo abutre”? Mortágua defende nacionalização

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião